PURIFIQUEM O
TEMPLO!
"Purifiquei as câmaras e coloquei de volta os
utensílios do templo de Deus, com as ofertas de cereal e o incenso."
(Neemias 13:9 – NVI)
Ao abrir a Palavra hoje cedo para fazer minha devocional,
deparei-me com o relato registrado em Neemias 13, dos versos 4 ao 9. Nela, Deus
fez-me refletir sobre a importância e a santidade da Sua casa, a Casa de
Oração.
É impossível ler esse trecho e não fazer uma analogia com o
nosso tempo. Algumas pessoas, que se dizem servas de Deus, têm permitido que o
pecado entre em lugares que deveriam ser santos. Isso tem manchado espaços que
foram separados para a santidade. É triste perceber como certos comportamentos
e decisões estão contaminando o que deveria ser puro, consagrado e respeitado. Essa
realidade precisa ser enfrentada com firmeza por todos os que amam e adoram a
Deus — e com urgência.
Naquele tempo, Eliasibe, o sumo sacerdote, cedeu uma grande
sala do templo para Tobias — um homem que havia se oposto diretamente à
reconstrução dos muros de Jerusalém. Era um inimigo declarado da obra de Deus.
A câmara, que deveria servir para guardar os utensílios sagrados, os dízimos e
as ofertas consagradas, tornou-se morada de quem jamais deveria ter sido
acolhido naquele espaço.
Séculos depois, vemos o mesmo espírito em Jesus, ao entrar
no templo e encontrar o lugar tomado por cambistas e comerciantes. Indignado
com a profanação do sagrado, Jesus expulsou os vendilhões, virou as mesas e
declarou com autoridade: "Está escrito: ‘A minha casa será chamada
casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’."
(Mateus 21:13 – NVI)
Tanto Neemias quanto Jesus nos ensinam que a casa de Deus
não pode ser tratada como lugar comum. Ela é sagrada. É separada. Não é espaço
para negócios, autopromoção ou conveniências humanas. É lugar de louvor e
adoração. Lugar de reflexão. Lugar onde se ouve a voz do Pai Celestial e se
recebe dEle os ensinamentos que transformam vidas.
A igreja é como um hospital, que diariamente recebe
pacientes para serem tratados. É também como uma sala de cirurgia, onde a
operação de Deus e seus anjos acontece a cada momento, em cada culto ou
reunião, por mais simples que sejam. Por isso, não pode receber móveis
estranhos, nem estar suja ou contaminada. Ambientes de cura precisam estar
limpos, consagrados e preparados para o agir do Médico dos médicos.
Infelizmente, nos dias de hoje, vemos muitos “Eliasibes”
ocupando posições de liderança. Pessoas que, por conveniência, status ou
alianças políticas e emocionais, permitem que “Tobias” entre pelas portas da
igreja e se instale confortavelmente onde deveria haver reverência e temor.
Templos que deveriam ser conhecidos como casas de oração têm
sido transformados em palcos de entretenimento vazio. Palavras humanas
substituem a Palavra de Deus. A reverência dá lugar ao espetáculo. E práticas
contrárias à vontade do Senhor vão se acomodando como se fossem aceitáveis.
Tudo isso vai enchendo as câmaras com móveis estranhos, desviando o propósito
original da casa do Senhor. Não podemos permitir que esse "fogo
estranho" entre em nossos templos. Precisamos discernir o que vem de
Deus e o que é apenas aparência de piedade. O altar deve ser preservado com
zelo, temor e santidade.
Hoje, Deus continua levantando Neemias. Homens e mulheres de
coragem, que não negociam o sagrado, que não fazem aliança com o pecado, que
não se calam diante da corrupção espiritual. Pessoas que estão dispostas a
purificar o altar, a restaurar a ordem e a devolver a Deus o que é dEle por
direito.
De outro jeito, se a gente olhar para o nosso próprio
coração e compará-lo com aquela sala do templo, fica uma pergunta importante: O
que temos deixado “Tobias” guardar lá dentro? Quais “móveis estranhos”
estão ocupando o lugar que deveria ser só de Deus?
Talvez o que precise ser limpo hoje não seja só o templo
físico, mas o nosso interior — aquele espaço onde o Senhor deveria reinar
sozinho, mas que, com o tempo, foi sendo ocupado por sentimentos, hábitos e
influências que não agradam a Deus.
Neemias agiu. Jesus também. Agora é a nossa vez.
Cada um de nós é chamado a olhar para o templo — seja o
templo físico, seja o nosso próprio coração — e fazer uma faxina espiritual. Jogar
fora o que contamina. Recolocar no lugar aquilo que foi profanado. E consagrar,
mais uma vez, tudo ao Senhor.
Que sejamos despertados para este momento tão especial. Que
os nossos olhos se abram para enxergar o que precisa ser purificado em nós. Que
a casa de Deus nunca deixe de ser um lugar de temor, reverência e presença
divina. Que os líderes e o povo sejam tomados por um novo zelo — como o de
Neemias — e que não falte coragem para restaurar o que foi violado.
Que estejamos dispostos, em cada dia de nossa vida, a purificar o templo — e também o nosso coração.
Estamos nós prontos para lançar fora os “móveis estranhos” que ocuparam esse espaço santo?
Comecemos hoje.
Que Deus encontre em nossas igrejas um ambiente propício para se manifestar de forma gloriosa, e também em nós, corações limpos e vidas que honrem o lugar onde Ele deseja habitar.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
05/sab/abr/25
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