COM OS FIÉIS DA TERRA, ESSES É QUE TERÃO O MEU FAVOR

“Os meus olhos aprovam os fiéis da terra, e eles habitarão comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá.” Salmos 101.6 (NAA)

Há momentos em que o céu parece se inclinar sobre a terra. Quando um servo ou uma serva do Senhor parte para a eternidade, algo se silencia em nós — mas, ao mesmo tempo, algo se ergue com força. Cala-se a voz do amigo, do irmão, do pastor, do pai ou da mãe… mas se levanta um testemunho que fala mais alto do que qualquer palavra: o testemunho de uma vida vivida com fidelidade diante de Deus — aquilo que muitos chamam de legado.

O Salmo 101 é um salmo de compromisso. Nele, Davi expressa seu desejo de reinar com justiça e santidade. No versículo 6, ele declara algo profundo e belo: “Os meus olhos aprovam os fiéis da terra, e eles habitarão comigo.” Embora essas palavras tenham sido proferidas por um rei terreno, elas apontam para o Rei Eterno, que também tem os olhos atentos sobre os fiéis — e que garante que eles habitarão com Ele.  Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar." João 14.2 (NAA)

Na partida de um servo ou de uma serva fiel, essa promessa se cumpre com toda a sua força. O que andou em retidão, o que serviu com sinceridade, o que permaneceu mesmo nos dias difíceis, agora é acolhido na eternidade por Aquele que jamais esquece um coração consagrado. Deus vê os fiéis. E mais: Deus os recebe.

O olhar de Deus não é apressado nem distraído. Ele não mede com base em aparências, números ou elogios humanos. Ele vê o coração. Ele vê o aquele que orou em silêncio, que semeou no secreto, que perdoou sem reconhecimento, que serviu com amor mesmo quando cansado. Ele vê o que ninguém viu — e recompensa como ninguém pode recompensar.

Quando um servo ou uma serva parte, a dor da separação é real. A ausência pesa, e as lembranças chegam em ondas — algumas doces, outras dolorosas. Mas, junto com a saudade, nasce uma esperança diferente: a certeza de que a morte não é o fim, mas o início de um gozo eterno na presença do Pai. Para quem viveu com fidelidade, a morte não é uma perda — é um ganho. Como declarou o apóstolo Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.”  Filipenses 1.21 (NAA). É nesse momento que se ouve, com o coração cheio de paz, a doce voz do Senhor: “Vem, servo bom e fiel. Entra no gozo do teu Senhor.”

Essa esperança é o consolo para os que ficam. Não apagamos a dor, mas a envolvemos com fé. Não negamos o luto, mas o atravessamos com a certeza de que há uma morada preparada. “Eles habitarão comigo”, diz o Senhor. E isso basta. Nenhuma homenagem na terra se compara ao acolhimento do céu.

A fidelidade não se mede por grandes feitos, mas pela constância no caminho. O texto declara: O que anda em reto caminho, esse me servirá.” Não fala de perfeição, mas de integridade. Não exalta fama, mas firmeza. É o passo após passo, dia após dia, buscando viver aquilo em que se crê — e crendo, mesmo quando não se vê. É caminhar com a fé como firme fundamento, sustentado não pelas circunstâncias, mas pela confiança no Deus que vê o oculto e recompensa o fiel.

Quando lembramos de alguém fiel que partiu, nossa mente se enche de gratidão. Gratidão pelo exemplo, pela influência, pelos gestos, pelas palavras. Mas acima de tudo, gratidão por sabermos que Deus está com ele agora. Aquele que andou com o Senhor na terra agora habita com Ele na glória.

Se você está hoje enfrentando a dor da despedida de alguém assim, receba esta promessa como alívio e certeza: os olhos de Deus estavam sobre ele. E agora, ele está nos braços do Pai. Se você ainda caminha por este mundo, que esse texto seja um chamado: viva com fidelidade. Sirva com sinceridade. Permaneça no caminho. Porque o Senhor continua olhando — e Ele ainda promete: “Eles habitarão comigo.”

Aos olhos de Deus, nenhuma fidelidade passa despercebida. O servo fiel que parte desta vida não é esquecido — é recebido. E a eternidade se torna, então, o lar preparado por um Deus que honra aqueles que O servem com retidão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/jul/25

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