O SERVO QUE REINA

“Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”  Marcos 10:45 (NVI)

Essas palavras de Jesus registradas por Marcos expressam, com simplicidade e profundidade, o coração de toda a sua missão. Ele, sendo Senhor de tudo, escolheu o caminho da humildade. Não veio para ser servido, mas para servir. Não veio para tomar, mas para dar. Sua grandeza se revelou no gesto de se colocar à disposição dos outros, até o ponto máximo de entregar sua própria vida por amor.

Esse é também o chamado para todos os que o seguem: servir em vez de buscar ser servido. Viver com generosidade, abrir mão de direitos, colocar a vida em favor do outro. A verdadeira grandeza, no Reino de Deus, se manifesta por meio do serviço.

Mas esse mesmo Jesus, descrito por Marcos com a toalha nos ombros e a bacia nas mãos, é visto por Daniel em uma visão celestial completamente diferente. Em Daniel 7:13-14, o Filho do Homem aparece vindo com as nuvens do céu, aproximando-se do Ancião e recebendo autoridade, glória e um Reino eterno. Nessa cena, todos os povos, nações e línguas se prostram diante Dele. Não há mais dor, nem escárnio, nem cruz. Ele agora é adorado, exaltado e entronizado.

Essas duas imagens não se contradizem. Pelo contrário, elas se completam de maneira maravilhosa. Em Marcos, Jesus desce para servir. Em Daniel, Ele é elevado para reinar. Na primeira cena, Ele oferece a vida. Na segunda, Ele é coroado como Rei de todos. A conexão com Apocalipse 5 é imediata: o Cordeiro que foi morto é o único digno de abrir o livro e receber toda honra, glória e louvor.

O mesmo Jesus que segura a toalha e a bacia também empunha a espada. Ele é o Servo que lava os pés dos discípulos, mas também o Rei que cavalga com justiça, com a espada afiada da Palavra saindo de sua boca. Na primeira vinda, Ele veio manso, curando, ensinando, servindo e salvando. Mas haverá um dia em que Ele virá com poder e glória, para julgar as nações e estabelecer definitivamente o seu Reino.

A toalha representa o serviço, a compaixão e o sacrifício. A espada representa a justiça, a autoridade e a soberania. E é justamente nessa aparente contradição que habita a beleza do Evangelho. O Rei serve. O Servo reina. Ele não deixou de ser Senhor quando se ajoelhou diante dos discípulos, nem deixará de ser manso quando vier com majestade.

Quem não entende a toalha, teme a espada. Mas quem reconhece o serviço do Cordeiro, se prostra com alegria diante do Leão.

Jesus não precisa que o sirvamos para ser Deus. Ele já é — eternamente. Mas quando O reconhecemos, passamos a desejá-Lo, a adorá-Lo e a servi-Lo com toda a alma. Não por imposição, mas por amor e reverência.

Foi por meio do serviço que Ele foi verdadeiramente servido. Foi pelo sofrimento que Ele entrou em sua glória. Em Lucas 24:26, Ele mesmo diz: “Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?” Não havia outro caminho. O trono foi alcançado pela estrada da cruz.

Filipenses 2 confirma isso com clareza: “Humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte — e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou à mais alta posição.” A grandeza de Jesus não está apenas em sua divindade, mas na disposição de se esvaziar, se entregar e amar até o fim.

Foi lavando os pés que Ele ensinou o que é realeza no Reino de Deus. Foi na cruz, coroado com espinhos, que Ele venceu o mundo. E foi da sepultura vazia que Ele nos abriu as portas da eternidade.

Hoje, quando O servimos, não o fazemos para elevá-lo a algo que ainda não é. Ele já é Senhor. Já é Rei. Já está glorificado. Servimos porque fomos alcançados por um amor que nos constrange. Um amor que desce, que se ajoelha, que morre — mas que também vive, reina e voltará.

"O Rei que se ajoelha para servir é o mesmo que reinará para sempre; e quem reconhece a toalha do Cordeiro se curva com alegria diante da espada do Leão."

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/jul/25

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