“Depois
dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que
eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: ‘Suba para
cá, e eu lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas.’” Apocalipse
4.1 (NAA)
Na visão que Deus
deu a João na ilha de Patmos, algo extraordinário acontece: ele vê uma porta
aberta no céu. Essa porta não está entreaberta, nem limitada — ela está
completamente aberta, como um convite direto do Senhor ao seu servo. Mas por
que Deus mostraria uma porta aberta? E por que a ordem: “Suba para cá”?
João havia acabado
de registrar as mensagens às sete igrejas da Ásia. Essas cartas revelavam o
cenário da igreja na terra — suas virtudes, falhas, lutas e chamadas ao
arrependimento. Era, de certa forma, o retrato do reino terrestre: limitado,
marcado pelo tempo, frágil em sua caminhada. Mas agora, Deus o chama para algo
mais elevado. A partir daquele ponto, João não apenas verá — ele ouvirá. E não
com os olhos naturais, mas com o coração sensível à voz do céu.
O convite “suba
para cá” é um chamado espiritual. Não é uma exaltação, mas uma aproximação.
Deus o chama para uma nova dimensão de comunhão, de discernimento e de
contemplação da glória. No versículo seguinte, João afirma que imediatamente se
achava “em espírito”, mostrando que essa subida não foi por mérito ou
esforço próprio, mas pela ação do Espírito Santo.
Na sequência da
visão, João contempla o céu como ele é: o trono de Deus, os anciãos prostrados,
os seres viventes adorando sem cessar. Ele vê o Cordeiro vitorioso, o livro
selado, e o desenrolar da história do ponto de vista do trono. O que ele
contempla não é apenas bonito — é glorioso, eterno, verdadeiro. A perspectiva
muda: antes ele via a igreja lutando na terra; agora vê o céu governando com
justiça. Antes o esforço humano; agora a majestade divina.
É importante
destacar que a porta não foi apresentada como um prêmio para quem chegou até
ali, mas como um chamado. A iniciativa é de Deus, mas a resposta parte de João.
Ele ouve a voz — como uma trombeta, clara, firme, irresistível — e sobe. E essa
dinâmica continua válida até hoje. Deus ainda fala. Ainda abre portas. E
continua a chamar seus servos para mais perto, para mais alto, para mais fundo.
Num tempo como o
nosso, marcado por distrações, superficialidades e tanto ruído ao redor, essa
imagem tem muito a nos ensinar. Deus ainda chama. Ele continua dizendo: “Suba
para cá.” Não permaneça olhando com os olhos da terra. Suba em oração, suba
na Palavra, suba em comunhão. Há coisas eternas que o Senhor deseja nos revelar
— e não apenas sobre o que virá, mas sobre quem Ele é.
Muitos estão em
busca de respostas sobre o futuro, desejando entender os tempos, decifrar
sinais ou antecipar eventos. Mas o maior propósito dessa visão não foi informar
João sobre os acontecimentos vindouros, e sim revelar quem está no trono.
A grande revelação não é sobre o que vai acontecer, mas sobre quem reina sobre
tudo o que vai acontecer.
A glória de Deus e
a centralidade de Cristo são o ponto mais alto dessa experiência. O trono não
está vazio. A adoração não cessou. A história não está sem direção. João viu,
ouviu e registrou. E hoje, pela fé, nós lemos e cremos. Assim como ele, também somos
convidados a subir — não fisicamente, mas espiritualmente. A viver mais atentos
ao céu do que às circunstâncias. A ouvir mais a voz de Deus do que os ruídos do
mundo. A enxergar a vida com os olhos do alto, onde Cristo reina soberanamente.
A porta aberta no
céu não é apenas um vislumbre do futuro. É um convite à intimidade, um chamado
para uma nova perspectiva. É a chance de ver com os olhos do céu, ouvir com o
coração sensível e confiar que, mesmo quando tudo parece incerto, o trono
permanece ocupado. Deus reina — e Ele ainda fala.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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