A CONVERSÃO SEGUNDO PAULO — UM CHAMADO À VIDA
TRANSFORMADA
“E, assim, se
alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas já passaram; eis que
se fizeram novas.” 2 Coríntios
5:17 (NAA)
Nesta semana, li um
artigo de Carlos Alberto Di Franco, publicado na Gazeta do Povo,
intitulado “Conversão: fenômeno da atualidade”. O texto me chamou
a atenção pela maneira como o autor apresenta o ressurgimento da fé como uma
resposta a um mundo marcado por crises de sentido, cansaço interior e
relativismo.
Ele destaca, com
surpresa positiva, o crescimento da religiosidade entre os jovens da chamada
Geração Z — os nascidos a partir dos anos 2000 —, que parecem buscar na fé uma
espécie de rebelião saudável contra os excessos e o vazio da cultura moderna.
Para ele, a conversão não é um modismo, mas um reencontro real com Deus, capaz
de transformar uma vida de dentro para fora.
Nesse mesmo texto,
Di Franco menciona a história de Agostinho como um exemplo marcante de
conversão genuína. Ele passou por fases de dúvida, pecado e inquietação até se
render à graça de Deus. Reconheceu que o Senhor já o buscava antes mesmo que
ele pensasse em procurá-Lo. A conversão, nesse sentido, não é uma performance
nem um esforço meramente religioso, mas um ato de liberdade e humildade. É um
recomeço — não uma fuga do mundo, mas um novo modo de viver nele — sem se
conformar com os padrões desta era, permitindo que Deus transforme a mente e,
assim, experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2,
NAA).
Essa compreensão da
conversão encontra eco na experiência e nos escritos do apóstolo Paulo. Antes
de conhecer Jesus, Paulo era perseguidor da Igreja. Mas tudo mudou no caminho
de Damasco. Aquele encontro pessoal com o Cristo ressurreto virou sua vida do avesso.
Ele não apenas mudou de opinião ou comportamento; ele mudou de direção, de
identidade, de missão. Tornou-se um novo homem, com novo coração e novo
propósito.
Ao escrever aos
coríntios, Paulo resume essa transformação com palavras poderosas: “Se
alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas já passaram; eis que
se fizeram novas” 2 Coríntios 5:17 (NAA). Para ele, estar em Cristo não
é apenas adotar uma nova religião, mas nascer de novo. É uma mudança de
natureza que afeta tudo: mente, emoções, escolhas, relacionamentos.
Em suas cartas,
Paulo deixa claro que a conversão é obra da graça. Não é fruto de esforço
humano, mas da ação de Deus em nós. Ele escreve aos filipenses: “Porque
Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa
vontade” Filipenses 2:13 (NAA). Ainda assim, essa graça exige resposta.
Deus age, mas espera que nos rendamos. A conversão é dom, mas também decisão. É
iniciativa divina, mas pede acolhimento humano.
Outro ponto que
Paulo destaca é que a conversão não isola o cristão do mundo. Pelo contrário, o
envia a ele com nova visão. Em Romanos 12:2 (NAA), ele diz: “E não vivam
conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela
renovação da mente.” O convertido não se esconde — ele testemunha. Não
repete, ou se amolda ao mundo — ele o confronta com amor, verdade e
integridade.
Assim como
Agostinho, Paulo também sabia que a conversão é um processo contínuo. Por isso
escreveu aos filipenses: “Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás
e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo...”
Filipenses 3:13-14 (NAA). A caminhada cristã é feita de altos e baixos, de
recomeços e perseverança, de lutas e esperança. Conversão é nascer de novo — e
aprender a crescer um dia de cada vez.
Vivemos tempos em
que a palavra "conversão" parece ter sido esvaziada ou
banalizada. Mas ela continua sendo essencial. É preciso voltar a entendê-la
como Paulo a entendeu: um chamado à vida transformada, centrada em Cristo e
guiada pelo Espírito. Não se trata de adesão a um sistema moral, mas de um
reencontro com o Criador que muda tudo em nós.
O mundo precisa de
conversão. Não apenas o mundo “lá fora”, mas o mundo dentro de nós. A
verdadeira conversão começa no íntimo — no silêncio de uma oração sincera, na
decisão de abandonar um pecado que insiste em ficar, na humildade de pedir
perdão, na coragem de mudar o rumo. Deus não força a entrada. Ele bate à porta.
Cabe a nós abrir. “Eis que estou à
porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa
e cearei com ele, e ele, comigo.”
Apocalipse 3:20 (NAA)
Que cada um de nós
possa ouvir esse chamado e responder com fé e entrega. Porque quando Deus
encontra um coração disposto, Ele transforma a história inteira.
A verdadeira
conversão não é um ponto de chegada, mas o início de uma jornada: Deus nos
encontra onde estamos, nos transforma por dentro e nos envia ao mundo como
novas criaturas.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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