NUNCA PERCA A ESPERANÇA

“Senhor, se quiseres, podes purificar-me.” Lucas 5:12 (NAA)

Há dias em que tudo parece desabar. A conta está no vermelho, a saúde fragilizada, a família desgastada. Nesses momentos, a esperança parece escorrer pelos dedos. O coração se encolhe diante do medo do que vem pela frente. Foi num cenário assim que aquele homem leproso decidiu não desistir.

Lucas, que era médico, quando relatava aquele fato sabia muito bem o que a lepra representava. Era mais que uma doença. Era uma sentença. Os leprosos viviam isolados, afastados do convívio com os outros. Suas feridas expostas gritavam uma vergonha que não se podia esconder. Ninguém tocava neles. Ninguém se aproximava. Eram vistos como malditos. E, de certa forma, na Bíblia, a lepra é uma representação do pecado. Como ele, a lepra separa, destrói, fere e contamina.

O pecado, assim como a lepra, insensibiliza. O que antes causava vergonha, aos poucos se torna comum. A consciência se acostuma e vai adormecendo. As marcas surgem — na alma, na reputação, nas relações. O cheiro do pecado, como o da lepra, também não se esconde. Ele exala nas atitudes, nas palavras, nas escolhas. E, no fim, leva à morte, pois “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).

Mas aquele homem, mesmo leproso, mesmo marcado, mesmo excluído, decidiu se aproximar de Jesus. Ele não pediu atenção, não exigiu explicações. Ele adorou. Suportando dores, rejeições e o olhar de desprezo, ele se ajoelhou e reconheceu: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me.” Ele não duvidava do poder de Jesus. Ele sabia que Jesus podia. E mesmo sem garantias, confiou.

Quantas vezes nós também chegamos diante do Senhor com a alma doente, com marcas que não conseguimos esconder, com lutas que ninguém conhece. A boa notícia é que Jesus vê. Ele vê a nossa dor, percebe o nosso cansaço e conhece o que os outros não enxergam. E Ele não se afasta. Ele se aproxima.

A resposta de Jesus é linda: Ele estende a mão e toca aquele homem. Algo que, segundo a Lei, era proibido. Mas Jesus não se submete à lógica do preconceito ou da exclusão. Ele quebra barreiras, toca o intocável, acolhe o rejeitado. E o verbo usado por Lucas para "tocar" tem um sentido mais profundo: algo próximo de “abraçar”, de chamar para si. Jesus não apenas curou. Ele acolheu. Ele disse: “Quero. Fique limpo.”

Naquele instante, a lepra desapareceu. Não foi um processo lento, nem uma recuperação por etapas. Foi imediato. A Palavra de Jesus tem esse poder. Ela transforma, limpa, restaura. E o que ninguém pôde fazer — nem a medicina, nem a religião, nem a família — Jesus fez.

Depois da cura, Jesus pede que o homem vá ao sacerdote. Isso mostra que a transformação que Cristo realiza é verdadeira e deve ser testemunhada. O que Jesus faz é real, concreto, verificável. Ele não apenas limpa por dentro, mas muda a vida por completo.

E, logo depois, Jesus se retira para orar. O Filho de Deus, que acabara de realizar um milagre, se recolhe em comunhão com o Pai. Isso nos ensina algo precioso: nenhuma obra, por mais grandiosa que seja, substitui o tempo de oração. A oração vem antes, durante e depois. É dela que vem o poder. É na comunhão que somos renovados para seguir cumprindo o propósito.

Talvez hoje você esteja como aquele homem. Marcado, ferido, sentindo-se impuro ou esquecido. Talvez a sua causa pareça perdida, como a dele. Mas não desista. Vá até Jesus. Dobre os joelhos. Reconheça quem Ele é. Não imponha condições. Apenas diga: “Senhor, se quiseres…” Porque Ele quer. E Ele pode. A sua história não termina na dor.

Não existe “lata de lixo” no céu. O que a sociedade descarta, o Salvador resgata. O que o mundo rejeita, Jesus acolhe. E a Palavra que cura, transforma e limpa ainda ecoa com poder. Assim como aconteceu com aquele homem, a sua cura pode começar hoje, com um gesto simples: fé, humildade e esperança.

“Jesus não se afasta das nossas feridas — Ele se aproxima. E quando tocamos a esperança com fé, a graça toca de volta com cura.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/ago/25

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