PAI SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

“O justo anda na sua integridade; felizes são os seus filhos depois dele.” Provérbios 20:7 (NAA)

Hoje é comemorado o Dia dos Pais. E quero deixar registrada aqui uma singela homenagem a todos os pais que fazem parte deste grupo. Ser pai é uma das missões mais desafiadoras e sagradas confiadas por Deus. A Bíblia nos oferece diversos exemplos que servem como espelho, inspiração e também alerta. Entre esses exemplos, destacam-se Abraão, Jairo e o pai do filho pródigo — homens que, em meio às suas limitações, revelam traços de uma paternidade segundo o coração de Deus.

Abraão é conhecido como o pai da fé. Tornou-se pai na velhice, numa época em que a paternidade tinha um valor profundo. Era por meio do pai que a bênção patriarcal era transmitida, garantindo a continuidade da família, da identidade e da aliança. Mesmo quando tudo parecia humanamente impossível, ele creu. Sua fé não era passiva — era viva, prática e obediente. Ele não compreendia tudo, mas confiava.

Abraão foi paciente, foi homem de oração, submisso e líder ao mesmo tempo. Esperou com sua esposa, orou com ela, e quando finalmente o filho da promessa chegou, o lar se encheu de alegria. Mas a mesma fé que o fez esperar, também o sustentou na hora da prova. Deus lhe pediu aquilo que mais amava – seu filho Isaque – ele obedeceu, certo de que o Senhor podia ressuscitar o que fosse necessário. Abraão nos ensina que o pai segundo o coração de Deus confia mesmo quando não entende, entrega mesmo quando dói, e crê mesmo quando tudo parece contrário.

Jairo também nos deixa um exemplo marcante. Pai de uma menina à beira da morte, ele não se acomodou diante da dor. Correu até Jesus, deixando de lado o orgulho e a posição que ocupava como líder da sinagoga. Ele reconheceu que só Cristo podia trazer vida onde a morte já se anunciava. Sua fé foi testada quando a cura parecia demorar e a pior notícia chegou. Mas ele não desistiu. Confiou até o fim. E aquela confiança foi recompensada com a cura e a vida restaurada de sua filha.

Jairo nos ensina o valor de um pai intercessor. Um pai que ora, que clama, que não se entrega ao medo. Um pai que ama incondicionalmente e crê mesmo quando tudo parece perdido. Ele é um retrato do pai que se coloca na brecha pelos filhos e nos lembra que a oração de um pai pode abrir caminhos onde antes só havia impossibilidades.

E como não falar do pai da parábola do filho pródigo? Um pai que representa o amor que não desiste. Mesmo tendo sido rejeitado, mesmo sofrendo com a escolha errada do filho, ele permanece de braços abertos, aguardando. Quando finalmente vê o filho ao longe, não espera que ele chegue — ele corre, abraça, beija, e o restaura. Não lança os erros em rosto, não exige explicações. Apenas celebra o reencontro e oferece dignidade a quem já não se sentia mais digno de ser chamado de filho.

Esse pai é símbolo de um amor que acolhe, que perdoa e que crê na restauração. Ele nos inspira a sermos pais que não guardam mágoas, mas que esperam, que oram e que estão prontos a recomeçar com os filhos — não com cobranças, mas com graça.

Poderíamos ainda lembrar de José, pai adotivo de Jesus. Um pai obediente, discreto, firme e presente. Um homem que ouviu a voz de Deus e assumiu a responsabilidade de proteger e cuidar do Filho que não gerou, mas amou como se fosse seu. Um exemplo de que ser pai não é apenas biologia, mas decisão, atitude e presença.

Entre tantos pais que deixaram suas marcas nas Escrituras — Abraão, Jairo, o pai do filho pródigo, José — vemos traços que inspiram, que nos desafiam e que nos chamam à reflexão. Mas acima de todos esses exemplos está o maior de todos os pais: nosso Pai Celestial.

Ele é santo, justo e bom. Um Pai que nos amou antes mesmo de O buscarmos. Que nos adotou em Cristo, que nos corrige com amor, que nos sustenta com graça, que nos espera com paciência. Ele é o modelo supremo de paternidade. E é Ele quem nos capacita a exercer essa missão com humildade, temor e fé.

O pai segundo o coração de Deus não é perfeito, mas é íntegro. Ele caminha com fé, ama com firmeza, perdoa com graça e lidera com o olhar voltado para o céu. E seus filhos são felizes porque veem nele um reflexo do Pai eterno.

Parabéns a todos os pais!

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/ago/25

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