“Tirou-me de um
poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e
me firmou os passos.” Salmo 40:2 (ARA)
A vida é marcada
por momentos em que nos sentimos dentro de uma cova. São situações de
desespero, de injustiça, de pecado ou até de perseguição. A Bíblia nos mostra
que muitos servos de Deus passaram por experiências semelhantes, e cada uma
delas carrega lições profundas para nós.
Lembremos primeiro
da cova em que José foi lançado por seus irmãos (Gênesis 37:23-24). Movidos
pela inveja, alguns queriam matá-lo. No entanto, um deles interveio e o jogaram
em uma cisterna vazia. Foi duro, foi cruel, mas, paradoxalmente, aquele ato foi
também um livramento de morte. Deus já estava conduzindo a história. Quantas
vezes também passamos por situações em que somos rejeitados, injustiçados, mas
que, na verdade, são parte de um plano maior que não enxergamos no momento.
Talvez uma demissão, uma amizade que se rompe, um projeto que não deu certo.
Aparentemente é uma cova, mas pode ser o início do cumprimento dos sonhos de
Deus.
Depois, temos
Daniel, lançado na cova dos leões (Daniel 6:16-17). Ele não caiu ali por causa
de inveja de irmãos, mas por um decreto injusto. Sua única “culpa” era
ser fiel ao Senhor. Daniel orava três vezes ao dia, como sempre havia feito, e
por isso foi condenado. Mas Deus enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões.
Esse episódio nos ensina que a fidelidade a Deus pode nos colocar em situações
de perigo e até de perseguição, mas nunca estaremos sozinhos. Nos dias de hoje,
talvez não enfrentemos leões de verdade, mas enfrentamos pressões para negar
nossa fé, zombarias, exclusão social e até restrições em lugares públicos. O
mesmo Deus que esteve com Daniel está conosco.
Jeremias também
conheceu a experiência amarga de ser lançado em uma cova (Jeremias 38:6). Foi
jogado em uma cisterna cheia de lama, e ali quase morreu sufocado. O profeta
estava lá não porque havia feito mal, mas porque anunciou a verdade de Deus.
Sua fidelidade incomodou. Quantas vezes também sofremos consequências por nos
posicionarmos com integridade, falando a verdade mesmo quando não é agradável.
A lama de Jeremias nos lembra daqueles momentos em que parece que estamos
afundando, sem saída, presos em depressão, angústia ou injustiça. Mas assim
como Deus levantou homens para tirá-lo dali, o Senhor também levanta pessoas
para nos socorrer.
Esses três exemplos
— José, Daniel e Jeremias — apontam para algo ainda maior: todos nós, sem
exceção, também conhecemos a experiência da cova. A Bíblia ensina que o pecado
nos lançou em um poço de perdição. Davi descreve essa realidade com precisão: “Tirou-me
de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma
rocha e me firmou os passos.” Salmo 40:2 (ARA). Antes de conhecer a
Cristo, assim estávamos nós: afundados, sem esperança e sem forças para sair
por conta própria. Talvez você se lembre de momentos assim — escolhas erradas,
vícios, culpas ou feridas profundas. O pecado abre fossos dos quais tentamos
escapar sozinhos, mas quanto mais nos esforçamos, mais nos afundamos.
Mas há uma cova que
mudou toda a nossa história: o sepulcro vazio de Jesus. Naquele túmulo
escavado na rocha, Ele foi colocado após a crucificação, e uma grande pedra foi
rolada para fechar a entrada. Porém, ao terceiro dia, a morte não pôde detê-lo:
Ele ressuscitou (Mateus 27:59-60, NAA). E ali, diante da pedra removida, o anjo
anunciou: “Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito.”
Mateus 28:6 (NAA).
Essa é a grande
diferença. José saiu da cisterna e foi levado ao Egito; Daniel saiu da cova dos
leões com vida; Jeremias foi resgatado de um poço cheio de lama; mas Jesus
venceu a morte e deixou para sempre vazio aquele túmulo escavado na rocha. E é
justamente por causa dessa cova vazia que hoje temos esperança.
Hoje, eu só estou
livre da minha cova porque há outra que está vazia. O túmulo vazio de Cristo me
garante que nenhuma prisão do pecado, nenhuma lama da vergonha, nenhum decreto
humano ou injustiça final têm a última palavra. Quando olho para o sepulcro vazio,
posso declarar com confiança: “Jesus me tirou de um poço de lama e
perdição e firmou os meus passos nEle, que é a minha Rocha.”
Nos dias de hoje,
enfrentamos muitas “covas” simbólicas: a depressão que paralisa, a crise
familiar que parece não ter saída, a doença que rouba as forças, a perseguição
silenciosa no trabalho ou na escola. Mas se Cristo venceu a maior de todas as
covas — a morte — podemos confiar que Ele também nos dará vitória sobre todas
as outras. A mensagem da ressurreição é clara: não estamos condenados à lama, à
escuridão ou ao desespero do fundo de uma cova. Existe uma saída, e essa saída
tem nome: Jesus.
Pode até haver
muitas covas no caminho do servo, mas há uma que está vazia e mudou tudo: a de
Cristo. É por causa dela que nenhuma outra cova pode nos aprisionar.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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