LIBERDADE
RELIGIOSA: UMA ESCOLHA DIANTE DE DEUS
“Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria
mente.” Romanos 14:5 (NAA)
Nesta semana, vimos na imprensa o caso de alunos de uma
universidade no sul do país que foram impedidos de realizar um culto no campus.
Esse episódio é apenas um exemplo de como o debate sobre a liberdade religiosa
ainda está presente em nossa sociedade.
Nos últimos tempos, esse debate tem se intensificado,
especialmente por causa do estado laico em que vivemos no Brasil. Muitos,
porém, interpretam esse conceito de maneira equivocada. Alguns pensam que
estado laico significa ausência de fé; outros acreditam que o governo deve
controlar ou limitar as expressões religiosas, chegando a supor que não se pode
anunciar o evangelho em um ambiente de trabalho ou em uma universidade.
Mas a verdade é justamente o contrário: a laicidade existe
para garantir que cada cidadão tenha o direito de escolher em que crer — ou
mesmo de não crer — sem sofrer qualquer tipo de coerção externa. Esse princípio
está em plena harmonia com a Bíblia, que sempre defendeu a liberdade de
consciência como parte da dignidade que Deus concedeu ao ser humano.
A Palavra de Deus ensina que a fé deve ser fruto de uma
decisão pessoal, e não de imposição. Ao declarar que cada um deve estar
plenamente convicto em sua própria mente, ou ainda, que cada um tenha a sua
própria opinião bem definida em sua mente, (Romanos 14:5) Paulo deixa claro que
ninguém pode ser forçado a adotar práticas ou crenças que contrariem sua
consciência. A verdadeira fé nasce de um coração livre, que responde ao chamado
de Deus com amor e entrega. Sempre que a religião se transforma em pressão ou
obrigação, ela perde sua essência e se reduz a um ritual vazio, sem vida nem
significado diante do Senhor. É por isso que a Palavra declara: “... Não
por força nem por poder, mas pelo meu Espírito...” Zacarias 4:6 (NAA)
Ao mesmo tempo, o cristão é chamado a respeitar as
autoridades civis e as leis estabelecidas. Paulo escreveu: “Todos devem
sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha
de Deus.” Romanos 13:1-2 (NAA). Esse princípio mostra que a obediência
civil é parte da vida cristã e que a ordem social deve ser preservada.
No entanto, esse respeito não é absoluto. Quando as ordens
humanas se chocam com a fidelidade a Deus, a Bíblia nos ensina a escolher pelo
Senhor. Os apóstolos foram claros: “Antes, é preciso obedecer a Deus do
que aos homens.” Atos 5:29 (NAA). Foi essa mesma postura que Daniel e
seus amigos assumiram na Babilônia. Eles respeitavam o rei Nabucodonosor, mas
se recusaram a adorar a estátua imposta pelo decreto real, preferindo enfrentar
a fornalha ardente a negar sua fé (Daniel 3:16-18). Daniel, da mesma forma,
continuou orando a Deus mesmo quando a lei do império proibia, sendo lançado na
cova dos leões por sua fidelidade (Daniel 6:10). Esses exemplos nos lembram que
o Estado tem poder legítimo, mas nunca soberano sobre a consciência religiosa. A
última palavra sempre pertence a Deus.
Desde os primeiros dias, os cristãos exerceram sua fé
reunindo-se livremente para adorar e ensinar (Atos 2:46-47). O próprio Jesus
confirmou esse direito ao ordenar: “Portanto, vão e façam discípulos de
todas as nações...” Mateus 28:19 (NAA) O direito de culto e de
proclamação da fé não é apenas uma questão social, mas um mandamento divino.
Mesmo com perseguições ao longo da história, homens e mulheres de fé nunca
abriram mão desse direito. No Brasil, ainda desfrutamos dessa liberdade, mas
basta olhar para países onde igrejas são proibidas ou crentes são presos para
entendermos a preciosidade dessa dádiva.
Outro princípio fundamental da fé cristã é a igualdade.
Paulo escreveu: “Nisto não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem
incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.”
Colossenses 3:11 (NAA). O Evangelho derruba barreiras culturais, sociais e
étnicas, colocando todos no mesmo nível diante de Deus. Essa verdade combate
toda forma de discriminação, inclusive a religiosa. Infelizmente, ainda vemos
igrejas que desrespeitam outras denominações e preferem erguer muros de hostilidade
em vez de construir pontes de diálogo. Isso não é bíblico. O chamado de
Cristo é viver em amor, sem abrir mão da verdade, mas sempre com respeito às
diferenças.
A liberdade religiosa também inclui o direito de não ser
coagido. A fé não pode ser imposta. Jesus sempre convidava, mas nunca obrigava.
Ele disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a
sua cruz e siga-me.” Marcos 8:34 (NAA). O detalhe das Suas palavras — “se
alguém quiser” — mostra que o discipulado é uma escolha livre e
consciente. Nos dias de hoje, isso é um lembrete importante. Ninguém deve ser
forçado a participar de cultos, a seguir tradições religiosas ou a adotar um
discurso apenas para agradar a outros. A fé que agrada a Deus é aquela que
nasce da convicção pessoal, nasce no coração.
Esse tema é extremamente atual. Basta observar as discussões
sobre ensino religioso nas escolas, a relação entre fé e política, o diálogo
entre ciência e fé ou ainda os debates sobre símbolos religiosos em espaços
públicos. De um lado, há quem queira silenciar toda e qualquer manifestação
cristã, como se a fé fosse restrita apenas ao âmbito privado. De outro, há quem
tente impor sua crença como regra para todos, esquecendo que cada pessoa é
responsável diante de Deus por suas próprias escolhas. O caminho seguro está no
ensino bíblico: liberdade de consciência, respeito ao próximo e fidelidade
inegociável ao Senhor.
A liberdade religiosa é um presente que precisa ser
preservado. Ela nos dá a chance de viver e anunciar o Evangelho com alegria,
sem medo, mas também nos chama à responsabilidade de respeitar quem pensa
diferente. Como cristãos, somos chamados a proclamar a verdade em amor, a não
abrir mão da obediência a Deus e a defender a dignidade de toda pessoa, pois
todos foram criados à imagem e semelhança do Senhor.
A verdadeira fé não nasce da imposição, mas da liberdade;
não floresce no medo, mas no amor; e não se curva diante da coerção, mas diante
de Deus, que é Senhor da consciência e Rei da eternidade.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
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