A PORTA DA COMUNHÃO

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” Apocalipse 3:20 (NAA)

No texto de ontem, vimos que Jesus bate à porta e deseja entrar. E há um motivo claro para isso: Ele quer ter comunhão conosco. Não se trata de uma visita breve, nem de um gesto simbólico. Cristo deseja presença contínua, partilha de vida, relacionamento íntimo. Ele quer cear conosco e nós com Ele — como lemos em Apocalipse 3:20.

Hoje, vamos olhar com mais atenção para essa comunhão. O que ela significa? Como ela se manifesta? E o que ela transforma em nós? Veremos que comunhão com Cristo não é apenas um conceito bonito — é um chamado à experiência viva com o Senhor. É sobre caminhar com Ele todos os dias, ouvir Sua voz, responder com obediência e viver em profunda unidade com Aquele que nos amou primeiro.

Esse versículo sempre falou profundamente ao meu coração. Jesus está à porta e bate. Sabemos que Ele tem todas as chaves — Ele abre e ninguém fecha, fecha e ninguém abre. No entanto, nesse caso específico, Ele não usa a chave. Ele bate. Não força a entrada, não arromba, não impõe Sua presença. Ele espera ser convidado.

E o que acontece quando a porta é aberta? Ele entra. Mas não entra apressado, nem indiferente. Ele se senta conosco à mesa e ceia. Esse gesto vai além de um simples ato de visita. É um convite à intimidade, à comunhão profunda. Mas afinal, o que isso realmente significa? Que tipo de comunhão Ele está nos oferecendo?

No grego, a palavra para comunhão é koinonia (κοινωνία), e ela carrega um significado que vai muito além da simples ideia de estar junto. Refere-se a uma participação ativa, parceria, companheirismo, partilha — um envolvimento profundo. Comunhão, nesse sentido, não é apenas dividir um espaço, mas compartilhar a vida. É ter algo em comum, é permitir que o outro entre no nosso mundo e nos deixar entrar no dele. É viver em Cristo.

Quando Jesus diz que quer cear conosco, Ele está usando uma imagem que, para os povos daquela época — e para muitos ainda hoje — simboliza o momento mais íntimo da convivência familiar e fraterna. Sentar-se à mesa, comer junto, conversar, rir, ouvir, abrir o coração. Não é um ato frio ou religioso. É um gesto de amor, aproximação e entrega. A Ceia simboliza isso: a comunhão de Cristo conosco e de nós com Ele.

Essa comunhão é a base da vida cristã. Em Atos 2:42, vemos que os primeiros cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. A fé deles não era individualista. Eles viviam juntos, oravam juntos, dividiam suas alegrias e também seus sofrimentos. E isso nos ensina que não existe cristianismo sem comunhão — sem partilha, sem cuidado mútuo, sem presença real na vida do outro.

No mundo atual, em que tantas relações são superficiais e digitais, e o corre-corre do dia a dia nos afasta uns dos outros, essa palavra se torna ainda mais urgente. Jesus está à porta de muitos corações que, embora cercados de gente, vivem profundamente sozinhos. Ele não quer ser apenas um símbolo religioso pendurado no peito ou na parede. Ele quer entrar, sentar-se à mesa, ouvir, falar, consolar e transformar. Ele deseja ser um amigo presente — não um Salvador distante.

Mas essa comunhão não acontece de qualquer maneira. O apóstolo João nos alerta que ela está ligada à maneira como vivemos. Ele diz:  “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 João 1:7 (NAA)

Ou seja, a verdadeira comunhão acontece na luz — na sinceridade, na verdade, na transparência. Não dá para manter comunhão vivendo na sombra, escondendo feridas, pecados ou máscaras. Jesus não ceia com fachadas. Ele entra onde há espaço para a verdade, onde há disposição para caminhar com Ele na luz, mesmo que isso nos confronte ou nos leve a mudanças.

Essa luz também precisa brilhar em nossos relacionamentos. A comunhão entre os irmãos só se mantém quando há perdão, humildade, reconciliação e serviço. Vivemos dias em que muitos preferem se isolar ao menor sinal de conflito. Mas koinonia exige esforço, compromisso e renúncia. É por isso que ela é tão valiosa.

Cristo não quer apenas um encontro ocasional conosco. Ele deseja habitar. Ele quer fazer da nossa casa — do nosso coração — um lugar onde Ele é bem-vindo todos os dias. Não só aos domingos, não só nas orações rápidas, mas na rotina inteira da vida. Ele quer participar das nossas decisões, das nossas dores, das nossas alegrias, dos nossos silêncios.

Jesus não bate à porta para fazer uma visita — Ele bate para fazer morada.
Ele não é um andarilho que busca apenas um pernoite. Ele deseja habitar por completo. A comunhão que Ele nos oferece vai além da presença — é partilha de vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/ago/25

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