“Eis que
estou à porta e bato...” Apocalipse 3:20 ( NAA)
Jesus não bateu.
Ele bate. Observe bem, o verbo está no presente — e isso não é por acaso.
Indica uma ação contínua, viva, insistente. Ele está batendo agora. Não se
cansou, não desistiu, não foi embora. O amor de Cristo é perseverante. Ele
continua à porta, esperando que alguém ouça Sua voz e abra o coração.
Vivemos dias em que
os sons do mundo são ensurdecedores. Há um excesso de ruídos: notificações no
celular, dezenas de mensagens nos grupos do zap para responder, coisas urgentes
a se fazer, pressões diárias, tarefas que se juntam umas às outras. Tudo isso
pode abafar a voz suave de Cristo, que não grita, não arromba, não invade. Ele
bate com mansidão, com graça, com paciência. E por isso muitos não percebem.
Para ouvir, é preciso silenciar por dentro. Ouvir exige pausa, atenção e
sensibilidade.
Mas essa batida não
é apenas insistente — ela é constante. Porque a nossa necessidade d’Ele também
é constante. Precisamos de Jesus todos os dias, em todos os momentos. Não
apenas em tempos de crise, nem apenas no culto de domingo, mas em cada decisão,
cada passo, cada silêncio, cada lágrima. Ter comunhão com Ele não é um luxo
— é uma questão de vida. É a própria sobrevivência espiritual.
Cristo bate porque
quer entrar — não para fazer uma visita rápida. Ele não deseja apenas um quarto
de hóspedes na nossa casa. Ele quer o centro. Quer sentar-se à mesa, dividir a
vida conosco, curar nossas feridas e renovar nossas esperanças. Ele quer ser o
Senhor do lar, e não alguém que aparece de vez em quando só para nos consolar.
A comunhão com Ele não é passageira. É algo profundo, duradouro e que
transforma tudo.
Ouvir a voz do
Senhor é essencial. Se não ouvirmos, como saberemos que Ele deseja entrar? A
Palavra afirma que o Senhor tem se revelado continuamente à Sua igreja. E
aqueles que O ouvem, O deixam entrar — e assim desfrutam das bênçãos dessa
comunhão. Mas é importante lembrar que essa percepção não vem por meio dos
sentidos naturais. Não se trata de olhos humanos nem de ouvidos físicos. É pela
revelação de Cristo ao nosso coração. É Ele quem Se dá a conhecer aos que têm
fome e sede por Sua presença. “Buscar-me-eis e me achareis quando me
buscardes de todo o coração.” Jeremias 29:13 (NAA)
Um exemplo claro
disso é a noite da saída do povo de Israel do Egito. Aqueles que ouviram a voz
de Deus e obedeceram tinham o cordeiro dentro de casa. E, naquele momento de
perigo, experimentaram três bênçãos fundamentais: foram protegidos pelo sangue,
alimentados pela carne e aquecidos pelo fogo. Eles foram guardados pela
comunhão na obediência. Tinham em sua casa tudo o que precisavam, porque tinham
escutado a voz do Senhor e preparado lugar para Ele.
Outro exemplo
tocante é o dos discípulos no caminho de Emaús. Estavam afastados, confusos,
desanimados. Mas Jesus Se aproximou. Andou com eles. Falou com eles. E, quando
foi convidado, entrou. E foi ali, na intimidade da casa, à mesa, que os olhos
deles se abriram e O reconheceram como o Salvador. E o resultado foi imediato:
voltaram para Jerusalém, voltaram para os irmãos, voltaram para a comunhão.
Esses dois
episódios — o do Egito e o de Emaús — nos mostram que a verdadeira comunhão com
Cristo transforma, preserva e restaura. E ela começa quando ouvimos Sua voz e
abrimos a porta. Não há outro caminho. Ele continua batendo. E quem abre,
experimenta vida, direção, cura e paz.
Se hoje você ouvir
a batida, abra. Não adie, não hesite. Cristo continua à porta. O verbo está no
presente, mas a oportunidade é agora. E essa porta só abre por dentro. Ele não
força. Ele espera. Espera por um gesto simples, mas decisivo: um coração disponível.
A batida é
contínua porque a nossa necessidade é diária. Jesus não quer apenas entrar —
Ele quer permanecer. Não como hóspede, mas como Senhor. Basta abrir.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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