CARTEIRA
REGISTRADA NO RH CELESTIAL
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará
no Reino dos céus...” Mateus 7:21 (NAA)
Essa palavra de Jesus é um alerta direto. Ele nos mostra que
não basta ter aparência de religiosidade ou simplesmente frequentar uma igreja.
O que realmente importa é viver em obediência, fazendo a vontade de Deus. E, ao
falar sobre isso, não me refiro a uma rotina de cultos, mas a uma vida inteira
marcada pela submissão à Sua vontade.
Em quase toda igreja, é possível identificar três tipos de
pessoas. Os primeiros são os que fazem as coisas acontecerem. Gente que
serve com alegria, que ora, se prepara, se envolve. Pessoas que não buscam
visibilidade, mas vivem com fidelidade. Onde elas estão, a obra anda, a igreja
cresce e o nome de Deus é glorificado.
O segundo grupo é formado por aqueles que apenas assistem
as coisas acontecerem. Gostam do ambiente da igreja, se sentem bem ali, mas
não se envolvem de fato. São pessoas cordiais, simpáticas e atentas, mas
raramente colocam a mão no arado. Não participam dos projetos, evitam reuniões
e não assumem responsabilidades. Estão presentes, sim — mas sem compromisso com
a missão.
Por fim, há os que nem percebem o que está acontecendo.
Estão na igreja, mas não estão em Cristo. Estão nos cultos, mas não discernem o
agir de Deus. Vivem alheios ao propósito, distraídos, achando que tudo está bem
só por estarem ali.
Em toda igreja, sem exceção, há esses três grupos de pessoas
— na minha, na sua, e em qualquer outra comunidade. Essa é uma realidade que
todos nós, como líderes e irmãos na fé, precisamos reconhecer com sabedoria e
graça.
Essa realidade precisa nos fazer refletir. A fé verdadeira
sempre produz frutos. A salvação não vem pelas obras, mas quem é salvo não vive
de braços cruzados. Quem é discípulo de Jesus anda com Ele, obedece, serve.
Afinal, a igreja é o corpo de Cristo — e no corpo ninguém é inútil. Jesus
disse: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.”
Mateus 9:37 (NAA)
Jesus viu as multidões e sentiu compaixão. O problema não
era a falta de trabalho, mas a falta de trabalhadores. E essa realidade
continua. Muitos se alegram ao serem chamados de filhos, amados do Senhor, mas
poucos se dispõem a servir. Quando o chamado é para o trabalho, o entusiasmo
diminui.
Falar sobre serviço, renúncia e obediência costuma tocar uma
parte sensível do coração. Muitos querem desfrutar das bênçãos do Reino, mas
sem se comprometer com Ele. Preferem os benefícios à entrega, a segurança à
missão. No entanto, o próprio Jesus, sendo o Filho de Deus, não veio para ser
servido, mas para servir — e nos chama a segui-Lo nesse caminho.
Ele mesmo disse: “Roguem, pois, ao Senhor da seara que
envie trabalhadores para a sua seara” Mateus 9:38 (NAA). O Reino
precisa de trabalhadores. E o Senhor não está à procura de pessoas perfeitas ou
totalmente preparadas. Ele está à procura de corações dispostos. O preparo? Ele
mesmo realiza em nós, com paciência e poder. O que Ele busca são corações
abertos, mãos prontas e pés disponíveis. Gente que diga: “Eis-me aqui,
Senhor”, mesmo que ainda se sinta fraca. Porque a força, a capacitação
e a direção vêm dEle. Sempre.
E não vale usar o passado como desculpa. Há quem diga: “Já
fiz muito. Agora deixo para os mais novos.” Mas a Bíblia mostra outra
perspectiva. Moisés foi chamado aos 80 anos — e morreu aos 120, ainda em plena
atividade. “Seus olhos não tinham enfraquecido, e ele ainda tinha todo o
seu vigor.” Deuteronômio 34:7 (NAA)
Enquanto houver vida, há propósito. Se Deus nos mantém aqui,
ainda há algo a ser feito: consolar alguém, discipular uma vida, ensinar a
Palavra, orar por alguém, participar ativamente de um grupo da igreja. O
trabalho muda, mas o chamado permanece.
Outro desafio são os que se ofendem com facilidade. Vivem
cheios de “mimimi espiritual”. Uma palavra mais dura, uma crítica ou
correção, e logo se afastam do serviço. Mas esquecem que o nosso verdadeiro
patrão é Deus. “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o
Senhor, e não para os homens.” Colossenses 3:23 (NAA)
Quem serve no Reino precisa ter casca firme e coração
quebrantado. Não podemos abandonar a obra por vaidade ou feridas. Deus vê tudo.
E é para Ele que fazemos.
É comum também enfrentarmos críticas e desvalorização. Às
vezes, o que fazemos com zelo passa despercebido. E isso pode desanimar. Mas
não podemos deixar que isso nos pare. Neemias foi zombado, Paulo foi
perseguido, e Jesus foi rejeitado. Ainda assim, todos seguiram firmes.
Quando vier a crítica, continue. Quando faltar
reconhecimento, persevere. Quando parecer que ninguém vê, lembre-se: Deus está
vendo. “Portanto, meus amados irmãos, sejam firmes, inabaláveis e sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é
inútil.” 1 Coríntios 15:58 (NAA)
Deus é justo. Ele não esquece. “Deus não é injusto;
ele não se esquece do trabalho que vocês fizeram, nem do amor que mostraram por
ele.” Hebreus 6:10 (NAA)
Continue servindo com alegria. Entregue sua “carteira” no RH
celestial. O salário vem do alto — na verdade, já fomos até pagos com o sangue
de Cristo — e a recompensa é eterna.
“Deus não
procura os que apenas frequentam o templo, mas os que O servem com o coração.
No Reino, não há aposentadoria — há propósito até o último suspiro. Sirva com
alegria, pois Ele vê, recompensa e jamais esquece daqueles que Lhe são fiéis.”
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
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