A MAIOR DE TODAS
AS GRANDES COISAS: A CRUZ DE CRISTO
“Com efeito, grandes coisas o Senhor fez por nós; por
isso, estamos alegres.” Salmo 126:3 (NAA)
O Salmo 126 foi escrito em um dos momentos mais marcantes da
história de Israel: o retorno do povo do exílio babilônico, por volta do ano
538 a.C. Depois de décadas longe de sua terra, vivendo como estrangeiros e
escravizados, eles puderam finalmente voltar para Jerusalém. A alegria foi tão
intensa que o salmista descreve como se estivessem sonhando. Imagine alguém que
passou anos preso e de repente é colocado em liberdade. Ou uma família que
perdeu tudo e um dia recebe de volta sua casa. Esse é o tipo de emoção que o
povo sentiu ao ver o cuidado de Deus em ação.
Mas o salmo não é apenas uma lembrança do passado. Ele
também traz um pedido: que Deus complete a restauração, transformando lágrimas
em alegria e sofrimento em esperança. E essa oração atravessou os séculos,
chegando até nós. Hoje, quando lemos o Salmo 126, somos lembrados de que Deus
continua sendo o restaurador da sorte. Ele ainda reverte cenários impossíveis e
continua escrevendo histórias de transformação.
Quando o salmista fala em “grandes coisas”, não está
pensando apenas em algo numericamente grande, mas em atos extraordinários,
feitos que ultrapassam a capacidade humana. A palavra usada no hebraico aponta
para maravilhas, para coisas impressionantes e até assustadoras de tão
grandiosas. É como se o salmista dissesse: “O Senhor fez coisas tão
extraordinárias que só podem ser atribuídas a Ele.” Por isso, podemos traduzir
o sentimento assim: “Coisas maravilhosas, impressionantes e cheias de poder fez
o Senhor por nós.”
A Bíblia inteira é marcada por essas grandes coisas. Basta
lembrarmos de alguns episódios: o mar Vermelho se abriu diante de Moisés e do
povo que fugia do Egito (Êxodo 14:21-22). As muralhas de Jericó caíram com o
simples som de trombetas e gritos de fé (Josué 6:20). O fogo caiu do céu em
resposta à oração do profeta Elias, provando diante de todos que o Senhor é
Deus (1 Reis 18:38). Jonas sobreviveu três dias no ventre de um grande peixe e
depois saiu para pregar em Nínive (Jonas 2:10). Davi, um simples pastor, venceu
o gigante Golias com uma funda e uma pedra (1 Samuel 17:50). Sansão derrotou um
exército inteiro com apenas uma queixada de jumento (Juízes 15:15-16). Um único
anjo matou 185 mil soldados inimigos numa noite (2 Reis 19:35). Esses são
apenas alguns exemplos de como o poder de Deus se manifestou de maneira
extraordinária.
Mas as grandes coisas de Deus não ficaram no passado. Cada
um de nós carrega experiências pessoais que revelam o cuidado d’Ele. Talvez
você se lembre de uma porta de emprego que se abriu quando parecia não haver
saída, de uma cura que os médicos não podiam explicar, de um livramento em um
acidente, de uma conta paga quando não havia dinheiro. Talvez tenha sido um
abraço, uma palavra ou até uma paz que encheu o coração num momento de
desespero. São marcas do agir de Deus em nossa história. Grandes coisas que Ele
fez, e por isso estamos alegres.
No entanto, entre todas as grandes coisas realizadas por
Deus, há uma que se destaca acima de todas. Não é o mar que se abriu, nem as
muralhas que caíram, nem os milagres de provisão. A maior de todas as obras de
Deus é a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo resume isso
em Romanos 5:8 (NAA): “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco
pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Nada
se compara a essa grande coisa: o Filho de Deus entregando a vida em nosso
lugar, para nos dar perdão, reconciliação e vida eterna.
Se olharmos bem, todas as outras grandes coisas da Bíblia e
da nossa vida apontam para essa maior de todas. O mar que abriu mostra que Deus
é capaz de abrir o caminho até a cruz. As muralhas que caíram lembram que nada
pode separar o pecador do amor de Cristo. A vitória de Davi sobre Golias aponta
para a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Cada milagre é um sinal que
encontra seu cumprimento na salvação que recebemos pela fé em Jesus.
Hoje, quando lemos o Salmo 126, podemos olhar para trás e
agradecer pelas grandes coisas que o Senhor já fez, tanto na história quanto em
nossa vida. Também podemos olhar para o presente e confiar que Ele continua
agindo, mesmo quando não vemos. E, acima de tudo, podemos olhar para a cruz e a
ressurreição e descansar na maior de todas as obras divinas.
O Senhor que abriu mares, derrubou muralhas e levantou os
caídos continua o mesmo. Ele ainda restaura, ainda transforma lágrimas em
alegria e ainda faz grandes coisas. Por isso, mesmo em meio às lutas, podemos
nos alegrar.
“Entre todas as
grandes coisas que o Senhor fez, nenhuma é maior do que a cruz e a ressurreição
de Jesus, onde encontramos a prova do Seu amor e a certeza da nossa esperança.”
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
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