A PRESENÇA QUE NUNCA FALHA


“O Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.” Êxodo 13:21-22 (NAA)

O texto de Êxodo nos apresenta uma das passagens mais belas e marcantes sobre a presença contínua de Deus. O povo de Israel tinha acabado de ser liberto da escravidão do Egito após quatrocentos anos de opressão. Moisés, guiado pelo Senhor, liderava aquela multidão que agora atravessava o deserto rumo à terra prometida. Era um tempo de grandes desafios, de incertezas, de medos e de esperança. E foi nesse cenário que Deus se revelou de maneira tão clara: de dia, numa coluna de nuvem que os guiava; de noite, numa coluna de fogo que os iluminava.

Esse detalhe simples carrega um significado profundo. O texto diz que o Senhor ia adiante deles. Isso mostra dependência e direção. O povo não caminhava por conta própria, não decidia seu rumo pela própria sabedoria. Quem guiava o caminho era o próprio Senhor, que conhece todas as veredas e sabe aonde conduzir os seus. Essa é uma grande lição também para nós. Quantas vezes tentamos escolher nossos próprios caminhos, confiando apenas em nossa inteligência ou experiência, e acabamos nos perdendo? O Senhor não apenas conhece o caminho: Ele é o caminho. Por isso, segui-Lo é sempre o passo mais seguro.

Outro detalhe é a constância da presença de Deus. O texto reforça que a coluna nunca se apartou do povo. Dia e noite, a presença do Senhor estava diante deles. Isso nos lembra o Salmo 121:4 (NAA): “Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda Israel.” O Deus que caminhava com o povo no deserto é o mesmo que hoje caminha conosco. Ele não se ausenta, não tira folga, não deixa de estar ao nosso lado.

A forma da manifestação também é significativa. O Senhor escolheu uma coluna, feita para sustentar, firme e vertical, ligando a terra ao céu. Era como se Deus lembrasse ao povo: “Estou sustentando vocês, e o céu está comprometido com a caminhada de vocês.” No hebraico, a palavra usada para “coluna” traz justamente a ideia de permanecer firme, resistir, tomar posição e estabelecer. Isso mostra que a coluna de nuvem e de fogo não era apenas um sinal visível, mas a manifestação da presença ativa de Deus: Ele permanecia constante, servia com cuidado, resistia contra os inimigos e estabelecia direção. Assim, cada vez que Israel olhava para ela, lembrava-se de que o céu caminhava junto com eles.

A coluna de nuvem, durante o dia, tinha ainda uma função prática: trazia sombra no calor escaldante do deserto, aliviando a caminhada. Já a coluna de fogo, durante a noite, iluminava o caminho, aquecia contra o frio e espantava animais perigosos. Em ambos os casos, Deus estava cuidando de necessidades reais e concretas do povo. Isso mostra que a presença do Senhor não é apenas espiritual, mas também prática. Ele se importa com as nossas dores, com as nossas necessidades, com o que enfrentamos no dia a dia.

E havia ainda outra lição: o texto diz que a presença de Deus os fazia caminhar “de dia e de noite”. Isso nos lembra de que, nesta terra, não existe descanso definitivo. Estamos de passagem por este mundo, que é muitas vezes como um deserto cheio de dificuldades, lutas e lágrimas. O descanso completo e verdadeiro só virá na eternidade, quando estivermos na presença de Deus para sempre. Por isso, precisamos estar preparados. Assim como o deserto foi a escola de preparação para o povo entrar na terra prometida, a nossa vida aqui é um tempo de preparação para a pátria celestial.

Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite. Essa repetição reforça a verdade central: Deus não abandona os seus. Ainda que as circunstâncias mudem, ainda que o sol escalde ou a noite seja fria e escura, a presença de Deus permanece. Essa é a nossa segurança. Quando olhamos para a nossa própria caminhada, percebemos quantas vezes fomos sustentados pela mão invisível de Deus. Em momentos de dor, Ele foi nosso consolo. Em dias de escuridão, Ele foi nossa luz. Quando estávamos perdidos, Ele foi nosso guia.

Nos dias de hoje, a presença do Senhor continua conosco. Ela pode não se manifestar numa coluna visível de nuvem ou de fogo, mas se revela de maneira ainda mais profunda através de Jesus Cristo e da habitação do Espírito Santo. Ele é a luz que nunca se apaga, a sombra que nos protege, o guia que nunca nos deixa sozinhos. Se abrirmos nossos olhos de fé, veremos que em cada detalhe do caminho Ele tem estado ao nosso lado.

Pense, por exemplo, numa mãe que enfrenta o desafio de criar os filhos sozinha e, mesmo em suas limitações, encontra forças novas a cada manhã para seguir. Ou num jovem que passa pela solidão da universidade em outra cidade, mas sente paz inexplicável em meio à distância da família. Ou ainda num trabalhador que atravessa um momento de desemprego, mas percebe portas se abrindo inesperadamente. Essas situações reais mostram que Deus continua sendo a nuvem que protege e o fogo que ilumina.

Assim como no deserto, a presença de Deus hoje nos prepara para o futuro. O povo de Israel precisou ser moldado para entrar na terra prometida. Nós também estamos sendo moldados para a vida eterna. Cada dificuldade, cada passo, cada noite escura é um lembrete de que o Senhor não se aparta de nós.

“A presença de Deus nunca nos abandona: ela nos guia no caminho, nos sustenta no deserto e nos prepara para a eternidade.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/set/25

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