AOS PASTORES, MESTRES E MESTRAS DO ENSINO DA PALAVRA DE
DEUS
“Ai de mim se
não pregar o evangelho.” 1 Coríntios
9:16 (NAA)
O mundo continua
fazendo à igreja e, em especial, aos pastores, aos mestres e às mestras a mesma
exigência que Tomé fez a Jesus: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos
cravos... de modo nenhum acreditarei.” João 20:25 (NAA). O recado é
claro: somente aquele que foi crucificado com Cristo e com Ele morreu pode
pregar com autoridade. Não se trata de mostrar conhecimento humano ou frases
bonitas, mas de transmitir vida verdadeira, marcada pela cruz.
Muitos têm se
encolhido diante da missão de anunciar o evangelho porque acham que para pregar
precisam falar com perfeição, ter um vocabulário refinado ou uma retórica
impecável. Mas a ordem de Jesus foi simples e direta: “Ide por todo o
mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16:15 (NAA) A autoridade da pregação
não está na eloquência do pregador, mas no poder da mensagem que aponta para
Jesus.
Somos apenas
instrumentos. O pregador não é o dono da mensagem, mas o arauto que transmite a
palavra do Rei. Toda inspiração vem do Espírito Santo. É Ele quem coloca graça
nas palavras, quem toca corações e convence do pecado, da justiça e do juízo
(João 16:8). Um sermão sem a unção do Espírito é apenas discurso, é barulho sem
efeito. Pode até ser bonito, mas não transforma.
Pregar o evangelho
é uma obra excelente e sagrada. É anunciar a salvação que há em Cristo Jesus, o
poder do sangue derramado na cruz, a vitória que nasceu de um lugar de vergonha
e dor. Essa obra não pode ser feita de qualquer maneira, mas por homens e mulheres
que se colocam inteiramente nas mãos do Senhor, dependentes da Sua direção,
sensíveis à Sua voz e obedientes à Sua vontade. É desse tipo de pregação que o
mundo precisa — não de palavras enfeitadas, mas de mensagens que carregam vida,
esperança e transformação.
Para isso, é
indispensável conhecer a Palavra de Deus. Ninguém cresce espiritualmente por
acaso. A Bíblia não entra em nós por osmose. É preciso ler, estudar e meditar,
dedicar tempo e esforço. Mais do que ler superficialmente, é necessário “morar”
em um texto, refletir sobre ele, orar sobre ele e deixar que ele molde nossa
vida. Um pregador que se aprofunda na Palavra encontra alimento não só para si,
mas para oferecer ao povo de Deus.
Uma palavra lançada
do púlpito precisa ter forma e conteúdo. Se não tiver, será como algodão-doce:
impressiona pela aparência, mas se desfaz na boca e não alimenta ninguém. Pode
até atrair por um momento, mas não sustenta a fé, não fortalece a caminhada.
Hoje vemos muitos discursos motivacionais que soam bem aos ouvidos, mas não têm
poder de transformar vidas, porque não estão firmados na cruz.
Nos nossos dias, é
fácil encontrar exemplos disso. Há quem busque mensagens que apenas massageiem
o ego, trazendo promessas de sucesso e prosperidade, sem falar de
arrependimento, santidade ou cruz. Há quem prefira pregadores que encantam pela
oratória, mas não pela vida. Entretanto, uma igreja só permanece firme quando
se alimenta da verdade da Palavra. É como Jesus disse: “Nem só de pão
viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” Mateus 4:4 (NAA)
Por outro lado,
quando um pastor, um irmão ou irmã simples, talvez sem formação acadêmica, mas
cheio da presença de Deus, abre a Bíblia e fala do amor de Cristo com
sinceridade, a mensagem atravessa corações. Ela gera fé, cura feridas, levanta
os cansados e dá esperança aos desesperados. É porque não são as palavras
humanas que têm poder, mas o evangelho de Cristo, que é “o poder de Deus
para a salvação de todo aquele que crê.” Romanos 1:16 (NAA)
Pregadores,
pregadoras, mestres e mestras da igreja precisam lembrar que não basta falar
sobre Deus, é preciso viver com Deus. Não basta conhecer o texto bíblico, é
necessário que a vida esteja alinhada com ele. Quem prega e vive o que prega
tem autoridade, porque sua vida é um testemunho vivo do evangelho. Como disse
Paulo: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” Gálatas 2:20 (NAA). É desse tipo de
autoridade que o mundo precisa ver em nós.
O desafio continua
atual. O mundo observa aqueles que são usados em nossas igrejas e pergunta,
repetindo o questionamento de Tomé: “Será que há marcas de Cristo neles?
Será que a vida deles confirma a mensagem que pregam?” A resposta não está
em títulos, diplomas ou técnicas de comunicação, mas em uma vida
verdadeiramente moldada pela cruz.
Que cada pregador,
cada professor, cada professora, cada discípulo de Cristo abrace esse chamado
com seriedade. Que estudemos a Palavra, vivamos o evangelho e deixemos o
Espírito Santo nos usar. Que nossas mensagens não sejam algodão-doce, mas pão
vivo do céu. Que o mundo, ao olhar para nós, encontre marcas da cruz e palavras
de vida. Porque, no fim, só há uma mensagem que transforma: Jesus Cristo, e
este crucificado (1 Coríntios 2:2).
A autoridade de
quem prega não está em sua eloquência, mas em viver o evangelho que anuncia,
apontando sempre para Cristo com vida, palavra e dependência do Espírito Santo.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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