GRAÇA E PAZ, AMADOS IRMÃOS

 “Graça e paz a vocês da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.” Efésios 1:2 (NAA)

Muitas pessoas já me perguntaram por que finalizo meus textos dizendo: “Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.” Alguns questionam: por que não usar apenas “A Paz do Senhor Jesus”, como costuma ser a saudação na sua igreja? Quero explicar o motivo e mostrar a riqueza da saudação – graça e paz.

Antes de mais nada, é importante esclarecer que essa frase não nasceu em minha mente nem em meu coração. Ela vem de Paulo, ao escrever à igreja em Éfeso, registrada em Efésios 1:2. Mas há razões mais profundas para usá-la. O resultado da morte de Jesus é graça e paz. A graça é o favor gratuito e imerecido de Deus, que nos alcança mesmo sem merecermos. A paz é a reconciliação com Ele e com os outros, fruto dessa graça.

Paulo fica surpreso, em Gálatas, ao ver que alguns crentes se afastaram tão facilmente de Deus, apesar de terem sido chamados “na graça de Cristo.”  “Mas quando agradou a Deus, que me separou desde o ventre materno e me chamou pela sua graça.      Gálatas 1:15 (NAA). Isso nos lembra que o chamado de Deus é sempre pela graça, e que o evangelho que proclamamos é o evangelho da graça, como Paulo ensinou, e não algo diferente do que ele pregava.

Outro motivo para usar “graça e paz” é mostrar que o evangelho é universal. Ele alcança judeus e gentios. A graça se dirige especialmente aos gentios, que não tinham direito às promessas, mas foram enxertados na oliveira verdadeira, que representa o povo de Deus originalmente judeu (Romanos 11:17-24). Por meio de Cristo, os gentios tornam-se participantes das promessas, recebem a mesma herança e se unem aos judeus como um só povo, sob a mesma graça e paz.

A paz, por sua vez, lembra os judeus do cumprimento “shalom”, que significa saúde, prosperidade, reconciliação e bem-estar completo. Assim, graça e paz unem judeus e gentios sob a mesma bandeira, mostrando que Deus quer todos reconciliados, independentemente de origem ou história.

Na prática, isso se aplica hoje quando vemos pessoas de diferentes culturas e origens trabalhando juntas, perdoando, ajudando os outros e vivendo em harmonia — pequenas manifestações do evangelho em ação.

Segundo Hernandes, a graça é a causa da salvação, enquanto a paz é o resultado. Ele diz: “a graça é a raiz, e a paz é o fruto”. Essas bênçãos não vêm do homem ou da igreja, mas somente de Deus. William Hendriksen, citado por Hernandes, lembra que a paz é o afluir das bênçãos espirituais de Deus, trazendo segurança e alegria ao coração dos que creem.

Spurgeon, por sua vez, reforça que a graça é o favor imerecido e soberano de Deus, enquanto a paz é o fruto da reconciliação com Ele, proporcionando tranquilidade e segurança. Para ele, graça e paz estão profundamente ligadas: a graça gera a salvação, e a paz é a experiência dessa reconciliação. Por isso Paulo podia dizer: “Graça e paz a vós da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo”.

John Stott também destaca que essa saudação de Paulo não é apenas formal, mas uma introdução teológica profunda. A graça revela a iniciativa gratuita de Deus em nos salvar, enquanto a paz evidencia a reconciliação com Ele e com os outros. Ambas vêm do Pai e do Filho e são manifestadas pelo Espírito Santo, resumindo de forma perfeita a essência do evangelho: a salvação pela graça e uma vida reconciliada com Deus e com o próximo.

Portanto, ao encerrar meus textos com essas palavras – graça e paz – não estou apenas sendo diferente, inovando ou cumprimentando os leitores, mas lembrando a todos do amor de Deus, que reconcilia e abençoa sem distinção, alcançando pessoas de todas as culturas, idades e histórias.

Em nossos dias, podemos ver isso quando vizinhos se ajudam em crises, pessoas perdoam feridas antigas, comunidades se unem para apoiar os necessitados ou quando famílias encontram reconciliação depois de conflitos. Esses gestos simples refletem a mesma graça e paz que Deus nos oferece.

Que este lembrete acompanhe cada leitor: a graça de Deus nos alcança mesmo sem merecermos, e a paz nos permite viver reconciliados com Ele e com os outros. Amém!

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/set/25

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