O EVANGELHO, SEMENTE QUE TRANSFORMA VIDAS
“E
disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16:15 (NAA)
A igreja recebeu
uma ordem clara de Jesus: pregar o evangelho a toda criatura. Mas,
afinal, o que isso significa na prática? Muitas vezes pensamos no evangelho e
na doutrina como se fossem a mesma coisa, mas eles têm funções diferentes e
complementares. Ambos são importantes, e entender essa diferença ajuda a levar
a mensagem de Cristo de forma eficaz.
Podemos imaginar o
evangelho como uma pequena semente. Ela parece simples e até frágil, mas dentro
dela existe o potencial para crescer e se tornar uma árvore forte, cheia de
vida. O evangelho é a mensagem central de salvação: Jesus Cristo viveu entre nós,
morreu na cruz e ressuscitou, trazendo reconciliação com Deus e oferecendo
esperança para todos que creem. É essa essência que transforma vidas, que traz
alegria verdadeira, paz e a certeza de que não estamos sozinhos.
A doutrina, por
outro lado, seria como o solo, a água e a luz que permitem que a semente
cresça. Ela organiza, explica e ensina como viver o evangelho na prática. Por
exemplo, em nossos dias, a doutrina nos ajuda a entender como aplicar o amor de
Cristo no trabalho, no lar, com vizinhos e nas amizades. Ela nos orienta a
tomar decisões que refletem a fé, de forma que o evangelho não fique apenas
como palavras, mas se torne vida. Assim, o evangelho e a doutrina estão
intimamente ligados: um salva, o outro ensina como viver a salvação de forma
concreta.
Dar mais ênfase à
doutrina do que ao evangelho é correr o risco de desviar o foco daquilo que
realmente transforma vidas: a salvação em Cristo. A doutrina é
importante, pois ensina como viver a fé e aplicar o evangelho no dia a dia, mas
ela deve servir à mensagem central da cruz e da ressurreição, e não
substituí-la.
Sem o evangelho no
centro, a fé pode se tornar apenas conhecimento ou regras, sem gerar mudança no
coração. O equilíbrio saudável é manter o evangelho como essência, permitindo
que a doutrina guie e fortaleça a vivência dessa fé.
Pregar o evangelho
é, antes de tudo, proclamar a cruz. Isso significa sempre lembrar da
ressurreição, que confirma a vitória de Cristo sobre a morte. É anunciar que
Jesus veio, viveu entre nós, morreu e ressuscitou para oferecer vida eterna. Em
essência, o evangelho são as boas novas do Cristo crucificado e ressuscitado —
uma mensagem que dá esperança, que cura feridas e transforma corações.
Além de ser uma
mensagem, pregar o evangelho é torná-lo visível. Paulo descreve sua pregação
como se fosse uma tela de pintura ou um cartaz, mostrando publicamente Jesus na
cruz (Efésios 3:3). Uma das maiores habilidades da pregação é transformar
ouvidos em olhos. Isso quer dizer fazer com que as pessoas consigam ver, em sua
mente e coração, aquilo que está sendo proclamado. Não se trata apenas de ouvir
palavras, mas de experienciar a presença e o amor do Cristo crucificado, como
se Ele estivesse diante de nós.
Quando Paulo
escreveu suas cartas, Jesus já havia morrido há cerca de trinta anos. Mesmo
assim, ele conseguia trazer a cruz do passado para o presente, fazendo com que
os leitores sentissem como se estivessem ali, testemunhando o amor e o
sacrifício de Cristo naquele exato momento. Essa é a força da mensagem do
evangelho: ela vence o tempo e continua a falar com cada geração.
A cruz não é apenas
um evento histórico. Ela é uma realidade viva, presente e permanente. O poder e
os benefícios da cruz não têm data de validade; continuam transformando vidas e
oferecendo salvação a todos que creem. Hoje, no mundo moderno, isso significa
que, mesmo diante de tantas distrações, preocupações e desafios diários,
podemos colocar nossa confiança na cruz de Cristo e encontrar força, paz e
direção.
Pregar o evangelho
também significa apresentar a cruz como objeto de fé pessoal. Paulo não apenas
contava a história; ele convidava cada pessoa a confiar em Cristo crucificado,
a entregar a própria vida a Ele e a experimentar a transformação que só Ele oferece.
É algo que podemos viver diariamente: na forma como lidamos com conflitos, como
oferecemos perdão, como ajudamos pessoas ao nosso redor e como seguimos
princípios cristãos no trabalho, na escola ou em casa.
O evangelho é
simples e profundo ao mesmo tempo. Ele nos chama a ver, crer e viver a cruz
aqui e agora. Cada palavra, cada gesto, cada atitude podem ser uma forma de
tornar a cruz presente no dia a dia, mostrando vida, esperança e amor para quem
nos observa. É perceber que a cruz não está apenas no passado, mas diante de
nós, convidando-nos a transformar nossa vida e a impactar a vida de outros.
Em nossos dias,
isso pode significar pequenas ações que refletem a fé: consolar um amigo em
dificuldade, ajudar um vizinho, acolher alguém que está sozinho ou compartilhar
palavras de esperança em uma conversa ou nas redes sociais. São formas de
tornar o evangelho vivo e real, como Paulo fez com seus leitores há mais de
dois mil anos.
O chamado de Jesus
é contínuo e urgente: levar essa mensagem de vida para cada pessoa que
encontramos, transformando o mundo ao nosso redor com amor, fé e ações
concretas. O evangelho salva, e a doutrina nos ensina como viver essa salvação
diariamente. Juntos, eles nos guiam para uma vida cheia de sentido, propósito e
conexão com Deus e com as pessoas ao nosso redor.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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