“Se o meu
povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, buscar a minha face e se
converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei o seu
pecado e sararei a sua terra.” 2Crônicas 7:14 (NAA)
Esse versículo foi
dito por Deus a Salomão logo depois da dedicação do templo. Era um momento de
festa, mas também de responsabilidade. O Senhor lembrava que, mesmo quando
houvesse seca, praga ou peste, sempre existiria um caminho de restauração. E
esse caminho não passava pela força dos reis, pela habilidade dos governantes
ou pelas riquezas do povo, mas pela humildade e pela dependência de Deus.
Quem é esse povo?
No contexto imediato, era Israel, o povo da aliança. Mas, em Cristo, essa
promessa se amplia e chega até nós. Pedro escreveu: “Antes vocês nem eram
povo, mas agora são povo de Deus; não tinham recebido misericórdia, mas agora
receberam misericórdia.” 1Pedro 2:10 (NAA).
Hoje, nós, que
fomos alcançados pela graça, somos chamados povo de Deus. Éramos estrangeiros,
mas agora temos identidade: o novo nascimento em Cristo. Vivemos como ovelhas
em meio aos lobos, mas somos guardados pelo Bom Pastor. Como Jesus disse: “Se
vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, vocês não
são do mundo, pelo contrário, dele eu os escolhi, por isso o mundo os odeia.”
João 15:19(NAA).
Nossa identidade
não está em um documento civil, mas no sangue de Cristo. Somos cidadãos do céu,
enviados por Deus para viver aqui como sal e luz. Mas, ao mesmo tempo, somos um
povo teimoso, de dura cerviz, como disse o profeta: “Porque o meu povo é
inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se para o alto, ninguém
o faz.” Oséias 11:7 (NAA). Reconhecemos que, muitas vezes, seguimos
nossas próprias vontades e não a vontade de Deus.
E esse povo, hoje,
vive numa terra enferma. Basta olhar ao redor: corrupção, violência,
desconfiança entre poderes, famílias divididas. Nosso Brasil é um país lindo,
cheio de riquezas naturais e culturais, mas também um país ferido. Como
cristãos, precisamos amar nossa nação, orar por ela, trabalhar pelo seu bem, e
ao mesmo tempo lembrar que somos peregrinos, chamados para um Reino que não é
daqui.
Diante dessa
realidade, o que devemos fazer? O texto aponta o caminho em quatro passos.
Primeiro: humilhar-se. Humildade é reconhecer que não temos forças em
nós mesmos. Jeremias escreveu: “Coloque a sua boca no pó; talvez ainda
haja esperança.” Lamentações 3:29 (NAA). Deus resiste aos soberbos, mas
dá graça aos humildes. Humilhar-se é dizer: “Senhor, dependemos
totalmente de Ti”.
Segundo: orar.
A oração é um atestado de carência. Quando nos ajoelhamos, reconhecemos: “Senhor,
eu não posso, mas o Senhor pode”. O Espírito Santo é quem produz essa
oração em nós. E é impossível orar de verdade sem humildade. O fariseu orava
para si mesmo, mas o publicano clamou: “Ó Deus, tem misericórdia de mim,
pecador!” Lucas 18:13 (NAA). Essa é a oração que agrada a Deus.
Terceiro: buscar
a face de Deus. Buscar é uma oração mais intensa, é ir além de pedir
bênçãos. É procurar o Abençoador. Isaías disse: “Busquem o Senhor
enquanto se pode achá-lo, invoquem-no enquanto está perto.” Isaías 55:6
(NAA). Buscar a face de Deus é desejar Sua presença mais do que Seus presentes.
Jesus também prometeu: “Porque todo o que pede recebe; o que busca
encontra; e a quem bate a porta será aberta.” Mateus 7:8 (NAA).
Quarto: converter-se
dos maus caminhos. Conversão não é apenas emoção, mas mudança prática. É
voltar-se da nossa vontade para a vontade de Deus. O profeta Oséias clamava: “Volte,
ó Israel, para o Senhor, seu Deus, porque os seus pecados causaram sua queda.”
Oséias 14:1 (NAA). É uma virada radical, um novo rumo.
Quando esses quatro
passos são dados — humildade, oração, busca e conversão —, a promessa se
cumpre. Deus age com três respostas claras: Ele ouve do céu, perdoa os
pecados e sara a terra. O maior milagre não é a terra sarada, mas o perdão
concedido. Porque sem perdão não há cura, não há restauração, não há vida nova.
Esse texto é um
chamado para nós, hoje. Não podemos esperar que a mudança venha apenas da
política ou da economia. A cura de uma nação começa no altar, começa na vida de
oração do povo de Deus. Quando a Igreja se humilha, ora, busca e se converte,
Deus move os céus em favor da terra.
Veja alguns
exemplos práticos: quando uma família decide orar junta antes das refeições,
está se humilhando e reconhecendo sua dependência de Deus. Quando um jovem
decide deixar um vício e buscar ao Senhor em santidade, está se convertendo de
um mau caminho. Quando uma igreja se une em jejum e oração, sem disputas
internas, buscando apenas a face de Deus, está cumprindo o que esse texto
ensina. E o resultado? Deus perdoa, restaura relacionamentos, cura feridas,
renova esperanças.
Por isso, não
devemos apenas repetir esse versículo como um lema nacional. Precisamos vivê-lo
de forma pessoal e prática. Que cada um de nós se coloque na brecha, lembrando
que a cura de uma terra começa no coração de cada crente que se rende diante do
Senhor.
A restauração de
uma nação não começa no palácio nem no parlamento, mas no coração quebrantado
do povo de Deus, que ora, busca, se converte e encontra no Senhor a cura e a
esperança.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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