O PERIGO DE VIVER VESTIDO COM UM LENÇOL
“E todos o
deixaram e fugiram. Um jovem seguia Jesus, envolto apenas em um lençol; e eles
o agarraram. Mas ele largou o lençol e fugiu nu.” Marcos 14:50–51 (NAA)
Na noite em que
Jesus foi traído, Judas o entregou com um beijo e uma multidão armada veio
prendê-lo no Getsêmani. Diante da pressão, todos os discípulos abandonaram o
Mestre e fugiram. Entre a multidão, Marcos registra um detalhe curioso: havia
um jovem que seguia Jesus vestindo apenas um lençol. Quando tentaram agarrá-lo,
ele deixou o lençol e fugiu nu.
Essa cena,
aparentemente estranha, carrega uma lição profunda. O jovem que se cobria apenas
com um lençol representa aqueles que se aproximam de Jesus sem compromisso
real. Seguem de longe, parecem discípulos, mas não têm firmeza. O lençol
simboliza uma cobertura frágil, uma aparência que cai no primeiro momento de
prova. Quando a pressão chega, a superficialidade se revela e a nudez
espiritual aparece. Hoje, muitos vivem da mesma forma.
Entre os jovens de hoje, é comum a prática do "ficar": um relacionamento passageiro, sem compromisso, sem aliança e sem fidelidade. Infelizmente, essa mesma postura tem se refletido também na fé. Há quem
apenas “fique” com Jesus: busca uma experiência momentânea, uma emoção
passageira, mas sem compromisso verdadeiro. O lençol não é roupa, não é
vínculo. Quem se veste apenas de lençol corre o risco de se expor ao ridículo
em público e ao vazio no coração.
Jacó também viveu
de aparências por muito tempo. Quando saiu de casa, com cerca de 77 anos, Deus
lhe apareceu em Betel e disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, seu
pai, e o Deus de Isaque.” Gênesis
28:13 (NAA). Mas não disse: “Eu sou o teu Deus.” Jacó estava perto da
bênção, mas ainda não tinha feito um compromisso pessoal com o Senhor. Era como
o jovem do lençol: seguia de longe, mas sem entrega verdadeira.
O mesmo aconteceu
com as cinco virgens insensatas. Tinham lâmpadas, mas não tinham azeite de
reserva (Mateus 25:3). Pareciam preparadas, mas faltava o essencial. Assim
também ocorre hoje: pessoas com cargos, funções e até ministérios na igreja,
mas sem azeite, vivendo apenas de aparência.
O lençol também
simboliza o pragmatismo espiritual: fazer o que “funciona” em vez do que
é certo. É a lógica da “igreja supermercado”, onde cada um escolhe o que
lhe agrada, sem compromisso com a santidade. Mas com o evangelho é diferente: “Todas
as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm.” 1 Coríntios 6:12 (NAA). O cristianismo não é
fundado em conveniência, mas na verdade de Deus.
Outros exemplos
bíblicos reforçam essa lição. Jonas dizia temer a Deus, mas fugiu da Sua ordem
(Jonas 1:9). Sua doutrina não combinava com sua prática. Pedro, no ímpeto
carnal, cortou a orelha do soldado, mas não teve coragem de confessar a Cristo
diante de uma criada. Ananias e Safira mentiram sobre sua oferta, usando a
filantropia como máscara. E Moisés colocou um véu porque o seu rosto brilhava
com a glória de Deus, mas continuou usando-o mesmo depois que o brilho se
apagou. Paulo comenta: “E não somos como Moisés, que punha um véu sobre o
rosto, para que os filhos de Israel não fixassem os olhos no fim daquilo que
estava se desvanecendo.” 2 Coríntios 3:13 (NAA).
O lençol e a
máscara falam da mesma realidade: aparência sem essência. Muitas vezes
escondemos nossas fraquezas atrás de religiosidade, discursos bonitos ou
posições na igreja. Mas, cedo ou tarde, a verdade aparece. Quem vive apenas de
aparência não permanece, porque lhe falta a unção e a verdadeira força que vêm
do alto.
Por isso, o chamado
é claro: não se vista com o lençol da superficialidade. Não seja apenas um
curioso, um seguidor de momento, um “crente de plantão”. Tire o lençol,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga Jesus de verdade. O discipulado não
é uma experiência passageira, mas uma caminhada diária de comunhão com o
Senhor.
A Bíblia nos mostra
quais vestes devemos usar. Isaías declara: “Eu me alegrarei muito no
Senhor, a minha alma se exultará no meu Deus, porque me vestiu de roupas de
salvação e me cobriu com o manto de justiça.” Isaías 61:10 (NAA). Essa roupa de salvação
simboliza a obra de Cristo em nossa vida. Não é algo que conquistamos, mas um
presente de Deus que cobre nossa culpa e nos reveste da justiça de Cristo.
O mesmo profeta
diz: “Ele nos deu óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em
vez de espírito angustiado.” Isaías
61:3 (NAA). Essa veste de louvor representa a troca que Deus realiza: Ele tira
o peso da tristeza e reveste nosso coração de gratidão e alegria.
E João, em sua
visão, viu uma grande multidão diante do trono, vestida de branco, e ouviu que
essas vestes foram lavadas no sangue do Cordeiro (Apocalipse 7:9,14). Essas
vestes brancas simbolizam a pureza e a vitória que não vêm de nós, mas da obra
de Cristo, que nos purifica e nos dá acesso à presença de Deus.
Portanto, não se
contente com o lençol da aparência. Vista-se da justiça de Cristo, receba a
roupa da salvação, permita que o Senhor o cubra com vestes de louvor e viva em
fidelidade com Ele todos os dias.
Seguir a Jesus de
verdade é trocar o lençol da aparência pelas vestes da salvação, lavadas no
sangue do Cordeiro, e viver não de superficialidade, mas de compromisso
profundo, com mente renovada e coração inflamado pelo Espírito.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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