O SANGUE
QUE TRAZ PERDÃO
“De fato, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com
sangue; e, sem derramamento de sangue, não há perdão.” Hebreus
9:22 (NAA)
Isso não é apenas doutrina, é vida prática. Muitas vezes tentamos
lidar com a culpa através de nossas próprias forças, acumulando boas ações como
se fossem suficientes para compensar nossos erros. Às vezes caímos na armadilha
de achar que, se fizermos tudo certinho, poderemos nos apresentar diante de
Deus como justos. Mas a Palavra é clara: sem derramamento de sangue, não há
perdão. Nada do que fazemos é suficiente; apenas o sangue de Jesus tem poder
para nos limpar.
Pense em como lidamos, no dia a dia, com erros e falhas. Muitas
vezes pedimos desculpas, fazemos reparações e seguimos em frente. Mas diante de
Deus não é assim. O pecado não é só um erro de comportamento, é uma ofensa
contra a santidade de Deus. Por isso, o preço a ser pago é tão alto: vida por
vida. O cordeiro do Antigo Testamento simbolizava isso, mas só Cristo, o
Cordeiro de Deus, pôde oferecer uma vida perfeita em nosso lugar.
Esse princípio aparece claramente em Hebreus 9:22. O texto mostra
que o perdão dos pecados exige derramamento de sangue. No Antigo Testamento, a
lei determinava que os pecados do povo só eram expiados por meio de sacrifícios
de animais. O sangue representava a vida, como está escrito: “Porque a
vida da carne está no sangue. Eu o dei a vocês sobre o altar, para fazer
expiação por vocês; porque é o sangue que faz expiação em virtude da vida.” Levítico 17:11 (NAA). Quando o sangue
era derramado, simbolizava que uma vida estava sendo oferecida no lugar de
outra.
Mas aqueles sacrifícios tinham apenas caráter cerimonial e
temporário. Eles eram sombra e figura do que viria (Hebreus 10:1). A cada ano,
novos sacrifícios precisavam ser feitos porque o sangue dos animais não podia
resolver de forma definitiva o problema do pecado. Era como uma cobertura
provisória, apontando para algo maior e mais completo.
Esse algo maior é o sacrifício de Jesus Cristo. Na cruz, Ele
derramou o Seu próprio sangue, não de maneira repetida, mas de uma vez por
todas. Seu sacrifício foi único, perfeito e eterno. Por isso, Hebreus 9:22 nos
ensina que o perdão não vem de esforço humano, nem de boas obras, mas do preço
pago por Cristo. Ele mesmo se ofereceu em nosso lugar, cumprindo plenamente a
exigência de Deus.
O resumo é claro: no Antigo Testamento, o sangue dos animais
purificava de forma cerimonial e limitada; no Novo Testamento, o sangue de
Cristo purifica de verdade e para sempre. Sem o sacrifício de Jesus não haveria
perdão, mas por causa d’Ele o perdão é completo, perfeito e definitivo. Essa é
a base da nossa fé e da nossa esperança.
Quando Jesus disse: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os
Profetas; não vim abolir, mas cumprir.” Mateus 5:17 (NAA), Ele estava mostrando que
tudo o que a lei apontava encontrava nEle sua realização. O sistema de
sacrifícios, com seus altares e cordeiros, era apenas um anúncio do verdadeiro
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Os sacrifícios de animais eram
sombras; Cristo é a realidade. A lei exigia justiça; Cristo a cumpriu
plenamente. A lei mostrava o pecado; Cristo trouxe o perdão definitivo.
Assim, Hebreus 9:22 e Hebreus 10:1 se encaixam de maneira perfeita
com o ensino de Jesus em Mateus 5:17. Ele não anulou a lei, mas a levou ao seu
propósito final. A exigência de sangue para o perdão foi cumprida em sua
totalidade no Calvário. Por isso, podemos dizer que Ele não veio abolir a lei,
mas consumá-la em Si mesmo.
Essa verdade pode ser resumida nas três fases da salvação, como
costuma lembrar o pastor Hernandes. No passado, já fomos libertos da culpa do
pecado pela justificação em Cristo. No presente, estamos sendo libertos
do poder do pecado pela santificação. E no futuro, seremos libertos da
presença do pecado na glorificação, quando estivermos com o Senhor no
céu. O sangue de Cristo nos salvou da condenação, está nos salvando do domínio
e um dia nos salvará da presença do pecado. Isto é claramente salvação como ato
e como processo.
Hoje, quem confia em Jesus não precisa mais viver debaixo da
culpa. Seu sangue derramado garante perdão e reconciliação. Essa é a segurança
da Nova Aliança: não é uma cobertura temporária, mas uma obra completa,
definitiva e eterna. Podemos ter paz, porque o sangue que foi derramado por nós
ainda fala diante do trono de Deus.
O sangue de Cristo é o cumprimento perfeito da lei e a única base
do perdão. Nele somos libertos da culpa do pecado, estamos sendo libertos do
seu poder e um dia seremos libertos da sua presença.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
01/out/25
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