O VALOR DA VIDA E O PESO DAS PALAVRAS
“Não se
enganem: de Deus não se zomba. Pois aquilo que a pessoa semear, isso também
colherá.” Gálatas 6:7 (NAA)
Há poucas semanas,
o mundo foi surpreendido pela notícia do assassinato do ativista Charlie Kirk.
O crime, em si, já causa profunda consternação pela violência que o marcou. No
entanto, o que mais chamou a atenção foi a reação de alguns que, em vez de lamentarem
a tragédia, usaram as redes sociais para exaltar o atirador.
Essa postura revela
um retrato triste de nossa geração e confirma as palavras de Jesus: “E,
por se multiplicar a maldade, o amor de muitos esfriará.” Mateus 24:12 (NAA)
Diante disso, somos
levados a refletir, à luz da Bíblia, sobre temas essenciais e urgentes: ética,
responsabilidade, perdão e justiça.
Jesus deixou claro
que nossas palavras refletem o que está no coração. “A boca fala do que
está cheio o coração.” Lucas
6:45 (NAA). Quando alguém usa a voz, ou hoje em dia um teclado, para exaltar a
violência, revela mais do que uma opinião momentânea: revela a frieza do
coração diante da vida humana. Isso contrasta diretamente com o maior
mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” Mateus 22:39 (NAA).
E o ensino do Senhor vai além: “Amem os seus inimigos e orem pelos que
perseguem vocês.” Mateus 5:44 (NAA). Portanto, elogiar a morte de
alguém não tem lugar no coração de quem deseja seguir a Cristo.
Na sociedade,
muitos defendem a liberdade de expressão como um direito inegociável. De fato,
todos têm o direito de falar. Mas a Bíblia ensina que esse direito vem
acompanhado de responsabilidade. Não se trata de censura, mas de reconhecer que
palavras têm peso e consequências. Tiago afirma que a língua, apesar de
pequena, é como fogo que pode incendiar uma floresta inteira (Tiago 3:5-6).
Assim também, uma postagem, um comentário ou um discurso pode ferir, dividir,
incentivar ódio e até legitimar comportamentos contrários à vontade de Deus.
A Bíblia é clara:
toda ação gera uma reação. “Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois
aquilo que a pessoa semear, isso também colherá.” Gálatas 6:7 (NAA).
Essa é uma lei espiritual e prática. Quando alguém planta palavras de
violência, colhe rejeição, disciplina e até sanções legais. É o que aconteceu
neste caso, em que autoridades civis e órgãos de classe reagiram diante da
postura pública do médico que elogiou o crime. Isso nos lembra que, além da
responsabilidade diante de Deus, existem consequências sociais e institucionais
para nossos atos.
Por outro lado, a
Bíblia também abre espaço para arrependimento e restauração. “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA). Arrepender-se não é apenas
dizer “me desculpe”, mas mudar de atitude. Foi assim quando Jesus disse à
mulher pega em adultério: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais.”
João 8:11(NAA). O pedido de desculpas do
médico envolvido é um passo necessário, mas precisa ser acompanhado de uma mudança
concreta, de reparação e de aprendizado, para que a vida siga por outro
caminho.
O testemunho
cristão ganha ainda mais importância quando alguém ocupa cargos de destaque ou
liderança. A palavra de Paulo ecoa: “Façam tudo sem murmurações nem
discussões, para que sejam irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus
inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta.” Filipenses 2:14-15 (NAA). Num tempo em que as
redes sociais se tornaram palcos para todo tipo de opinião, os cristãos são
chamados a usar essa ferramenta para edificação, reconciliação e paz, nunca
para exaltar a violência.
A misericórdia
também não pode ser esquecida. Ainda que o erro seja grave, a Bíblia nos
orienta a tratar os que falham com espírito de restauração: “Irmãos, se
alguém for surpreendido em algum pecado, vocês que são espirituais devem
restaurá-lo com espírito de mansidão.” Gálatas
6:1 (NAA). Isso não significa ignorar a gravidade do erro, mas lembrar que
todos somos pecadores e necessitamos da graça. A crítica é necessária, mas deve
ter como alvo a edificação, não a destruição.
A sociedade, por
sua vez, deve agir com justiça, não com vingança. O Senhor declarou: “A
mim pertence a vingança; eu retribuirei.” Romanos 12:19 (NAA). As autoridades têm o
papel de aplicar as leis, mas os cristãos não devem alimentar ódio ou desejo de
linchamento moral. A resposta correta é buscar justiça, corrigir os erros, mas
sempre na perspectiva de promover vida e não de gerar mais morte.
Ao olharmos para
essa situação, aprendemos que a vida humana é sagrada e não pode ser
banalizada, seja por um crime cometido, seja por palavras de apoio à violência.
O respeito pela vida, a responsabilidade no falar e o cuidado com o testemunho
cristão são princípios inegociáveis. E quando falhamos, precisamos lembrar que
o perdão de Deus está disponível, o arrependimento é necessário e a restauração
é possível.
No fim, esse
episódio nos chama a viver de forma coerente com o evangelho: semear amor em
vez de ódio, verdade em vez de mentiras, reconciliação em vez de divisão. O
mundo está cheio de palavras vazias, mas os filhos de Deus são chamados a
semear palavras de vida.
“As palavras que
saem da nossa boca ou das nossas mãos no teclado podem espalhar destruição ou
construir pontes. Quando semeamos vida, graça e verdade, refletimos o caráter
de Cristo e apontamos para o único que pode transformar corações endurecidos em
fontes de amor.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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