VIDA DIFERENTE,
OBRA ÚNICA DE DEUS
“Respondeu Jesus: — Nem ele pecou nem seus pais; mas
foi para que se manifestem nele as obras de Deus.” João 9:3 (NAA)
Alguns irmãos participaram de um seminário de acessibilidade no final da semana que se passou. Como fomos abençoados neste encontro! Quanto aprendizado
recebemos, como crescemos espiritualmente, como nossa fé foi fortalecida e o
nome do nosso Deus glorificado. Também entendemos que grande é a
responsabilidade que temos diante do Senhor. Por isso, convido você a refletir,
de forma breve e resumida, sobre aquilo que Ele nos ensinou.
O versículo que serve de base para nossa meditação está na
narrativa do homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus se
aquela condição era consequência de algum pecado, seja dele ou dos pais. A
resposta de Jesus foi surpreendente: não era castigo, mas uma oportunidade para
que as obras de Deus fossem reveladas por meio da cura.
Essa pergunta dos discípulos mostra como a sociedade, ao
longo da história, costuma enxergar as pessoas com deficiência, muitas vezes
associando sua condição a culpa, erro ou punição. Mas Jesus nos ensina a olhar
de forma diferente. Ele nos mostra que a vida de cada pessoa tem valor diante
de Deus e pode ser um instrumento para manifestar Sua glória. Em nossas
igrejas, ninguém deve ser visto como peso, mas sim como bênção preciosa no meio
do povo de Deus.
Infelizmente, até hoje, muitas famílias enfrentam
julgamentos e preconceitos. O mundo insiste em levantar perguntas dolorosas: “Será
que houve erro na gestação? Foi culpa dos pais?”. Esses questionamentos só
aumentam a dor, trazendo conflitos e sentimentos de culpa. No entanto, a
Palavra de Deus vem desconstruir essas barreiras, trazendo consolo e esperança.
O Evangelho é também para esse tema tão sensível, pois o amor de Cristo alcança
a todos sem distinção.
Especialistas e psicólogos reconhecem que, quando nasce uma
criança com deficiência, a família pode passar por um processo semelhante ao
luto. Isso não significa luto pela criança, que está viva e deve ser celebrada,
mas pelo “filho imaginado” que existia na expectativa dos pais. Durante
a gestação, constrói-se a ideia de um filho ideal. Ao descobrirem a
deficiência, os pais precisam lidar com a frustração dessas expectativas. Esse
processo pode incluir negação, tristeza, revolta ou culpa, até que se alcance a
aceitação e a ressignificação.
É justamente nesse momento que a igreja deve assumir o seu
papel. Enquanto o mundo fala em “inclusão”, nós, como corpo de Cristo,
falamos em “acolhimento”. Acolher é muito mais do que abrir espaço: é
abraçar, acreditar, caminhar junto. O compromisso da igreja é tornar a Palavra
de Deus acessível a todos, sem exceção. Isso exige remover barreiras e garantir
que cada pessoa com deficiência tenha plena oportunidade de conhecer, aprender
e viver as verdades da Bíblia.
Quando falamos de acessibilidade, a palavra “problema”
não deve estar no nosso vocabulário. Para Jesus — e para nós, seus discípulos —
a deficiência não é problema. É uma condição humana, parte da diversidade da
criação. Cada pessoa é única, e as diferenças devem ser vistas como
características individuais, não como limites para o amor e para a comunhão.
Por isso, todos na igreja precisam estar envolvidos nesse
trabalho de acolhimento. Não é uma tarefa apenas de alguns, mas de todos nós,
como corpo de Cristo. Julgamentos, rótulos e piedade exagerada não podem fazer
parte do nosso convívio. A pessoa com deficiência não deve ser vista com pena,
mas com dignidade, como alguém que é bênção em nosso meio.
A Bíblia nos lembra que “Deus não faz acepção de
pessoas” (Atos 10:34-35). Outros textos confirmam essa verdade. Em
Êxodo 4:11, o Senhor declara que é Ele mesmo quem forma cada ser humano. Em
Provérbios 27:23, somos chamados a cuidar com atenção daqueles que estão sob
nossa responsabilidade. Isso mostra que, desde o Antigo Testamento, Deus já nos
ensina sobre a importância do cuidado e do valor da vida de cada pessoa.
Na prática, acessibilidade para a igreja significa caminhar
em amor com as pessoas com deficiência. Elas enfrentam muitos desafios:
preconceitos, estereótipos, discriminação. Mas ter um filho com deficiência não
é o fim — é um desafio, um chamado especial para os pais se tornarem escudos de
amor e proteção.
A deficiência não torna ninguém menor, nem inferior. Apenas
revela que cada pessoa é diferente — e cada diferença é uma oportunidade para
que se manifestem as obras de Deus. Assim como no relato de João 9, a vida de
cada pessoa pode se tornar palco da glória divina.
Temos, sim, um grande trabalho pela frente. É um desafio
para a igreja, mas também uma oportunidade de testemunhar o amor de Cristo de
forma concreta. O acolhimento precisa ser feito em amor, sem barreiras e sem
preconceitos. Que possamos ser uma igreja que não apenas fala de
acessibilidade, mas que a vive na prática.
Então irmãos, mãos à obra.
“Cada pessoa, com ou sem deficiência, é expressão da graça
de Deus; e em cada vida, diferente e única, o Senhor quer manifestar Suas
obras.”
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
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