PALAVRAS E ATITUDES TEMPERADAS
“Vocês são o
sal da terra. Ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?
Para nada mais presta, a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens.” Mateus
5:13 (NAA)
O sal é algo
simples, presente em todas as casas. Mas, sem ele, a comida fica sem graça. Ele
conserva, purifica e dá sabor. Jesus usou esse exemplo para nos ensinar sobre a
vida cristã. O que me chamou atenção não foi apenas a utilidade do sal, mas o
alerta de que ele pode se tornar insípido, sem sabor.
Pensei nisso por
causa de uma experiência recente. Uma palavra escapou da minha boca — uma
daquelas que meus amigos nunca tinham me ouvido dizer. Foi o suficiente para o
Espírito Santo pesar meu coração. Percebi que, naquele momento, eu estava sendo
insípido no falar. Se o sal perde o sabor, para que serve? Da mesma forma, se
nossas palavras deixam de refletir a graça de Cristo, nos tornamos sem impacto,
perdendo a oportunidade de testemunhar com a vida.
Palavras podem ser
bênção ou maldição. Uma vez ditas, não voltam atrás. Podem ferir, criar
confusão e deixar cicatrizes. Isaías nos lembra do poder da Palavra de Deus: “Assim
será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o
que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.” Isaías 55:11 (NAA). A diferença é que as
palavras de Jesus sempre cumprem um propósito eterno: dão vida, consolo,
salvação e juízo. Já as nossas, quando faladas sem cuidado, também não voltam
vazias. Voltam trazendo consequências, muitas vezes dolorosas.
A Bíblia nos ensina
a ser tardios no falar. Isso não significa ficar em silêncio o tempo todo, mas
falar com sabedoria, no tempo certo, de maneira que edifique. Tiago descreve a
língua como “um pequeno membro, mas se gaba de grandes coisas. Vejam como
uma fagulha põe em brasas tão grande floresta!” Tiago 3:5 (NAA). Basta
uma palavra atravessada para destruir uma amizade, abalar uma família ou até
dividir uma igreja.
Por isso,
precisamos pedir a Deus que guarde nossos lábios. O salmista orou: “Coloca,
Senhor, uma sentinela à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.”
Salmos 141:3 (NAA). Não é fácil, mas é possível quando buscamos a sabedoria do
alto. Tiago também nos lembra: “Se, porém, algum de vocês necessita de
sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações; e
ela lhe será concedida.” Tiago 1:5 (NAA).
A ausência de
sabedoria abre espaço para o falar impróprio. Quando deixamos a pressa ou a
raiva comandarem, quase sempre nos arrependemos. Quem nunca falou algo no
impulso e depois quis voltar atrás? Por isso, não basta vigiar a língua apenas
com esforço humano. É preciso buscar diariamente a sabedoria que vem de Deus. É
ela que nos dá discernimento para falar com graça, mansidão e verdade.
Paulo também nos
orienta: “A palavra de vocês seja sempre agradável, temperada com sal,
para saberem como devem responder a cada um.” Colossenses 4:6 (NAA).
Esse é o padrão: palavras que não apenas comunicam ideias, mas transmitem a
presença de Cristo. Quando falamos com graça, nossas conversas se tornam pontes
e não muros, trazem vida em vez de feridas.
Na prática, isso se
aplica em muitos momentos. Quantas vezes uma palavra de encorajamento muda o
dia de alguém? Um simples “estou orando por você” pode restaurar a
esperança de um coração abatido. Da mesma forma, uma crítica ríspida ou um
comentário irônico pode pesar no coração de quem ouve. Nossas palavras carregam
poder — para edificar ou para derrubar.
Vivemos em tempos
de pressa, em que todos querem dar opinião sobre tudo. Redes sociais estão
cheias de debates, julgamentos e respostas rápidas. Mas será que estamos
temperando nossas palavras com sal? Será que estamos falando para edificar ou
apenas para vencer uma discussão? A vida cristã exige que sejamos diferentes.
Jesus nos chamou para ser luz e sal. Isso significa que nossas atitudes e
palavras devem refletir quem Ele é.
Ser sal da terra é
mais do que ter um discurso bonito. É viver de forma que os outros sintam em
nós a diferença que Cristo faz. É quando nossa maneira de falar, agir e reagir
inspira os outros a buscar a mesma fonte. E o alerta de Jesus é claro: não podemos
perder o sabor.
Por isso, peço ao
Senhor que me ajude — e ajude você também — a não ser insípido. Que nossas
palavras sejam cheias de graça, nossas atitudes tragam vida, e que a presença
de Cristo seja percebida em cada gesto. A gratidão, o perdão, a paciência e o
amor precisam estar temperando nossa vida todos os dias.
Se o sal perder o
sabor, ele não serve para nada. Da mesma forma, se a vida do cristão não mostra
diferença, perde sua essência. Que possamos viver como verdadeiros discípulos,
sendo sal em um mundo que precisa de sabor, esperança e verdade.
Na minha juventude, eu costumava cantar uma canção que traduzia, de forma simples e profunda, o verdadeiro sentido da palavra. A canção dizia:
“Palavra não foi feita para dividir ninguém, palavra é a ponte onde o amor vai-e-vem. Palavra não foi feita para dominar, destino da palavra é dialogar. Palavra não foi feita para opressão, destino da palavra é união. Palavra não foi feita para a vaidade, Destino da palavra é eternidade. Palavra não foi feita para cair no chão, Destino da palavra é o coração."
“Ser sal da terra é viver de tal maneira que nossas palavras e atitudes temperem a vida dos outros com graça, fé e esperança em Cristo.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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