QUANDO A FÉ ESTÁ FIRMADA EM CRISTO

“Senhor, aumenta-nos a fé.” Lucas 17:5 (NAA)

A fé é um mistério da vida com Deus. Não pode ser medida nem pesada, porque não é algo visível ou palpável. Mas seus efeitos são reais. Ela sustenta, transforma, dá força e sentido à caminhada. Ao longo da história, muitos servos do Senhor viveram pela fé e experimentaram o poder de Deus em situações que pareciam impossíveis.

Quando falamos de fé, precisamos distinguir a fé humana da fé verdadeira, que é dom de Deus. Existe também a fé simbólica, apenas de aparência. Ela pode se mostrar em palavras bonitas, rituais ou boas intenções, mas não nasce de um coração transformado. Por isso, é vazia, sem obediência nem confiança real em Cristo. O profeta Isaías já havia denunciado esse tipo de fé: “Este povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Isaías 29:13 (NAA).

Em contraste, a fé genuína nasce de um coração transformado pelo Espírito Santo. Ela se mostra em confiança real, em atitudes de amor e em perseverança. Tiago disse: “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tiago 2:17 (NAA). Isso significa que a verdadeira fé não é só falar, mas viver em obediência e entrega ao Senhor.

Outro ponto importante é a diferença entre a fé no conhecido e a fé salvadora. A fé no conhecido se apoia apenas no que já vemos e entendemos. É a fé natural do ser humano. Por exemplo, acreditamos que o sol vai nascer amanhã porque sempre nasceu. Essa fé é útil no dia a dia, mas não pode salvar, pois depende só da experiência e da lógica humana.

Já a fé salvadora é aquela que nos une a Cristo e nos dá a vida eterna. Não é só acreditar que Deus existe, mas confiar que Jesus morreu e ressuscitou por nós. Paulo escreveu: “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus.” Efésios 2:8 (NAA). Só essa fé abre a porta da eternidade.

Então surge a pergunta: que fé agrada a Deus? O autor de Hebreus responde: Sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que quem se aproxima dele creia que ele existe e que recompensa os que o buscam.” Hebreus 11:6 (NAA). A fé que agrada a Deus é aquela que confia em Sua existência e no Seu caráter fiel, mesmo sem ver. É a fé que se entrega nas mãos do Senhor, certa de que Ele recompensa os que O buscam.

E o que acontece quando oramos com fé? A Bíblia mostra que a oração da fé tem poder diante de Deus. Tiago escreveu: A oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará.” Tiago 5:15 (NAA). Isso não quer dizer que Deus sempre responderá do jeito que pedimos, mas que Ele agirá conforme a Sua vontade. Orar com fé não é forçar a mão de Deus, mas abrir espaço para que Ele traga cura, consolo, direção ou transformação.

Para entender melhor a fé, podemos olhar para Hebreus 11. Ali vemos homens e mulheres que viveram pela fé, enfrentando tanto milagres incríveis quanto sofrimentos profundos. A fé não garante uma vida fácil, mas nos dá a certeza de que Deus é fiel em qualquer situação. Por isso, fé é confiança, entrega e convicção.

Alguns estudiosos falam em fé estrutural, que é a confiança básica do dia a dia: acreditar que o alimento nos sustentará, que a cadeira vai aguentar nosso peso ou que a estrada nos levará ao destino. Essa fé é natural, faz parte da vida criada por Deus, mas não salva ninguém.

Já a fé gnóstica, que apareceu nos primeiros séculos, era uma distorção. Ela não se apoiava em Cristo, mas em supostos conhecimentos secretos que prometiam libertação. Paulo combateu esse engano, lembrando aos Colossenses que em Cristo já temos toda a plenitude.

Existe também a fé mística, que busca apenas experiências emocionais ou espirituais fortes, mas sem base na Bíblia. Esse tipo de fé pode enganar, porque se apoia em sentimentos e não na verdade do evangelho. Jesus alertou que muitos fariam sinais e maravilhas em Seu nome, mas sem realmente O conhecer (Mateus 7:22-23). Uma fé sem a Palavra pode impressionar, mas é vazia.

Podemos dizer que existem dois tipos de fé: a que nasce na terra e a que é gerada na eternidade. A fé da terra é natural, limitada ao que os olhos veem e as mãos podem tocar. Já a fé da eternidade vai além do presente, confia nas promessas de Deus e se apoia na esperança da vida eterna. É sobre essa fé que Paulo declarou: “O justo viverá pela fé.” Romanos 1:17 (NAA). Essa fé não morre com o tempo, porque tem sua origem no próprio Senhor.

Em Lucas 17 vemos algo interessante. Depois de Jesus ensinar sobre perdão, os discípulos pediram: Senhor, aumenta-nos a fé.” Lucas 17:5 (NAA). Isso mostra que eles entenderam que não conseguiriam perdoar tantas vezes sem fé. O pedido deles não foi para fazer grandes milagres, mas para viver a difícil tarefa de perdoar continuamente. Assim aprendemos que a fé não é só para mover montanhas, mas também para sustentar a vida prática e os relacionamentos.

Portanto, a fé verdadeira é dom de Deus, mas precisa ser cuidada. Ela cresce quando ouvimos a Palavra: A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” Romanos 10:17 (NAA). É fortalecida pela oração e pela comunhão: “Edifiquem-se, porém, amados, na fé santíssima que vocês têm, orando no Espírito Santo.” Judas 1:20 (NAA). E é provada nas lutas, não para ser destruída, mas para ser purificada: Tenham por motivo de toda alegria o fato de passarem por várias provações, sabendo que a provação da fé que vocês têm produz perseverança.” Tiago 1:2-3 (NAA).

Não é o sofrimento em si que aumenta a fé, mas o quanto aprendemos a depender de Deus em cada situação. A fé se fortalece quando tiramos os olhos de nós mesmos e os colocamos em Cristo, autor e consumador da fé (Hebreus 12:2). Ela é vazia quando fica só nos lábios, mas é verdadeira e salvadora quando brota do coração, se apoia em Cristo e gera vida eterna.

Onde está a tua fé? Eis a grande questão. Quando a fé está firmada em Cristo, ela não depende das circunstâncias e não se perde nas incertezas da vida. É uma fé que nasce da Palavra, se fortalece na oração, é provada nas lutas e se revela no amor e no perdão. Não é uma fé apenas para mover montanhas, mas para sustentar corações, restaurar relacionamentos e nos conduzir com esperança à eternidade.

Que nossa confiança esteja sempre em Jesus, o autor e consumador da fé, pois nEle não encontramos apenas o caminho, mas também a vitória final.

A fé não é medida por tamanho, mas por direção: quando está firmada em Cristo, ela atravessa provações, supera limites humanos e nos conduz da terra à eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/set/25

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