OS CICLOS DA VIDA
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para
todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1 (NAA)
Ter a vida regida por ciclos me parece a forma criativa e
até divertida que Deus usa para torná-la mais dinâmica. De tempos em tempos,
quando tudo parece estar no lugar, a história dá uma guinada inesperada e nos
coloca diante de um recomeço. É como se o Senhor nos lembrasse de que nada aqui
é definitivo, de que não fomos feitos para a estagnação, mas para a constante
transformação.
Comigo isso já aconteceu algumas vezes. Os ciclos da vida
quebram a monotonia e nos desafiam a sair da zona de conforto. Pode ser um novo
trabalho, a mudança para outra cidade, um relacionamento que começa ou termina,
ou até mesmo uma doença e um revés financeiro. Em cada uma dessas situações,
somos empurrados a redescobrir quem realmente somos e a aprender, mais uma vez,
a depender totalmente de Deus. A Palavra nos lembra: “Sabemos que todas
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8:28 (NAA). Nada acontece
sem razão, mesmo quando não conseguimos compreender o processo.
Ao mesmo tempo, os ciclos carregam em si a beleza da
esperança. Quando algo termina, abre-se espaço para algo novo. Quando parece
que não há saída, nasce a possibilidade de recomeçar. É nesse movimento de “mortes”
e “renascimentos” que a fé é lapidada, o caráter amadurece e a visão
sobre a vida se amplia. Como disse Jesus: “Em verdade, em verdade lhes
digo que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, fica ele só; mas,
se morrer, produz muito fruto.” João 12:24 (NAA). A vida em Cristo nos
mostra que todo fim pode se tornar um começo fértil.
No fundo, viver de forma cíclica é aceitar que Deus escreve
nossa história com capítulos variados: alguns cheios de alegria, outros de dor,
mas todos essenciais para o enredo completo. Ele nos convida a enxergar cada
virada como parte de um plano maior, onde nada é por acaso e tudo serve para
nos moldar. Paulo entendeu isso ao afirmar: “Estou certo de que aquele
que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.”
Filipenses 1:6 (NAA).
Uma vida cíclica nos mostra que nada é permanente: assim
como as estações mudam, também passamos por fases de dor e de alegria, de
esforço e de descanso. Esse olhar nos ajuda a viver com mais equilíbrio, porque
entendemos que cada fim traz em si um novo começo. Quando aceitamos os ciclos,
aprendemos a recomeçar, a valorizar as pausas que nos renovam e a não nos
prender nem ao fracasso nem ao sucesso. O maior benefício é viver com
serenidade e esperança, sabendo que a vida sempre se renova e que cada fase, boa
ou ruim, tem o seu propósito. Como escreveu Isaías: “Mas os que esperam
no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se
cansam, caminham e não se fatigam.” Isaías 40:31 (NAA).
Quando o ciclo começa dentro de nós, na forma de pensar, a
mudança é ainda mais profunda. É como se Deus abrisse uma janela na mente e
deixasse entrar uma nova luz, mostrando que nem tudo precisa continuar do mesmo
jeito. Muitas vezes, a vida externa só muda depois que algo primeiro se
transforma dentro de nós. “E não vivam conforme os padrões deste mundo,
mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam
experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2 (NAA).
Esse tipo de ciclo interior nos leva a questionar crenças
antigas, a revisar valores e a abandonar ideias que já não nos servem. Pode ser
o perdão que antes parecia impossível e, de repente, começa a florescer; a
coragem de sonhar de novo depois de tantas decepções; ou simplesmente a decisão
de enxergar as situações não como derrotas, mas como oportunidades de
crescimento.
Quando o ciclo acontece na mente, o mundo ao redor pode até
continuar igual, mas nós já não somos os mesmos. Aquilo que antes nos
aprisionava perde a força, e nasce em nós uma nova disposição de viver. É um
recomeço silencioso, mas poderoso, porque, a partir daí, todas as escolhas e
caminhos começam a refletir essa nova visão.
Em resumo, o ciclo mais transformador não é aquele que muda
as circunstâncias externas, mas o que renova a forma de pensar, porque abre
espaço para enxergar a vida com mais esperança, fé e liberdade.
Hoje, já idoso, sinto isso no profundo da alma. Vejo que o
Senhor sempre esteve me conduzindo de um ciclo a outro, me ensinando a não
temer os fins, mas a enxergar neles o início de algo maior. “Porque estou
certo de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do
presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem
qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo
Jesus, nosso Senhor.” Romanos 8:38-39 (NAA).
A vida é feita de ciclos, e cada um deles nos prepara para o
objetivo final: a eternidade com Cristo. Essa é a esperança que
sustenta, o propósito que nos move e a certeza que dá sentido a todas as
mudanças da jornada.
Cada ciclo da vida é uma forma graciosa de Deus nos
lembrar que nada é definitivo aqui, mas que tudo aponta para a eternidade em
Cristo, onde o recomeço será pleno e sem fim.
Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e
paz.
Pr. Décio Fonseca
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