DIZER NÃO NEM
SEMPRE É FÁCIL
“Daniel resolveu firmemente não se contaminar com as
finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos
oficiais permissão para não se contaminar com essas coisas.” Daniel 1:8
(NAA)
Dizer não nem sempre é fácil. Desde cedo somos confrontados
com essa palavra. O não está entre os primeiros sons que ouvimos dos nossos
pais e também entre as primeiras palavras que aprendemos a pronunciar. Porém, à
medida que crescemos, percebemos que essa pequena palavra carrega um grande
peso. Negar algo ou alguém pode gerar conflitos, afastamentos e até perdas que
parecem difíceis de suportar.
Na infância, o não vem como proteção. É a mãe que não deixa
o filho colocar o dedo na tomada, é o pai que não permite atravessar a rua sem
companhia. O não dos pais muitas vezes frustra, mas também livra de perigos.
Quando adultos, o cenário muda: já não dependemos tanto das proibições dos
outros, e cabe a nós mesmos escolher quando e como usar o não. É aí que começa
a maior dificuldade. Dizer não pode significar abrir mão de oportunidades,
enfrentar críticas, perder amizades ou se colocar contra a maioria.
A vida de Daniel é um exemplo poderoso nesse aspecto. Ainda
jovem, levado cativo para a Babilônia, ele foi colocado diante de uma situação
aparentemente tentadora. Ao ser convidado a se assentar à mesa do rei, poderia
desfrutar das comidas mais refinadas e dos vinhos mais nobres. Quem recusaria
uma oportunidade dessas? Mas Daniel entendeu que por trás daquele banquete
havia algo que feria seus princípios e sua fé. Por isso, tomou uma decisão
firme: dizer não.
Esse “não” não nasceu de uma teimosia infantil, mas de uma
convicção madura. Daniel não estava apenas preocupado com a comida em si, mas
com o que ela representava. Muitas daquelas iguarias provavelmente eram
consagradas a ídolos ou incluíam alimentos proibidos pela lei de Deus.
Aceitá-las seria aceitar se afastar, mesmo que discretamente, da vontade do
Senhor. Assim, o não de Daniel se transformou em um ato de fé e em um marco de
integridade.
Na prática, o não de Daniel o preservou. Ele poderia ter
cedido, pensando que era só comida e que ninguém ficaria sabendo. Mas sabia que
sua fidelidade não dependia da aprovação das pessoas, e sim do olhar atento de
Deus. Quando dizemos sim a tudo, acabamos nos deixando levar pelo fluxo da
maioria. Mas quando temos coragem de dizer não, mesmo que custe, mantemos de pé
aquilo que realmente importa: a fé, a integridade e o propósito que o Senhor
colocou em nossa vida.
Esse exemplo se aplica de forma muito atual. Em nosso dia a
dia, somos constantemente expostos a situações que exigem escolhas. Nem sempre
se trata de comida ou bebida, mas de valores e princípios. Pode ser o convite
para participar de algo desonesto no trabalho, a pressão de um grupo de amigos
para ceder a um comportamento errado, ou até mesmo a tentação de seguir
caminhos que parecem mais rápidos e fáceis, mas que comprometem a fé. O mundo
de hoje continua oferecendo banquetes atraentes, mas que no fundo não
alimentam, apenas corrompem.
Muitos jovens enfrentam isso de forma clara. Há quem seja
pressionado a experimentar drogas ou se envolver em relacionamentos
superficiais apenas para ser aceito em determinado grupo. Outros lidam com a
tentação de crescer profissionalmente abrindo mão de valores éticos, aceitando
atalhos que parecem vantajosos no momento, mas que trazem dor e vergonha no
futuro. Nessas horas, lembrar da atitude de Daniel faz toda a diferença: ele
não esperou a pressão chegar para decidir, mas já havia resolvido em seu coração
que não se contaminaria.
Essa é uma lição valiosa: precisamos ter convicções firmadas
antes da provação. Quem deixa para decidir na hora corre o risco de ser vencido
pela circunstância. Mas quem já determinou em sua mente e em seu coração que
não vai se desviar, encontra forças em Deus para permanecer firme.
É interessante notar que a atitude de Daniel não foi de
rebeldia. Ele não se levantou contra o rei de maneira agressiva, mas pediu
permissão para não se contaminar. Isso mostra que é possível dizer não com
firmeza e, ao mesmo tempo, com respeito. Muitas vezes pensamos que dizer não
exige uma postura dura, quase ofensiva, mas o exemplo de Daniel nos ensina a
importância de unir convicção e sabedoria.
Ao longo de sua vida, Daniel continuou dizendo não em
diferentes situações. Ele disse não à adoração de ídolos, mesmo sob ameaça de
morte. Disse não às tentações de abandonar sua fé, mesmo quando isso poderia
ter lhe trazido privilégios. Seu testemunho atravessou reinos e gerações,
provando que o não dito no momento certo pode ecoar por toda uma vida.
Hoje, mais do que nunca, precisamos dessa coragem. Dizer não
às tentações, às vantagens enganosas, às armadilhas que parecem inocentes, mas
que afastam do propósito de Deus. Cada vez que fazemos isso, reafirmamos nossa
identidade como filhos de Deus e mostramos que preferimos agradar ao Senhor do
que ao mundo.
O segredo de Daniel não foi sua força pessoal, mas a decisão
no coração. Ele sabia a quem pertencia e por isso permaneceu firme. Esse mesmo
Deus que o sustentou continua nos sustentando hoje. Quando escolhemos não nos
contaminar, descobrimos que o Senhor nos dá não apenas livramento, mas também
honra.
No fim, aprendemos que o verdadeiro valor do “não”
não está na recusa em si, mas no que ela preserva: a fé, a santidade e o
propósito que temos em Cristo.
O não de Daniel nos ensina que a verdadeira força não está
em ceder ao que o mundo oferece, mas em preservar, com coragem e convicção, a
fé que nos mantém firmes diante de Deus.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
03/out/25
Amem!
ResponderExcluirAmém meu amado irmão. Deus o abençoe.
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