LOUVOR QUE FLORESCE EM NOSSO CORAÇÃO

“Ele me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos verão isso, temerão e confiarão no Senhor.” Salmo 40:3 (NAA)

Davi é o escritor bíblico que mais nos ensina sobre o louvor. Em seus salmos encontramos a essência do que significa adorar a Deus de forma verdadeira. E faço questão de usar o termo “verdadeiro louvor”, porque infelizmente existem cânticos que não agradam a Deus.

Quem me conhece sabe o quanto amo o louvor. Costumo brincar que, quando nasci e recebi a primeira palmadinha do médico, em vez de chorar, eu cantei. Desde pequeno a música fez parte da minha vida e, até hoje, nos cultos, o momento do louvor é um dos que mais enchem meu coração de alegria. Parece que, desde sempre, o louvor me acompanha e faz parte de quem sou.

Esta semana ouvi uma adaptação curiosa: alguém pegou uma canção dos anos 70 de Michael Jackson e colocou uma letra com base bíblica, que até falava de Jesus. Sei que há irmãos que defendem esse tipo de recurso como algo criativo, especialmente para alcançar jovens ou em ações de evangelismo. No entanto, para mim, esse tipo de prática se enquadra na advertência de Amós: Afastem de mim o barulho dos seus cânticos, porque não ouvirei a melodia das suas liras. Em vez disso, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene.”  Amós 5:23-24 (NAA). São músicas produzidas com uma lógica mais comercial, feitas para agradar e vender, mas que carecem da essência da verdadeira adoração.

A intenção pode até ser boa, mas o problema está em unir uma base secular à adoração que deve ser santa e separada para Deus. Como disse Paulo: “Não se ponham em jugo desigual com os incrédulos. Pois que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão existe entre a luz e as trevas?”  2 Coríntios 6:14 (NAA). Não há como conciliar luz e trevas, e quem foi chamado para andar na luz não deve se misturar com práticas que contradizem a vontade de Deus.

Louvar é muito mais do que cantar. C. S. Lewis disse que “louvar é o crente se encantar com a beleza do caráter de Deus”. Esse deve ser o centro da nossa adoração: contemplar quem Deus é. O salmista declara: Tu, porém, és santo, entronizado entre os louvores de Israel.”  Salmo 22:3 (NAA). Isso significa que, quando o povo de Deus louva com sinceridade, oferecendo um louvor verdadeiro, o próprio Senhor se manifesta no meio do seu povo.

O verdadeiro louvor nasce da experiência pessoal com Deus. No Salmo 40:3, Davi testemunha que, depois de ter sido tirado de um momento de aflição, o Senhor lhe deu um novo cântico. Esse louvor não era apenas uma melodia, mas uma resposta de gratidão. E mais: esse novo cântico se tornou um testemunho. O texto diz: “Muitos verão isso, temerão e confiarão no Senhor”. Isso nos mostra que o louvor verdadeiro não só honra a Deus, mas também inspira outras pessoas a se aproximarem d’Ele. Quando cantamos com o coração, nossa adoração pode impactar vidas, despertando nelas a fé e a esperança.

Esse “novo cântico” não é apenas uma música inédita, mas algo que tem sua origem na eternidade. O Senhor colocou nos lábios do salmista um cântico que não era humano, mas celestial. É novo porque vem diretamente de Deus e expressa algo que o homem, por si só, não poderia produzir. Esse cântico nasce no céu, passa pelo nosso coração e retorna para Deus como oferta de adoração. O propósito do louvor é único: adorar ao Senhor. E o resultado é imediato: testemunho e transformação.

Por isso, o verdadeiro louvor deve impactar e transformar vidas. Ele não é mero entretenimento nem simples emoção. O louvor é a Palavra de Deus cantada, colocada em forma de música que ensina, corrige e fortalece. É oração em melodia que se eleva ao céu. O nosso louvor precisa ser como um perfume agradável diante do Senhor, suave e sincero.

Jesus afirmou que o Pai procura verdadeiros adoradores. E quem é esse adorador? É aquele que encontra motivos para louvar mesmo quando os olhos não enxergam saída e o coração já não sente forças. O verdadeiro adorador não depende das circunstâncias, mas se rende à fidelidade e à grandeza de Deus. Seu cântico nasce não das emoções passageiras, mas da ação do Espírito Santo, que coloca nos lábios um louvor sincero e cheio de vida. “... Por outro lado, ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser pelo Espírito Santo.”  1 Coríntios 12:3b (NAA). A verdadeira confissão e exaltação de Jesus só acontecem pela ação do Espírito Santo. Ou seja, todo louvor sincero e verdadeiro é fruto da obra do Espírito em nós.

Alguém já disse, com muita propriedade, que “a adoração e o louvor são as asas velozes que Deus nos deu para que nossas almas voem até o céu”. É uma imagem muito bonita, pois nos lembra que, ao louvarmos, somos elevados espiritualmente. O coração se desprende do peso da vida e encontra descanso seguro na presença de Deus.

Que cada um de nós aprenda com Davi a entoar esse novo cântico, o verdadeiro louvor. Que possamos viver experiências com Deus que despertem em nós uma adoração sincera, formada por palavras e músicas que vêm da eternidade, brotam em nosso coração e retornam à eternidade como um testemunho vivo, capaz de levar muitos a temer e confiar no Senhor.

O verdadeiro louvor nasce da eternidade, floresce em nosso coração como resposta à graça de Deus e retorna ao céu como testemunho vivo que inspira outros a confiar no Senhor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/out/25

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