QUANDO O SILÊNCIO
FALA MAIS ALTO
“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio
no céu cerca de meia hora.” Apocalipse 8:1 (NAA)
O silêncio descrito no Apocalipse é impressionante. João nos
mostra que, diante da abertura do sétimo selo, todo o céu parou. Houve um
momento solene, de expectativa, como se toda a criação, os anjos e os seres
celestiais aguardassem, em reverência, a manifestação do plano de Deus. O
silêncio ali não era vazio, mas cheio de sentido, um silêncio que falava mais
alto do que qualquer palavra.
Meia hora de silêncio… Parece pouco tempo, mas no céu esse
intervalo foi marcante. Aqui na terra, muitas vezes não conseguimos ficar
sequer alguns minutos em silêncio. Estamos cercados de ruídos, informações e
falas constantes. O silêncio, para nós, chega a ser incômodo. Sempre queremos
preencher o espaço com palavras, músicas, notificações e conversas. Mas o texto
bíblico nos convida a refletir: se até o céu se calou em expectativa diante da
ação de Deus, quanto mais nós precisamos aprender a calar para ouvi-Lo.
Um exemplo precioso é Maria, a mãe de Jesus. Lucas registra
que ela guardava e meditava em silêncio as coisas que via e ouvia sobre seu
filho: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no
coração.” Lucas 2:19 (NAA).
Maria não correu a falar de tudo o que acontecia, mas aprendeu a silenciar e
guardar no coração o que Deus estava fazendo. Esse silêncio de Maria não foi
passividade, mas uma atitude de reverência e confiança. Ela entendeu que havia
coisas que só o tempo revelaria, e por isso aprendeu a esperar.
Há momentos na vida em que o silêncio é mais eloquente do
que qualquer discurso. O silêncio pode ser reverência, pode ser espera, pode
ser confiança. Ele pode expressar fé de maneira mais profunda do que muitas
palavras. Quantas vezes dizemos coisas no impulso e depois nos arrependemos? O
silêncio, nesses casos, teria sido mais sábio. A Bíblia nos lembra disso em
diferentes textos.
“Na multidão de palavras não falta transgressão, mas
quem controla a língua é prudente.” Provérbios 10:19 (NAA). Este versículo mostra
que falar demais abre espaço para erros, mas quem sabe calar demonstra
sabedoria. Também lemos em Eclesiastes 3:7 (NAA): “tempo de rasgar e
tempo de costurar; tempo de estar calado e tempo de falar.” Há um tempo
certo para tudo, inclusive para o silêncio. E Tiago reforça o mesmo princípio: “Portanto,
meus amados irmãos, todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e
tardio para se irar.” Tiago
1:19 (NAA)
Esses versículos nos lembram que saber calar é parte
essencial da vida cristã. O silêncio pode nos proteger de erros, pode nos dar
tempo para refletir e, principalmente, pode abrir espaço para ouvir a voz de
Deus. Muitas vezes estamos tão cheios de palavras, argumentos e barulho que não
conseguimos perceber a direção que o Senhor quer nos dar.
Pense em situações comuns do dia a dia. Às vezes, no calor
de uma discussão, queremos ter a última palavra, queremos falar mais alto. Mas
se optarmos pelo silêncio, podemos evitar uma ferida que demoraria anos para
cicatrizar. Em outros momentos, diante de uma decisão importante, preferimos
conversar com todos ao nosso redor antes de parar para orar em silêncio diante
de Deus. E é justamente nesse silêncio, em oração, que encontramos clareza e
paz. O silêncio pode salvar relacionamentos, pode evitar tropeços e pode nos
aproximar ainda mais do Senhor.
O silêncio do céu em Apocalipse 8:1 nos ensina que calar
diante da presença de Deus é reconhecer sua soberania. É admitir que Ele fala
mais alto do que nossas opiniões, que Sua vontade é mais importante do que
nossos argumentos, e que sua Palavra tem mais poder do que nossas muitas falas.
Quando o céu se calou, não foi porque faltavam palavras, mas porque era hora de
ouvir o que Deus tinha a dizer.
Esse mesmo princípio vale para nós hoje. Há situações em que
o melhor que podemos fazer é parar, silenciar e esperar a ação de Deus. Nem
sempre temos respostas imediatas, nem sempre conseguimos entender tudo. Mas no
silêncio aprendemos a descansar, a confiar e a permitir que Ele conduza os
acontecimentos.
O silêncio, quando vivido diante de Deus, não é ausência de
som, mas expressão de reverência, confiança e fé. É como se disséssemos: “Senhor,
eu me calo porque sei que o Senhor tem algo a me ensinar.” O silêncio pode
ser uma oração que não precisa de palavras, pode ser uma entrega que não
depende de discursos. Às vezes, falar menos é a forma mais profunda de ouvir
mais a voz do Senhor.
O silêncio diante de Deus não é vazio, mas plenitude — é
o lugar onde reconhecemos sua soberania, aprendemos a confiar em sua vontade e
descobrimos que ouvir pode ser mais poderoso do que falar.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
05/out/25
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