A ALEGRIA DE AJUDAR

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Atos 20:35 (NAA)

A discussão sobre fé e obras sempre aparece entre nós. Alguns acham que as obras são mais importantes; outros colocam a fé acima de tudo. Mas, na verdade, a própria Bíblia mostra que não existe competição entre elas — fé e obras caminham juntas, cada uma no seu lugar.

Desde o início da igreja, o cuidado pelos necessitados era algo levado muito a sério. Em Atos, quando os apóstolos perceberam que viúvas e órfãos estavam sofrendo, eles reuniram o povo e escolheram homens especiais para cuidar dessa missão. Eles entenderam que amar a Deus também significa cuidar de quem precisa.

Paulo, no versículo que usamos como base, fala sobre isso com força e urgência. Ele diz que ajudar os necessitados é necessário — quase como se dissesse: “Não deixem isso para depois”. E para reforçar, ele lembra uma frase de Jesus: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Essas palavras de Jesus não aparecem nos Evangelhos, mas foram guardadas com carinho pela igreja primitiva. Isso mostra que nem tudo o que Cristo disse está escrito, mas suas palavras ecoavam forte entre os primeiros cristãos.

Tiago também nos ajuda a entender esse assunto quando afirma: “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tiago 2:17 (NAA). Ele repete essa ideia no versículo 26. Mas isso não quer dizer que somos salvos pelas obras. A própria Bíblia afirma: “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé… não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8–9 (NAA). Paulo fala sobre a fé que salva; Tiago fala sobre a fé que se prova viva através das atitudes. Não há contradição — há complemento.

Quando voltamos ao texto de Atos 20:35, percebemos por que Paulo tinha tanta autoridade para falar disso. Ele não apenas pregava; ele vivia o que ensinava. Trabalhou com as próprias mãos para não ser peso para ninguém. Sua vida era seu sermão. Ele mostrava que ajudar não é apenas uma ideia bonita — é prática diária.

Quando Paulo fala em “auxiliar os enfermos”, ele não está falando apenas de quem tem doenças físicas. “Enfermos” inclui os fracos, os pobres, os cansados, os que lutam sozinhos, os que passam fome, os que carregam fardos que parecem maiores que eles. Hoje, seriam aqueles que não conseguem pagar um exame, o irmão que perdeu o emprego, a mãe que vive sozinha com seu filho, sem amparo do marido e que precisa de apoio, o idoso que vive esquecido, o adolescente que luta contra a ansiedade. Nós, como igreja fiel de Cristo, somos chamados para ser abrigo para todos eles.

E por que dar é tão especial? Porque, quando damos, nos parecemos mais com Deus. Foi Ele quem primeiro deu: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito.” João 3:16 (NAA). Dar quebra nosso egoísmo, abre espaço para compaixão, cria pontes, trata feridas, espalha vida.

E dar não significa apenas doar dinheiro. Paulo nos mostra que dar é oferecer tempo, presença, cuidado, gentileza, paciência, carinho e até as habilidades que temos. Hoje, dar pode ser: cozinhar para alguém que não tem forças; visitar um hospital; ligar para quem está em depressão; entregar um par de sapatos a quem precisa; ajudar um idoso a atravessar a rua; ouvir alguém que só precisa desabafar. É um estilo de vida.

Paulo nos ensina a trabalhar não apenas para acumular bens, mas para abençoar. Ele nos lembra que nosso serviço cristão não é para aparecer, mas porque Cristo serviu primeiro. Nossa vida deve ser um sermão vivo — e às vezes o único “Evangelho” que alguém vai ler é aquilo que fazemos quando ninguém está olhando.

E, no fim, descobrimos uma verdade simples e profunda: quem dá se enche de alegria. Não é emoção barata, é felicidade que nasce da generosidade. É como se, ao ajudar alguém, algo dentro de nós também fosse curado.

Dar é uma bênção. Dar é cura. Dar é imitar Jesus.

“A fé verdadeira floresce quando se transforma em cuidado — porque quem se oferece ao próximo descobre que o coração de Deus bate mais forte na mão que ajuda do que na mão que recebe.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/nov/25

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