A IGREJA QUE NÃO SE CALA

“Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.” Atos 4:20 (NAA)

A primeira igreja, a dos tempos de Pedro, João e Paulo, nos deixou lições valiosas que continuam vivas até hoje. Eles nos ensinaram o poder de compartilhar a Palavra de Deus e também as experiências pessoais com Ele. A fé que eles viviam não era apenas teoria, mas prática diária. Tudo o que faziam era impulsionado pela presença de Jesus e pelo desejo de anunciar a verdade que transformou suas vidas.

Nos dias daquela igreja primitiva, o crescimento acontecia naturalmente, porque o coração de cada cristão ardia de amor por Cristo e pelo próximo. Eles falavam com coragem, mesmo quando isso significava enfrentar perseguição. O foco não estava em buscar milagres e manifestações extraordinárias, mas em viver e anunciar a Palavra. Os sinais e maravilhas aconteciam como consequência da fé, não como objetivo. A prioridade sempre foi Jesus, Sua mensagem e o testemunho do que viram e experimentaram ao caminhar com Ele.

Em Atos 4:1-21, Pedro e João foram presos depois de curarem um homem que não podia andar e de pregarem sobre a ressurreição de Jesus. Levados diante do Sinédrio, o conselho religioso mais importante da época, foram interrogados sobre o milagre. Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu com firmeza que tudo fora feito em nome de Jesus Cristo, aquele que havia sido crucificado e ressuscitado. Ele declarou que “em nenhum outro há salvação” e que só Jesus pode reconciliar o ser humano com Deus. Mesmo ameaçados e proibidos de falar sobre Jesus, os apóstolos permaneceram firmes, afirmando que era preciso obedecer a Deus antes que aos homens.

Esse episódio mostra o início das perseguições contra a igreja e revela a coragem dos primeiros seguidores de Cristo. Pedro e João não tinham títulos, riqueza ou poder terreno, mas possuíam algo muito maior: o Espírito Santo. Essa presença os sustentava diante da oposição, transformando o medo em fé e a fraqueza em força. O milagre que realizaram era visível a todos, e o povo glorificava a Deus. Por isso, as autoridades não puderam negar o que havia acontecido. O contraste entre o poder humano e o poder divino ficou evidente — o Sinédrio podia prender os homens, mas não podia calar a verdade.

Essa história continua sendo um espelho para a igreja de hoje. Pedro e João nos ensinam que fidelidade a Deus é permanecer firmes mesmo quando o mundo tenta nos silenciar. Eles sabiam que a missão de testemunhar sobre Jesus era mais importante do que qualquer ordem humana. Assim também nós, em nossos dias, precisamos viver com essa convicção. Quando enfrentamos críticas, pressões ou tentativas de nos fazer desistir, devemos lembrar que a voz de Deus é mais alta que qualquer voz contrária.

Vivemos em tempos diferentes, mas o desafio é o mesmo. Hoje, o “Sinédrio” pode se manifestar de outras formas: na indiferença, no medo de falar de fé em público, na vergonha de se posicionar como cristão, ou na distração de uma vida corrida que deixa pouco espaço para Deus. Mesmo assim, o chamado permanece o mesmo — não podemos nos calar. Quando alguém é transformado por Jesus, isso precisa ser visto, ouvido e sentido por todos ao redor.

Pense, por exemplo, em alguém que viveu anos mergulhado nas drogas e encontrou libertação em Cristo. Ou em famílias que estavam destruídas e foram restauradas pelo amor de Deus. Histórias assim acontecem todos os dias, em todos os lugares. São os “milagres modernos” que mostram que Jesus continua vivo e atuando. E se Ele tem feito tanto em nossas vidas, como poderíamos ficar em silêncio diante de tamanha graça?

A missão da igreja permanece a mesma desde o início: anunciar o evangelho. O “ide” de Jesus ainda ecoa em nossos corações. Como disse o profeta: “Busquem o Senhor enquanto se pode achá-lo; invoquem-no enquanto está perto. Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e ao nosso Deus, porque é rico em perdoar.” Isaías 55:6-7 (NAA). Essa foi também a ênfase da pregação de Jesus e dos apóstolos: arrependimento, perdão e nova vida.

Temos visto portas se abrirem, vidas sendo curadas, famílias restauradas, e pessoas encontrando esperança onde antes havia desespero. Esses são sinais de que Deus continua agindo. Por isso, assim como Pedro e João, não podemos deixar de falar daquilo que temos visto e ouvido. Nossa voz precisa ecoar com amor e verdade, anunciando que Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

A igreja nasceu com esse propósito e deve continuar com a mesma chama. Mesmo que o mundo mude, a mensagem permanece a mesma: Deus salva, transforma e perdoa. Quando o evangelho é vivido com sinceridade, ele se torna luz que nenhuma escuridão pode apagar.

 Quando o coração é cheio de Jesus, a boca não consegue ficar em silêncio.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/nov/25

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