A MELHOR DEFESA

“Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para pensar em opor-me a Deus?” Atos 11:17 (NAA)

Você já se viu em uma situação em que precisou se defender — de uma crítica, de um mal-entendido, de uma acusação injusta? Talvez no trabalho, na família ou entre amigos. É algo natural. O ser humano carrega dentro de si o instinto de se proteger. Desde o princípio, nosso corpo reage automaticamente diante de qualquer ameaça. É o que os cientistas chamam de instinto de autopreservação — uma resposta imediata que nos faz lutar, fugir ou até paralisar quando sentimos perigo.

Mas a defesa vai muito além do corpo. Ela também acontece dentro da alma. Às vezes, não precisamos nos defender de golpes ou ferimentos, mas de palavras e julgamentos. Defendemos nossas ideias, nossos valores e até nossa fé. Queremos preservar quem somos e o que acreditamos. É o desejo de permanecer inteiros — de afirmar nossa identidade em um mundo que, muitas vezes, tenta nos moldar e calar o que há de verdadeiro em nós.

Essa história não é apenas sobre Pedro — é sobre nós. Muitas vezes também somos colocados em situações em que precisamos nos defender. Nessas horas, é comum sentir vontade de se justificar, de falar alto, de mostrar que estamos certos. Mas Pedro nos ensina outro caminho: a melhor defesa está na calma e na obediência à voz de Deus.

Depois de anunciar o Evangelho na casa de Cornélio, um homem que não era judeu, Pedro foi criticado pelos irmãos em Jerusalém. Entrar na casa de um gentio era proibido pela tradição. Quando perguntaram por que ele havia feito aquilo, Pedro não discutiu nem tentou impor seu ponto de vista. Ele contou tudo com calma, relatando o que Deus havia mostrado e feito. Apenas apresentou os fatos e deixou que a verdade falasse por si.

Essa atitude é um exemplo de fé e sabedoria espiritual. Pedro não se defendeu por orgulho, mas por convicção. Ele sabia que não havia agido por impulso, e sim por obediência à vontade de Deus. Sua serenidade e confiança mostraram que quem anda com Deus não precisa provar nada — apenas permanecer fiel. Como está escrito: “O Senhor lutará por vocês; fiquem calmos e tranquilos.” Êxodo 14:14 (NAA).

Assim também deve ser conosco. Quando agimos com sinceridade e seguimos o que Deus nos orienta, não precisamos temer as críticas. O Espírito Santo é o nosso defensor; Ele confirma a verdade no tempo certo. Por isso, a calma e a obediência se tornam nosso escudo mais seguro.

Vivemos num mundo em que todos querem ter razão, em que se reage rápido e se fala antes de pensar. Mas quem vive guiado por Deus aprende a responder com mansidão, não com agressividade. Há uma grande diferença entre reagir e responder. Reagir é agir no impulso; responder é agir com sabedoria. Pedro respondeu com sabedoria, deixando que o Espírito conduzisse cada palavra.

Essa passagem nos convida a fazer o mesmo. Quando alguém nos julga por pensarmos diferente ou quando somos mal interpretados, que nossa defesa seja como a de Pedro: pacífica, firme e guiada pelo Espírito. A verdadeira força não está em se exaltar, mas em manter o coração em paz. “A resposta calma desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Provérbios 15:1 (NAA).

E quando for o contrário — quando formos nós a julgar — também precisamos lembrar da lição de Pedro. É fácil apontar o erro do outro, mas difícil enxergar que Deus pode estar trabalhando ali de um modo que ainda não entendemos. Como está escrito: “Deus não faz distinção de pessoas.” Atos 10:34 (NAA). Ele continua agindo em corações e lugares onde talvez jamais imaginaríamos.

Quantas vezes vemos alguém se afastar da igreja ou tomar decisões que nos parecem erradas, e logo concluímos que aquela pessoa se perdeu? No entanto, Deus vê o coração. Pode ser que, naquele mesmo momento, Ele esteja iniciando uma obra silenciosa, transformando o que aos nossos olhos parece sem esperança. A obediência à voz de Deus e a paciência diante do julgamento são também formas de defesa — defesa da fé, do amor e da comunhão.

Em nossos relacionamentos, no trabalho, na família ou nas redes sociais, somos constantemente testados. Há situações em que somos acusados injustamente, em que palavras são distorcidas e intenções mal interpretadas. Nessas horas, a tentação é grande de nos justificar e revidar. Mas a história de Pedro nos lembra: a verdade não precisa de gritos — apenas de fidelidade.

Quando confiamos em Deus, Ele mesmo se encarrega de revelar o que é certo. Nossa parte é permanecer tranquilos, sem perder o equilíbrio. É assim que a fé se manifesta na prática: em meio à tensão, escolhemos a serenidade; diante da dúvida, escolhemos a obediência.

A defesa de Pedro foi marcada pela paz e pela convicção de que estava cumprindo a vontade divina. Ele não buscou convencer com palavras, mas deixou que os frutos falassem. Quando terminou de contar o que havia acontecido, os irmãos que o acusavam se calaram. O texto diz que eles glorificaram a Deus e reconheceram que o arrependimento e a vida eterna também haviam sido concedidos aos gentios. Isso mostra que a calma e a verdade são poderosas — elas não apenas encerram discussões, mas também transformam corações.

Essa história continua viva e atual. Deus ainda nos chama a confiar, mesmo quando somos mal interpretados. Ele ainda nos pede obediência, mesmo quando o caminho parece estranho. E Ele ainda nos ensina a defender o que é certo, não com palavras duras, mas com atitudes firmes e serenas. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Romanos 8:31 (NAA).

No fim, a lição é simples e profunda: ninguém está fora do alcance do amor de Deus, e ninguém perde por permanecer fiel à Sua voz. Ele continua a surpreender, a incluir e a transformar. Quando obedecemos com serenidade, mesmo diante das críticas, o Reino de Deus acontece — não só no céu, mas também aqui, nas nossas relações, nas nossas atitudes e na forma como olhamos uns para os outros.

A melhor defesa do cristão é a calma na verdade e a obediência à voz de Deus — porque quem confia, deixa que Ele fale por si.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/nov/25

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