À PORTA FORMOSA: ONDE DEUS RESTAURA O CAMINHO
“Pedro,
porém, disse: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome
de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e ande!” Atos 3:6 (NAA)
O templo sempre foi
um lugar especial na história do povo de Deus. Desde o Antigo Testamento, ele
era visto como o espaço da presença divina, onde o céu se encontrava com a
terra. Ali se fazia oração, ali se apresentavam sacrifícios, ali o povo buscava
resposta. Quando Salomão consagrou o templo, Deus prometeu que ouviria as
orações feitas naquele lugar. Por isso, não é por acaso que Pedro e João subiam
ao templo na hora da oração, como sempre faziam. Eles eram fiéis e constantes,
desejosos de buscar a Deus.
Em Jerusalém, o
templo estava no centro da cidade e se destacava como um ponto de referência.
Mais do que um edifício imponente, ele simbolizava comunhão, adoração e fé
reunida. Até hoje, quando chegamos a qualquer cidade, conseguimos identificar
uma igreja de longe, seja pela sua localização central ou pela arquitetura que
lhe dá destaque. Ela chama a atenção, mesmo de quem nunca entra, e aponta para
algo maior.
Esse destaque nos
ensina uma verdade importante: o templo sempre foi um lugar de encontro com
Deus e com o próximo. Hoje, sabemos que o Senhor não habita em templos feitos
por mãos humanas, mas no coração dos que creem e em qualquer lugar onde há
adoração sincera. No entanto, o princípio continua válido: Deus se manifesta
onde há reverência, oração e fé viva. Pode ser numa grande catedral, numa
igreja simples de bairro ou até debaixo de uma árvore — qualquer espaço onde há
busca pela presença de Deus se torna lugar de milagres. Como está escrito: “Porque,
onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Mateus
18:20 (NAA)
A narrativa de Atos
3 nos mostra um detalhe marcante: a porta do templo se chamava Formosa, símbolo
de beleza e grandiosidade. Ali estava um homem coxo de nascença, sentado à
beira da entrada. Ele não andava, vivia de esmolas e dependia de outros para ser
levado até aquele lugar. Estava perto da adoração, mas não participava dela;
diante da porta, mas sem forças para atravessá-la. Quantos hoje vivem a mesma
realidade espiritual — veem a beleza da fé, ouvem falar das bênçãos de Deus,
chegam até a porta, mas não entram por falta de força interior para dar o
passo?
Jesus disse: “Eu
sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo. Entrará, sairá e encontrará
pastagem.” João 10:9 (NAA). A porta do templo se chamava Formosa, mas a
verdadeira Porta é Cristo. É por Ele que temos acesso ao Pai. É por meio d’Ele
que entramos na plenitude da vida. Para o homem coxo, estar à beira do templo
não resolvia. Ele precisava mais do que uma ajuda passageira. Precisava de um
encontro com o Senhor da Porta.
É nesse momento que
Pedro e João chegam. O homem esperava receber uma esmola, talvez algumas
moedas, mas os apóstolos não tinham prata nem ouro. Tinham algo muito maior: a
autoridade e a graça do nome de Jesus. Então Pedro olha para ele e declara: “Em
nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e ande.” Atos 3:6 (NAA).
Foi uma palavra de fé e poder — e quando a Palavra é liberada em nome de Jesus,
não há paralisia que resista.
O milagre
aconteceu. O homem levantou-se, começou a andar e entrou no templo louvando a
Deus. O que antes estava do lado de fora, agora estava dentro. O que antes
mendigava, agora adorava. O que antes era carregado, agora caminhava sozinho —
e com alegria. É isso que o Evangelho faz: restaura dignidade, devolve
movimento à alma e reconduz o homem ao caminho da adoração.
Esse relato não é
apenas uma lembrança de algo que aconteceu no passado. Ele continua acontecendo
hoje. Quantas pessoas estão sentadas “à porta Formosa” da vida? Gente que
parece estar tão perto, mas continua do lado de fora. Quantos vivem à beira da
fé, acostumados a ouvir falar de Jesus, mas sem forças para entrar por Ele?
Estão no banco de uma igreja, ouvem louvores, até admiram a fé, mas ainda não
deram o passo de entregar o coração.
Vivemos dias em que
muitos buscam apenas “prata e ouro”, soluções materiais, ajuda imediata ou
respostas rápidas para aliviar suas dores. É legítimo cuidar do próximo, mas
não podemos parar aí, porque o que o ser humano mais precisa não é de uma
esmola momentânea, e sim do que só Cristo pode oferecer: vida nova,
transformação e restauração.
Assim como aquele
homem à porta do templo, muitos hoje procuram apenas um alívio passageiro, mas
o Senhor deseja dar-lhes algo eterno. Pedro não lhe deu o que ele queria, mas o
que realmente precisava — e essa continua sendo a maior necessidade de todos os
que se aproximam da fé.
A história da porta
Formosa nos ensina três lições práticas. Primeiro: precisamos valorizar o
templo - a igreja - o lugar da comunhão, da fé e da adoração. Segundo:
precisamos reconhecer que Jesus é a única Porta, a única entrada verdadeira
para a vida eterna. Terceiro: precisamos confiar no poder da Palavra proclamada
em nome de Jesus, que ainda hoje levanta os caídos e transforma vidas.
Aquele homem entrou
no templo saltando e louvando. Que esse também seja o retrato da nossa vida:
gente que um dia estava caída, mas que agora anda na presença de Deus, cheia de
alegria.
À beira da porta,
muitos permanecem sem forças para entrar. Mas quando Cristo é anunciado, a
porta se abre, o caído se levanta e a vida se transforma em louvor.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
04/out/25
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