O CHORO DE JESUS

Jesus chorou.” João 11:35 (NAA)

Esta semana, o céu recebeu uma grande amiga e irmã em Cristo. Prefiro não dizer que “a perdemos”, pois só se perde aquilo cujo destino é incerto — e nós sabemos exatamente onde Monalise se encontra: nos braços do Senhor.

Quando alguém que amamos parte, é como se levasse consigo um pedaço de quem somos. A dor da separação é verdadeira, e até Jesus, o Filho de Deus, experimentou esse sentimento de forma profundamente humana e sensível.

Muitos se perguntam: por que Jesus chorou diante da morte de Lázaro, mesmo sabendo que o ressuscitaria e que ele estava salvo?

O episódio está em João 11:1–44, e o versículo que concentra esse mistério é o mais curto de toda a Bíblia — e talvez um dos mais profundos: “Jesus chorou.” João 11:35 (NAA).

Jesus havia recebido a notícia da doença de Lázaro e, de propósito, esperou dois dias antes de ir a Betânia. Ele sabia o que aconteceria. Desde o início, declarou: “Essa doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.” João 11:4 (NAA). Mesmo assim, quando chegou e viu o túmulo, chorou. Ele sabia que Lázaro ressuscitaria, mas ainda assim se comoveu. Por quê?

Jesus chorou porque ama. O texto deixa claro: “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro.”  João 11:5 (NAA). Quando Jesus viu Maria e os judeus chorando, Ele também se entristeceu. Cristo não é um espectador frio da dor humana — Ele sente a dor junto com os que sofrem. Seu choro não foi de desespero, mas de compaixão. Mesmo conhecendo o final da história, Jesus se envolveu com o presente da dor. Ele chorou porque o amor verdadeiro não ignora o sofrimento, mesmo quando a vitória já está garantida.

Jesus chorou também pela condição da humanidade. Não chorou apenas por Lázaro, mas por todos nós. O texto diz que Ele “agitou-se no espírito e comoveu-se”  João 11:33 (NAA). No original grego, a expressão indica uma profunda indignação — uma espécie de revolta santa.

Cristo não chorou por incredulidade, mas porque a morte é a consequência mais trágica do pecado — uma distorção da criação perfeita que Ele mesmo formou.
Ao ver o túmulo, Ele contemplou o preço do pecado sobre o mundo que amava. Chorou não por fraqueza, mas por justiça ferida. Era o pranto de quem ama intensamente uma humanidade que insiste em caminhar distante de Deus.

Jesus chorou ainda porque sabia o preço da ressurreição. A ressurreição de Lázaro seria o sinal que precipitaria Sua própria morte. Logo depois desse milagre, os líderes decidiram matá-Lo (João 11:53). Quando Jesus ordenou: “Lázaro, venha para fora!”, Ele sabia que estava chamando a morte para Si mesmo. Lázaro sairia do túmulo, mas Jesus logo entraria nele. Suas lágrimas carregavam o peso da cruz que se aproximava — o choro de quem amava tanto, que estava disposto a morrer para vencer a morte.

Jesus chorou também para mostrar que fé e emoção caminham juntas. Ele não apenas ensinava verdades — Ele as vivia com lágrimas. O Filho de Deus não reprimiu o choro; Ele o santificou. Em Suas lágrimas, aprendemos que quem crê pode lamentar, mas nunca sem esperança. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mateus 5:4 (NAA)

Jesus chorou por amor, porque sentiu a dor de Marta e Maria. Chorou por compaixão, pois a morte ainda fere os corações. Chorou com indignação santa, ao ver o estrago que o pecado causou na criação. Chorou por antecipação, porque sabia que, para dar vida, precisaria entregar a Sua. E chorou por humanidade perfeita, porque o Verbo feito carne sente o que nós sentimos.

As lágrimas de Jesus diante do túmulo de Lázaro não negam Sua divindade — revelam Sua humanidade perfeita. Ele chorou para que, quando nós chorássemos,  soubéssemos que Deus entende.

Hoje também choramos — pela perda de alguém querido, pela ausência que aperta o peito e pela saudade que não passa. Mas nossas lágrimas, diante do Senhor, não são vazias; elas têm sentido e carregam promessa. O mesmo Jesus que chorou em Betânia é aquele que hoje enxuga as nossas lágrimas. Ele não nos pede para deixar de chorar, e sim para chorar com fé — confiando que o pranto do presente será transformado em alegria eterna.

A morte não é o ponto final, é apenas uma vírgula no texto de Deus. A história continua. E um dia, como Lázaro, todos os que estão em Cristo ouvirão a voz do Mestre dizendo:

Venham para fora.”

E então, todo choro cessará. Toda saudade se tornará reencontro. Toda ausência será preenchida pela presença eterna de Jesus.

Até breve, minha amiga. A saudade é só um intervalo entre dois abraços — logo nos veremos de novo, em um lugar cheio de luz e paz, onde não há dor, nem lágrimas, nem despedidas.

“Jesus chorou não por desespero, mas por amor. Em Suas lágrimas, Deus nos ensina que é possível sentir a dor da perda sem perder a esperança da vida eterna.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/nov/25

Um comentário:

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