A VERDADEIRA FELICIDADE

“Feliz é aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó, cuja esperança está no Senhor, seu Deus.” Salmo 146:5 (NAA)

Li esta semana dois artigos de filósofos contemporâneos, especialistas no tema da felicidade, que procuram ensinar o que é — e como alcançar — a verdadeira felicidade.

Um deles, o filósofo polonês Zygmunt Bauman. Ele acredita que a felicidade não está em sermos totalmente livres, mas em aprender a conviver com nossas limitações. Para ele, em um mundo onde tudo muda rápido demais — relações, valores e ideias — a verdadeira alegria nasce quando aceitamos que a vida tem limites, responsabilidades e vínculos.

O outro, o professor Arthur Brooks, de Harvard, ensina que os amigos de verdade são essenciais para uma vida feliz. Mesmo parecendo “inúteis” aos olhos de um mundo que valoriza produtividade e sucesso, as amizades sinceras trazem companhia, risadas e lembranças que aquecem o coração. Em tempos de conexões digitais e superficiais, ele lembra que estar “junto de verdade” continua sendo uma das maiores fontes de felicidade.

Essas reflexões são até importantes, mas a Bíblia nos mostra uma felicidade ainda mais profunda — uma que o mundo não pode tirar, porque não depende de circunstâncias, posses ou reconhecimento. A Bíblia fala muito sobre alegria, contentamento e bem-aventurança, mas o conceito bíblico de felicidade é diferente do que o mundo prega.

No original hebraico e grego, a palavra “feliz” vem de ashrê e makários, que significam “abençoado”, “pleno”, “em paz”. A verdadeira felicidade, então, é o estado de quem vive sob a bênção e a vontade de Deus. O Salmo 1:1-2 (NAA) diz: “Como é feliz aquele que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores, mas tem o seu prazer na lei do Senhor e nela medita de dia e de noite.” A felicidade vem dessa relação viva com Deus — um coração que encontra prazer em conhecê-Lo e obedecê-Lo.

A Bíblia também mostra que a felicidade é consequência da comunhão com Deus. O salmista declarou: “Tu me farás conhecer o caminho da vida; na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita há prazeres perpétuos.” Salmo 16:11 (NAA). A presença de Deus é a fonte da verdadeira alegria — uma alegria que permanece mesmo nos dias difíceis. Paulo, preso, pôde dizer: “Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se!” Filipenses 4:4 (NAA). Ele não estava feliz porque a vida era fácil, mas porque o Senhor estava com ele.

Essa felicidade é também um aprendizado de contentamento. O apóstolo Paulo escreveu: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Sei estar humilhado e sei também ter abundância. Em toda maneira e em todas as coisas aprendi tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” Filipenses 4:11-13 (NAA). Felicidade, para o cristão, é descansar no cuidado de Deus, mesmo quando as circunstâncias não são boas. É poder dizer: “Está tudo bem”, porque Deus continua no controle.

Nos tempos de Jesus, Ele mostrou um caminho totalmente novo para a felicidade. As Bem-aventuranças, em Mateus 5:3-10, revelam que os felizes não são os ricos, os poderosos ou os populares, mas os humildes, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os pacificadores. Jesus ensinou que ser feliz é viver o propósito de Deus, mesmo quando isso exige renúncia e fé.

A Bíblia também ensina que a alegria verdadeira é fruto do Espírito Santo. “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade.” Gálatas 5:22 (NAA). Isso quer dizer que a alegria não vem de fora, mas brota de dentro — nasce de um coração habitado por Deus.

Hoje, muitas pessoas buscam felicidade em viagens, bens materiais, relacionamentos ou realizações pessoais. Mas nenhuma dessas coisas pode preencher o coração humano completamente. Quantas vezes vemos alguém aparentemente bem-sucedido, mas com o olhar vazio? Isso acontece porque o coração foi criado para encontrar descanso somente em Deus.

A felicidade bíblica é diferente. Ela é constante, mesmo quando a vida muda. É comunitária, porque cresce nas relações com Deus e com o próximo. É profunda, porque nasce do propósito e da gratidão. É como a paz de quem, mesmo em meio à tempestade, sabe que o barco está seguro nas mãos de Jesus.

Na prática, essa felicidade se manifesta em gestos simples: um coração grato mesmo quando falta algo; a capacidade de perdoar; o prazer de servir; o descanso de quem confia. Ela aparece quando uma mãe cansada encontra forças para amar seu filho, quando um trabalhador agradece mesmo diante das dificuldades, ou quando um idoso sorri porque sabe que sua esperança está em Cristo.

A verdadeira felicidade não é um sentimento passageiro. É uma certeza permanente: Deus está conosco. E quando Ele habita em nós, não há perda, fracasso ou tristeza que possa apagar a alegria de pertencer a Ele.

Como disse o salmista: “Feliz é aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó, cuja esperança está no Senhor, seu Deus.” Salmo 146:5 (NAA).

A verdadeira felicidade não é viver sem limites, mas viver sob a graça de Deus — onde o coração encontra descanso, mesmo quando o mundo está em tempestade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/nov/25

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