SERVIR A DEUS POR MEIO DO TRABALHO

“Não é este o filho do carpinteiro?” Mateus 13:55 (NAA)

'A vida na Palestina do primeiro século era simples. O povo vivia em pequenas aldeias, em casas de pedra, e boa parte da população trabalhava no campo, cuidando de ovelhas, cultivando trigo ou fazendo objetos de uso diário. Não havia pressa nem distrações como as de hoje. Nada de computador, celular ou redes sociais. O tempo era medido pela claridade do sol e pelo ritmo da colheita.

Os filhos cresciam observando os pais e aprendendo com as mãos o que o coração já sabia: o valor do esforço, da paciência e da fidelidade. A obediência e o respeito à autoridade dos pais eram virtudes esperadas, e a transmissão de ofícios acontecia naturalmente, dentro de casa, no convívio do dia a dia.

Com zelo e obediência, Jesus certamente aprendeu o ofício de José. A Bíblia não nos traz detalhes, mas é fácil imaginar o menino observando o pai medir a madeira, serrar, lixar, e transformar pedaços brutos em algo útil. No silêncio da carpintaria, Ele aprendeu mais do que um trabalho — aprendeu o valor de servir.

Anos depois, já adulto, Jesus seria conhecido não apenas como carpinteiro, mas como “aquele que veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” Marcos 10:45 (NAA). Ele compreendia que a grandeza de qualquer profissão não está no prestígio, mas na capacidade de unir pessoas e revelar o caráter de Deus através do trabalho.

A Bíblia sempre valorizou o trabalho como uma dádiva do Criador. Em Gênesis 2:15 (NAA) lemos: “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.” O trabalho não nasceu como castigo, mas como expressão de propósito. O homem foi criado para cooperar com Deus na administração da criação. Trabalhar, portanto, é participar da ordem divina, dando continuidade ao que o Criador começou.

O apóstolo Paulo reforça essa verdade: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens.”  Colossenses 3:23 (NAA). Isso significa que o trabalho do cristão, por mais simples que pareça, tem valor eterno. O problema começa quando o ofício se torna apenas um meio de sobrevivência ou status, e não um instrumento de adoração.

Quem trabalha apenas por bens materiais constrói a própria prisão. Mas quem trabalha com o coração voltado para Deus transforma o ofício em ministério.
O marceneiro que faz uma mesa com amor, o professor que ensina com paciência, o médico que atende com compaixão, o agricultor que planta com esperança — todos refletem, em seu labor, o próprio Cristo, o “filho do carpinteiro”.

Em Provérbios 22:29, há uma promessa que ainda ecoa: “Você já viu alguém habilidoso no que faz? Diante de reis será posto; não trabalhará para gente obscura.”
O trabalho feito com excelência e com o coração sincero é reconhecido por Deus e pelos homens. Jesus sabia disso. Antes de pregar sermões e realizar milagres, viveu anos no anonimato da carpintaria, mostrando que a vida comum também é lugar de santidade.

A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que serviram a Deus por meio do trabalho.
Davi cuidava de ovelhas antes de se tornar rei (1 Samuel 16:11). Moisés pastoreava o rebanho de Jetro quando foi chamado (Êxodo 3:1). Pedro e André eram pescadores quando Jesus os encontrou à beira do mar (Mateus 4:18–19). Lídia era vendedora de púrpura e abriu sua casa para o Evangelho (Atos 16:14–15). Todos entenderam que o ofício era meio, não fim — um caminho para glorificar o Criador e servir ao próximo.

Jesus, o filho do carpinteiro, nos ensina que não existe trabalho pequeno quando o coração está entregue a Deus. O valor não está na madeira, mas nas mãos que moldam; não na ferramenta, mas no propósito que move o trabalhador. O salmista já dizia: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.”  Salmo 127:1 (NAA).

Trabalhar com fé é participar da obra divina. O verdadeiro discípulo entende que a sua profissão, qualquer que seja, é também um chamado para amar. Amar no servir, amar no fazer bem feito, amar no cuidar do outro.

O cristão que entende isso trabalha diferente. Não por medo, mas por gratidão. Não por dinheiro, mas por propósito. E, no fim do dia, quando as mãos cansadas descansam, o coração sabe que cada gesto, cada palavra, cada tarefa simples feita com amor é uma forma silenciosa de adorar o Criador.

Jesus, o filho do carpinteiro, nos ensina que o valor do trabalho não está na madeira que se transforma, mas no coração que serve enquanto molda.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/nov/25

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