“Vós, que
escapastes da espada, ide-vos, não pareis; de longe lembrai-vos do Senhor, e
suba Jerusalém à vossa mente.” Jeremias 51:50 (NAA)
Quando Jeremias
pronunciou essas palavras, Israel vivia uma das fases mais difíceis de sua
história. Jerusalém havia sido destruída pelo exército da Babilônia. O templo,
que era o orgulho do povo, estava queimado; os muros da cidade estavam no chão;
e muitos tinham sido levados cativos para uma terra distante.
Para quem ficou e
para quem foi levado, era um tempo de tristeza profunda. Famílias estavam
separadas, casas abandonadas, sonhos despedaçados. A Babilônia parecia
invencível, e muita gente acreditava que Deus os havia deixado sozinhos. No
entanto, Deus não os havia abandonado; Ele estava disciplinando a nação após
longos anos de rebeldia e idolatria.
Jeremias permaneceu
na terra quando quase todos tinham sido levados ao exílio. Foi nesse cenário de
ruínas que Deus lhe deu uma mensagem inesperada: não apenas anunciar o juízo
sobre Israel, mas também anunciar o juízo que viria sobre a própria Babilônia.
Isso mostrava que nenhum poder da terra era maior do que o Senhor. E é
exatamente nesse contexto que Jeremias fala aos poucos sobreviventes da espada,
aos que tinham escapado da destruição. Ele lhes diz: não parem, sigam adiante,
lembrem-se do Senhor, e permitam que Jerusalém volte ao coração de vocês.
Era um convite para
não deixar o desespero tomar conta. Mesmo longe de tudo o que conheciam, mesmo
tendo perdido tantas coisas, Deus ainda os chamava para levantar a cabeça,
continuar caminhando e guardar no coração aquilo que realmente importa.
Jerusalém, para eles, não era apenas uma cidade; era o símbolo da presença e da
fidelidade de Deus. Lembrar de Jerusalém era lembrar que Deus ainda tinha um
plano, mesmo quando tudo parecia perdido.
Hoje não vivemos
exílios como aquele, mas todos nós enfrentamos momentos em que parece que as
“muralhas” da vida caíram. Pode ser uma crise familiar, uma doença inesperada,
um luto, uma perda financeira ou uma fase de escuridão na alma. Em tempos
assim, alguns se perguntam se Deus ainda está perto. A Palavra nos lembra que
existe um juízo sobre a terra, e ao mesmo tempo um amor que nos alcançou e nos
livrou da verdadeira morte. Em Cristo, fomos resgatados da espada. Seu sangue
nos comprou, nos alcançou quando estávamos longe, e nos trouxe de volta para
perto de Deus.
Quando Jeremias diz
“ide-vos e não pareis”, ele está falando sobre seguir adiante. Para nós,
essa frase lembra que a vida cristã é uma caminhada. Depois de sermos
resgatados por Cristo, um novo caminho se abre. Não é apenas um caminho para
andar, mas um caminho com propósito. Jesus disse que devemos ir por todo o
mundo, fazer discípulos, anunciar as boas-novas. Há pessoas esperando uma
palavra de fé, uma demonstração de amor, um gesto de compaixão. Por isso, não
podemos parar.
Pense no profeta
Jonas. Ele decidiu parar. Virou as costas para o que Deus havia dito, desceu a
Jope, desceu para um navio, desceu ao porão, e acabou descendo até a barriga de
um grande peixe. Quando parou, afundou. Mas quando clamou ao Senhor, Deus o
ouviu. E quando voltou a caminhar, sua obediência trouxe salvação para uma
cidade inteira. Assim também acontece conosco: quando paramos, enfraquecemos;
quando obedecemos, frutificamos – “ide-vos e não pareis”.
A segunda ordem de
Jeremias é: “de longe lembrai-vos do Senhor”. Mesmo longe de tudo o que
conheciam, mesmo em terra estranha, o povo não deveria esquecer de Deus. E nós
também precisamos lembrar. Lembrar da cruz, lembrar do amor que nos alcançou,
dos livramentos que recebemos, da família que Deus nos deu, do trabalho que
sustenta nossa vida, da igreja que nos abraça, da salvação que nos assegura a
vida eterna. A memória é uma arma espiritual. Quando lembramos do Senhor, nossa
fé se fortalece.
E por fim Jeremias
diz: “e suba Jerusalém à vossa mente”. Jerusalém era o lugar da
adoração. Mesmo no exílio, Daniel abriu sua janela e orou voltado para
Jerusalém. “Daniel… três vezes ao dia se punha de joelhos, orava e agradecia
ao seu Deus, como de costume.” Daniel 6:10 (NAA). Ele estava longe, mas
Jerusalém estava em seu coração. Assim também deve ser conosco. A adoração não
é um endereço; é uma postura. É por isso que fomos criados. Quando adoramos,
mesmo em terra estranha, permanecemos firmes.
No fim, a mensagem
de Jeremias 51:50 ainda fala ao nosso coração. Assim como os sobreviventes do
exílio, fomos alcançados pela graça quando estávamos perdidos. Deus nos chamou,
abriu um caminho e nos convida a seguir sem parar.
Quando lembramos do
Senhor e mantemos a adoração viva, mesmo nos dias difíceis, nossa fé se renova.
Ter “Jerusalém no coração” é deixar Deus ser nosso centro em qualquer lugar.
Caminhe, lembre-se, adore — o Deus que restaurou seu povo continua restaurando
a nós também.
“Mesmo em terra
distante, continue caminhando, lembre-se do Senhor e mantenha a adoração viva
no coração.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
28/nov/25
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