FUJAM! SALVEM A SUA VIDA!

“Fugi, salvai a vossa vida e sede como a tamareira no deserto.” Jeremias 48:6 (NAA)

Ao olharmos para trás, neste fim de ano, percebemos quantas bênçãos o Senhor nos concedeu ao longo de 2025. Em meio aos desafios, aprendemos a confiar na direção de Deus — e uma palavra se tornou o nosso lema, a bússola diária que nos guiou: “Fujam! Salvem a sua vida!” Não foi apenas um comando; foi um ato de preservação.

Durante este ano, essa mensagem deixou de ser apenas um versículo lido e se tornou experiência vivida. Muitos cristãos começaram a perceber que estavam em ambientes espirituais que pareciam seguros, mas, na verdade, diluíam a verdade, manipulavam a fé e alimentavam o orgulho religioso. Permanecer ali não era fidelidade — era se expor ao risco da própria alma.

Alguns ouviram a voz de Deus e decidiram sair. Muitos foram criticados, chamados de rebeldes, julgados como quem abandona a fé. Mas, na verdade, estavam obedecendo. Eles entenderam que fugir, naquele contexto, não era covardia — era sobrevivência espiritual. Era Deus dizendo: “Preserve sua vida, proteja sua fé, guarde seu coração.”

Às vezes, seguir a voz de Deus significa escolher o deserto em vez da cidade fortificada; o lugar simples em vez da estrutura grandiosa; o caminho solitário em vez da multidão. Mas, como Jeremias diz, a tamareira no deserto vive — porque depende somente do Senhor.

E o que significa, espiritualmente, ser “como a tamareira no deserto”? A tamareira floresce e frutifica mesmo onde nada mais cresce. Sobrevive a temperaturas de 50–60°C quando tudo ao redor murcha. Ela tem raízes profundas, tão profundas que alcançam fontes de água escondidas debaixo da areia. E, quando ninguém espera, ela produz doce, alimento e sombra em um lugar que parece não ter nada para oferecer.

Ser como tamareira é um chamado profético: Deus está convidando Seu povo a sobreviver em tempos difíceis, a não depender do ambiente, mas das fontes ocultas da graça, a permanecer de pé quando tudo ao redor morrer. A tamareira ensina que viver diante de Deus é maior do que parecer estar bem diante dos homens.

Essa foi uma palavra declarada para 2025, mas não deve pertencer apenas ao passado. Ela precisa ser lembrada por nós enquanto caminharmos nesta terra, porque continua verdadeira hoje. Muitas vezes, acreditamos que nossa vida está segura porque temos um bom emprego, uma igreja organizada, uma rotina tranquila ou uma aparência de estabilidade. Porém, isso pode ser apenas uma sensação ilusória. Existe uma segurança que parece firme, mas não sustenta a alma.

Essa palavra foi dirigida primeiramente a Moabe, e aquele povo do passado se tornou um alerta vivo para nós. Deus não trouxe juízo sem aviso. Ele chamou, corrigiu, alertou — mas Moabe recusou-se a ouvir Sua voz, rejeitou a correção divina e escolheu viver sem depender do Senhor. Eles tinham religião, mas faltava arrependimento. Guardavam tradição, mas não havia quebrantamento.

Moabe se tornou um espelho do coração humano quando ele se acostuma com o funcionamento da fé, mas esquece o Deus que dá sentido a ela. É quando a alma sabe falar sobre Deus, mas não O busca; quando os lábios confessam, mas o coração não obedece. Esse contraste continua ecoando hoje, como um convite para avaliarmos nossa fé: estamos apenas vivendo um formato ou realmente vivendo diante do Deus vivo?

A mensagem do passado continua atual porque ainda existem muitos vivendo assim: seguros no que é visível, mas vazios diante de Deus. E a voz do Senhor continua ecoando: “Fujam! Salvem a sua vida!” — não do mundo físico, mas de tudo que mata lentamente o coração.

Às vezes, fugir é obedecer. A Bíblia não pede para enfrentar tudo. Ela também diz: “Fujam da imoralidade” (1Co 6:18), “Fujam da idolatria” (1Co 10:14), “Fujam do amor ao dinheiro” (1Tm 6:11). Fugir do mal não é covardia. É sabedoria. É discernimento. É escolher a vida.

Quando Jeremias diz: “Salvem a vida de vocês”, ele não está dizendo “esperem alguém resgatar vocês”. É responsabilidade pessoal. Nenhum pastor, tradição ou instituição pode crer no seu lugar. Cada um precisa cultivar sua própria comunhão com Deus. Estar dentro de uma igreja não significa automaticamente estar no centro da vontade dEle.

Deus diz também que os que fugirem serão como uma “tamareira no deserto”. Isso parece frágil, mas fala de dependência total. Em 2025, muitos grupos pequenos, casas simples, pessoas sem nome ou título floresceram porque escolheram a verdade em vez da estrutura. Alguns ficaram sozinhos por um tempo, cortaram vínculos, perderam posições. Mas ganharam algo invisível: vida diante de Deus.

O juízo virá sobre tudo o que é orgulhoso, vazio, religioso apenas por fora. Mas Deus sempre guarda os que discernem o tempo, escutam Sua voz e decidem obedecer, mesmo que isso signifique andar sem aplausos.

Jeremias 48:6 é um chamado urgente: quando Deus diz “fujam”, Ele está oferecendo salvação. Fugir não é abandonar a fé, é protegê-la. Não é deixar a missão, é deixar o pecado. Em toda geração, Deus separa um povo que prefere ser pequeno com Ele do que grande sem Ele. E sempre — sempre — Ele salva os que escolhem a vida.

A verdadeira segurança não está no lugar onde estamos, mas em quem estamos confiando.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/dez/25

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