“Mas eu
roguei por você, para que a sua fé não desfaleça; e você, quando voltar para
mim, fortaleça os seus irmãos.” Lucas
22:32 (NAA)
A história de Pedro
é uma das mais humanas e realistas entre os discípulos de Jesus. Ele não foi
escolhido por ser perfeito, estável ou seguro de si, mas justamente por
carregar contradições profundas. Sua vida foi marcada por altos e baixos,
coragem e medo, fé vibrante e quedas dolorosas. Pedro representa bem aquilo que
somos: pessoas sinceras, mas inconstantes; cheias de boas intenções, mas também
de fragilidades.
Antes de Jesus
mudar seu nome, Pedro se chamava Simão. Foi o próprio Jesus quem declarou: “Você
é Simão, filho de João; você será chamado Cefas” (que quer dizer
Pedro). João 1:42 (NAA)
Essa mudança não
foi apenas simbólica. Jesus não estava dando um apelido, mas revelando
identidade e destino. Simão descrevia quem ele era naquele momento: instável,
impulsivo, inseguro. Pedro apontava para quem ele se tornaria: alguém firme,
fortalecido pela graça e usado por Deus. Jesus viu em Pedro algo que ele mesmo
ainda não conseguia enxergar. Isso nos ensina que Deus não nos chama apenas
pelo que somos, mas pelo que Ele pretende fazer de nós.
Mesmo caminhando ao
lado de Jesus, ouvindo Seus ensinamentos e presenciando milagres, Pedro ainda
carregava lutas internas. Sua mente e seu coração precisavam de uma
transformação profunda. Em muitos momentos, ele colocou sua racionalidade à
frente da fé, sua autoconfiança acima da dependência de Deus. Prometia
fidelidade até a morte, mas poucas horas depois negava conhecer o Mestre.
Declarava amor com fervor, mas cedia ao medo diante da pressão.
A Bíblia não
esconde essas falhas porque elas fazem parte do processo. Pedro não caiu porque
era falso, mas porque ainda era imaturo. Sua fé era real, porém frágil. Quantas
vezes isso também acontece conosco? Quantas vezes amamos a Jesus sinceramente,
mas falhamos quando somos confrontados? Quantas vezes prometemos mais do que
conseguimos cumprir? Quantas vezes damos passos de fé e, logo depois, recuamos
por medo?
Jesus conhecia
Pedro profundamente. Sabia da queda que viria, mas também da restauração que se
seguiria. Por isso, não disse: “Se você voltar”, mas “quando você voltar”.
A restauração já estava no plano. O chamado não era apenas para retornar, mas
para retornar transformado. Aquele que experimentasse a própria fraqueza e o
perdão seria capaz de fortalecer outros.
Essa palavra
atravessa o tempo e chega até nós hoje. Há muito de Pedro em mim e em você. Há
o Pedro que ama Jesus, mas também o Pedro que age por impulso. O Pedro que
começa bem, mas se perde no caminho. O Pedro que quer andar pela fé, mas
calcula demais. Quantas vezes colocamos a razão à frente da confiança? Quantas
vezes o medo fala mais alto do que a esperança?
Ainda assim, Jesus
não nos descarta. Ele ora por nós, caminha conosco e nos chama de volta. Cada tropeço
se torna uma oportunidade de amadurecimento. Cada retorno, um novo começo.
Quando voltamos quebrantados, mais conscientes da nossa dependência, nos
tornamos instrumentos de graça na vida de outros.
Foi exatamente isso
que aconteceu com Pedro. Depois de sua conversão genuína, ele se tornou um dos
pilares da igreja em Jerusalém. O homem que antes negou Jesus agora pregava com
autoridade. No primeiro sermão após a descida do Espírito Santo, milhares foram
alcançados. Aquele coração inconstante foi fortalecido pelo poder de Deus.
Isso também vale
para os nossos dias. Não é a ausência de quedas que nos define, mas a
disposição de voltar. Não é a força própria que nos sustenta, mas a graça de
Deus. Quando somos cheios do Espírito Santo, nossa fraqueza se transforma em
testemunho, e nossa história passa a fortalecer outros.
Deus não usa
pessoas perfeitas, mas pessoas que voltam; porque quem experimenta a graça na
própria fraqueza se torna força nas mãos de Deus para sustentar outros.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
23/dez/25
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