OU VOCÊ CAI SOBRE A PEDRA OU ELA CAIRÁ SOBRE VOCÊ
“Uma pedra
foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e
os esmigalhou.” Daniel 2:34 (NAA)
A estátua do sonho
de Nabucodonosor apresenta uma imagem clara dos governos humanos, de sua força
e de seu poder, ainda que marcados pela decadência ao longo do tempo. Ela
revela a grandiosidade das construções humanas, mas também expõe sua
fragilidade. Por mais impressionantes que pareçam, todos os impérios levantados
pelos homens estão sujeitos ao tempo, à corrupção e ao fim. Acima de tudo, o
sonho revela que existe um poder infinitamente maior, que está acima de toda
obra humana.
Bastou uma pedra,
cortada sem o auxílio de mãos humanas, para atingir os pés da estátua e
reduzi-la completamente a pó. Essa pedra representa um Reino que não tem origem
humana, mas divina. Ao atingir justamente a base da estátua, ela demonstra que
todo sistema humano, por mais sólido que pareça, é frágil diante do Reino de
Deus. Enquanto os reinos dos homens são passageiros, o Reino que vem do Senhor
é eterno e inabalável.
Essa mesma imagem é
retomada por Jesus em Lucas 20, quando Ele se apresenta como a Pedra enviada
por Deus. Ao falar aos escribas e fariseus no templo, Jesus aplica a si mesmo a
metáfora da pedra e revela que rejeitá-lo é rejeitar o próprio governo de Deus.
Assim como em Daniel, a Pedra confronta e julga os poderes humanos, não apenas
políticos, mas espirituais e religiosos. “Todo o que cair sobre esta
pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.”
Lucas 20:18 (NAA)
Jesus aprofunda
essa revelação ao mostrar que existem apenas duas reações possíveis diante da
Pedra. Ou alguém cai sobre ela, ou a Pedra cai sobre ele. Não há uma terceira
opção. Não existe neutralidade diante de Cristo.
Cair sobre a Pedra
é escolher o caminho do quebrantamento, do arrependimento e da rendição. É um
encontro que dói, porque expõe e derruba o orgulho, a autossuficiência, a
hipocrisia e os falsos fundamentos sobre os quais muitas vezes construímos a
vida.
“Sacrifícios
agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, ó
Deus, não desprezarás.” Salmos 51:17 (NAA). Esse texto revela que Deus não
rejeita o coração que se rende. O quebrantamento que Ele acolhe não destrói,
mas transforma. É nesse lugar que a graça encontra espaço para agir, e onde a
rendição se torna o início de uma vida restaurada e conduzida por Deus.
Cair sobre a Pedra
é perder para o mundo para, então, ganhar para Deus – é vida eterna. É abrir
mão do controle, da autossuficiência e do orgulho para encontrar graça, perdão
e uma nova vida em Cristo. O quebrantamento diante da Pedra não destrói o que é
eterno; ele remove apenas o que é passageiro. Não aniquila, mas reconstrói. É
nesse lugar de rendição que o velho homem morre e uma nova vida nasce — uma
vida que já não pertence a si mesma, mas pertence inteiramente a Deus.
Por outro lado, ser
atingido pela Pedra é permanecer endurecido, resistindo ao governo de Cristo
até que chegue o dia do juízo. Em Daniel, a estátua não se rende e, por isso, é
completamente destruída. Em Lucas, Jesus deixa claro que ainda há oportunidade
de quebrantamento antes do juízo definitivo. A mesma Pedra que oferece salvação
aos que se rendem é a que julga os que a rejeitam.
Diante de Cristo,
só há dois caminhos. Ou escolhemos o quebrantamento que conduz à vida, ou o
endurecimento que conduz ao juízo. A Pedra permanece. Os reinos passam. E a
decisão é inevitável.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
22/dez/25
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