PORQUE UM MENINO NOS NASCEU

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Isaías 9:6 (NAA)

Não há nada mais frágil do que uma criança, um bebê. Totalmente dependente, incapaz de sobreviver sozinho, precisando de cuidado constante. E é justamente assim que o profeta Isaías anuncia um dos maiores acontecimentos da história: o nascimento do Messias. Deus escolhe começar Sua obra de salvação não com força visível, poder político ou imponência militar, mas com a simplicidade de um menino. Nesse nascimento, estão reunidas a humildade e a humanidade do Salvador. O plano divino não começa de cima para baixo, mas de perto, ao alcance das mãos, do coração e da vida comum.

Quando Isaías declara: “porque um menino nos nasceu”, ele não fala apenas de um fato histórico, mas de um acontecimento carregado de significado pessoal. O uso da palavra “nos” revela propósito e direção. Esse menino nasceu para nós. Para pessoas reais, com dores reais, medos reais e limitações reais. Ele nasce para um povo que andava em trevas, para quem vivia sob a sombra da morte. Não nasce para si mesmo, mas para cumprir um plano de amor que alcança cada pessoa de forma direta e pessoal.

Isaías poderia anunciar um rei poderoso, um conquistador ou um líder imbatível, mas escolhe anunciar um menino. Isso mostra que o Reino de Deus começa de maneira simples e, aos olhos humanos, frágil. Ainda assim, esse menino carrega algo extraordinário: “o governo está sobre os seus ombros”. Ele é verdadeiramente humano, porque nasceu, chorou, cresceu e viveu entre nós. Ao mesmo tempo, é divino, porque sobre Ele repousa toda a autoridade do Reino. Seu governo não se estabelece pela força, mas pela entrega; não pela imposição, mas pelo amor.

O texto também afirma: um filho se nos deu. Aqui, Isaías aprofunda ainda mais a mensagem. Um filho não é apenas alguém que nasce, mas alguém que é oferecido. O verbo dar aponta para a iniciativa amorosa de Deus: o Messias não é resultado do esforço humano, nem recompensa por boas obras, nem fruto da religiosidade. Ele vem como dom. Assim como um presente verdadeiro não é conquistado, mas recebido, o Filho é a expressão máxima do amor de Deus entregue à humanidade. O Messias é dado não porque o homem mereceu, mas porque Deus decidiu amar, oferecendo Sua graça de forma livre, generosa e acessível a todos.

Isso confronta a lógica comum dos nossos dias. Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho, mérito e conquista. Desde cedo aprendemos que precisamos provar valor, alcançar metas e merecer reconhecimento. Mas Isaías anuncia algo completamente diferente: a salvação não vem das mãos do homem para Deus, mas das mãos de Deus para o homem. O Filho é dado para iluminar os que estão em trevas e trazer vida aos que vivem sob a sombra da morte.

A expressão “o governo está sobre os seus ombros” também carrega uma imagem profunda. Nos tempos antigos, carregar algo sobre os ombros simbolizava responsabilidade e autoridade. Isaías afirma que todo o peso do Reino repousa sobre o Messias. Não parte dele, não uma divisão de tarefas, mas tudo. Isso inclui o juízo que cabia ao homem, a culpa do pecado, a restauração do relacionamento com Deus e a condução do povo para a vida verdadeira.

Essa verdade traz descanso para os nossos dias. Em um mundo onde pessoas vivem sobrecarregadas, tentando controlar tudo, resolver tudo e sustentar tudo sozinhas, Isaías lembra que o governo não está sobre os nossos ombros. Está sobre os dEle. Não somos nós que carregamos o peso da salvação, do futuro ou da esperança. Ele carrega por nós. Seu governo não oprime, não esmaga, não cansa. Pelo contrário, sustenta, liberta e conduz.

Por isso, o menino recebe nomes que revelam quem Ele é e o que faz: Maravilhoso Conselheiro, porque guia com sabedoria; Deus Forte, porque tem poder para salvar; Pai da Eternidade, porque oferece cuidado permanente; Príncipe da Paz, porque traz reconciliação verdadeira. Esses atributos não são ideias abstratas, mas realidades vivas que se manifestam no Seu ministério, na cruz e na vida daqueles que Nele confiam.

Assim, o nascimento do menino anunciado por Isaías não é apenas uma lembrança distante. É a declaração de que Deus escolheu entrar na nossa história, carregar o nosso peso e iluminar as nossas trevas com a luz da vida.

Deus escolheu salvar o mundo não pela força de um trono, mas pela fragilidade de um menino, mostrando que a verdadeira esperança nasce quando o céu se aproxima do coração humano.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/dez/25


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