QUANDO A RESPOSTA ESTÁ NO CORAÇÃO
“Disse o
Senhor ao meu Senhor: Assente-se à minha direita” Lucas 20:42 (NAA)
O que Jesus
realmente representa para você? Para muitas pessoas, Ele é apenas um personagem
da história, alguém importante do passado, digno de respeito, estudo ou
admiração. Alguns o veem como um grande mestre, um filósofo, um poeta ou um
líder religioso que deixou bons ensinamentos morais. Seu nascimento é lembrado
no dia 25 de dezembro, e sua morte é recordada na Páscoa, muitas vezes cercada
de tradições, mesas fartas e encontros familiares. Mas precisamos fazer a
pergunta com sinceridade: será que Jesus é apenas isso?
Essa pergunta não é
dirigida apenas àqueles que estão fora da igreja. Ela também alcança quem lê e
estuda a Bíblia, frequenta cultos, conhece a linguagem da fé e sabe cantar os
hinos. Porque uma coisa é conhecer a Escritura; outra bem diferente é se
submeter ao Senhor da Escritura. Essa não é apenas uma questão de conhecimento
teológico, mas uma questão de rendição do coração.
Essa pergunta,
inclusive, não é nova. O próprio Jesus a fez de forma direta e profunda aos
líderes religiosos do seu tempo. Em Lucas 20:41–44, Jesus questiona os escribas
sobre a identidade do Messias. Eles sabiam que o Cristo seria descendente de
Davi, e isso estava correto. A Escritura afirmava isso claramente. O problema é
que eles haviam limitado o Messias a um rei apenas humano, político e nacional,
alguém que resolveria problemas externos, mas não confrontaria o coração nem
exigiria transformação interior.
Jesus então cita o
Salmo 110, escrito pelo próprio Davi, onde lemos: “Disse o Senhor ao meu
Senhor…”. Com isso, Jesus apresenta uma pergunta simples, mas profunda:
se o Messias é filho de Davi, como o próprio Davi o chama de Senhor?
Culturalmente e biblicamente, isso era difícil de aceitar, pois um pai jamais
chamaria seu descendente de Senhor. Ali estava uma verdade que não cabia na
lógica deles.
Jesus não responde
a pergunta de forma direta porque o problema não era falta de informação, mas
resistência interior. Eles esperavam um Messias que se encaixasse em suas
expectativas, em seus esquemas religiosos e em seus projetos de poder. Mas
Jesus revela que o Messias é maior do que tudo isso. Ele é Filho de Davi
segundo a carne, pois nasceu da sua linhagem, cumprindo a promessa. Mas Ele é
Senhor de Davi segundo a sua natureza divina, pois existe antes de Davi e reina
acima dele. Ele é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.
Reconhecer essa
verdade exigia mais do que interpretação bíblica. Exigia adoração, submissão e
a coragem de admitir que o Messias estava ali, diante deles. Exigia abrir mão
do controle e se render. E foi exatamente nesse ponto que muitos se calaram. O
silêncio deles revelou que o problema não estava na pergunta, mas no coração.
Essa mesma pergunta
continua ecoando hoje. Se Jesus for apenas um personagem da história, podemos
analisá-lo, discuti-lo e até admirá-lo à distância. Mas se Ele é Senhor, então
nossa resposta precisa ser outra. Senhor não é apenas um título bonito; é alguém
que governa, orienta e conduz a vida.
Isso se revela de
forma muito prática no nosso dia a dia. Jesus é Senhor apenas no discurso ou
também nas decisões? Ele governa apenas os domingos ou também a forma como
lidamos com dinheiro, família, perdão, trabalho e escolhas diárias? É possível
saber muito sobre Jesus e, ainda assim, não viver debaixo do seu senhorio.
Jesus não deixou
essa pergunta sem resposta. Ele a colocou diante do coração de cada um de nós.
Não se trata apenas de entender quem Ele é, mas de decidir o que faremos com
Ele. Porque, diante de Jesus, não existe neutralidade. Ou Ele é apenas alguém
sobre quem falamos, ou Ele é Senhor de quem somos. E somente quem se rende é
capaz de responder corretamente.
Conhecer Jesus
pode nos informar, mas somente reconhecê-lo como Senhor é o que transforma a
nossa vida.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
26/dez/25
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