FELIZES OS QUE APRENDERAM A TRATAR COM GRAÇA

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Mateus 5:7 (NAA)

Dando continuidade às reflexões sobre o Sermão do Monte, procurando compreender o que Jesus transmitia à multidão, chegamos agora à felicidade declarada sobre os misericordiosos, os puros de coração e os pacificadores. Nessas palavras, Jesus apresenta um tipo de vida que revela, de forma prática, o caráter do Reino de Deus. Ele não fala de sentimentos isolados, mas de atitudes que nascem de um coração transformado.

No sentido comum, ser misericordioso já significa ter compaixão, perceber a dor do outro e agir com bondade. Esse conceito, por si só, já é importante. Porém, no Sermão do Monte, Jesus aprofunda a misericórdia e lhe dá um peso espiritual muito maior. Ele mostra que misericórdia não é apenas uma qualidade humana, mas uma marca de quem foi alcançado pela graça de Deus.

Em Mateus 5:7, Jesus declara: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (NAA). Essa palavra revela uma relação direta entre receber e oferecer misericórdia. Jesus não está ensinando que conquistamos o favor de Deus por boas obras, mas que quem experimenta a misericórdia divina passa a viver de forma misericordiosa.

Para Jesus, misericórdia não é apenas sentir pena ou ter um coração sensível. Ela nasce da experiência pessoal com a graça de Deus. O misericordioso é alguém que reconhece que foi perdoado, alcançado e tratado com paciência pelo Senhor. Por isso, passa a olhar os outros com o mesmo olhar que recebeu de Deus.

No ensino de Jesus, a misericórdia começa pelo olhar. É enxergar a pessoa além do erro, da fraqueza ou da aparência. Jesus via pessoas feridas, não apenas pecadores. Ele não ignorava o pecado, mas também não ignorava a dor humana. Esse olhar muda a forma como lidamos com quem falha, com quem erra e com quem decepciona.

A misericórdia também envolve sentir. Ela não é fria nem distante. É permitir que o sofrimento do outro toque o coração. Muitas vezes, é mais fácil julgar do que se compadecer. É mais simples apontar o erro do que caminhar junto. Jesus nos chama a um coração sensível, capaz de se importar, mesmo quando isso exige esforço emocional.

Mas a misericórdia ensinada por Jesus não para no olhar e no sentir. Ela se expressa em ação. No Sermão do Monte, misericórdia sempre se transforma em atitude concreta. Não é apenas perdoar com palavras, mas agir com paciência, oferecer ajuda, estender a mão e dar novas oportunidades. É o oposto de uma religião dura, que cobra muito, mas oferece pouco.

Nos nossos dias, isso se torna muito prático. Ser misericordioso é perdoar alguém da família que nos feriu. É tratar com respeito quem falhou no trabalho. É ajudar alguém sem esperar reconhecimento. É responder com calma quando somos provocados. É lembrar que nós mesmos já erramos muitas vezes e fomos alcançados pela graça de Deus.

Jesus não chama de bem-aventurados os que apenas exigem justiça dos outros, mas os que sabem equilibrar justiça com misericórdia. Ele não nos ensina a passar por cima da verdade, mas a tratar a verdade com amor. A misericórdia não ignora o erro, mas oferece caminho de restauração.

Por isso, a misericórdia ensinada por Jesus vai além do conceito humano. Ela inclui perdoar quando há motivo para ressentimento, ajudar quando não há obrigação e tratar com graça quem falhou. Esse tipo de misericórdia não nasce do esforço humano, mas de um coração moldado pelo Espírito de Deus.

Jesus não redefine a misericórdia; Ele a leva à sua essência. Quem foi alcançado pela misericórdia de Deus aprende a oferecê-la aos outros. E essa prática revela um coração alinhado com o Reino dos Céus.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em julgar menos por conveniência, mas em amar mais por convicção. O misericordioso vive de forma leve, porque entende que a graça recebida precisa ser compartilhada. E sobre esses, Jesus declara: são felizes.

Quem experimenta a misericórdia de Deus aprende a olhar, sentir e agir com graça diante dos outros.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/fev/26

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