“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”
Mateus 5:5 (NAA)
De volta às bem-aventuranças, nesta terceira reflexão Jesus nos
conduz a um tema que costuma ser mal compreendido: a mansidão. Vivemos em um
tempo em que força é confundida com agressividade, autoridade com gritos e
firmeza com dureza. Por isso, quando Jesus declara “Bem-aventurados os
mansos”, muitos estranham. No entanto, a mansidão, segundo o Reino de Deus,
não é fraqueza. É força sob controle.
Ser manso é ter capacidade de reagir, mas escolher não agir
movido pela ira, pelo orgulho ou pelo desejo de vingança. É a pessoa que possui
força interior, mas permite que Deus governe suas atitudes. A mansidão aparece
quando alguém tem poder para ferir, mas opta por perdoar; quando poderia
responder com palavras duras, mas escolhe falar com graça. Não é falta de
reação, é domínio próprio.
Na ótica do céu, o manso não é aquele que se cala por medo, mas
aquele que se cala por sabedoria. Não é quem aceita injustiça por covardia, mas
quem confia que Deus é justo e cuida da causa. A mansidão revela um coração
seguro em Deus, que não precisa se impor o tempo todo para provar seu valor.
Quem confia no Senhor não vive defendendo o próprio ego.
Jesus é o maior exemplo de mansidão. Ele foi acusado
injustamente, humilhado publicamente e tratado com desprezo. Ainda assim, não
perdeu o domínio de si mesmo. Sua mansidão não o impediu de confrontar o erro,
mas determinou a maneira como Ele tratava as pessoas — com verdade, amor e
firmeza. Quando precisava corrigir, corrigia. Quando precisava silenciar,
silenciava. Tudo no tempo certo e com o coração certo.
Essa mansidão fica clara quando Jesus é provocado, questionado e
até agredido. Ele tinha todo o poder para reagir, mas escolheu obedecer ao Pai.
Isso nos ensina que a mansidão não anula a força; ela a direciona. É força
guiada pelo amor e pela obediência a Deus.
Nos nossos dias, ser manso é algo muito prático. Significa
controlar as palavras quando somos contrariados. É não explodir em discussões
dentro de casa, no trabalho ou na igreja. É não responder com ironia,
agressividade ou desprezo. Ser manso é saber ouvir, ponderar e responder com
respeito, mesmo quando o outro não age da mesma forma.
A mansidão também se manifesta quando alguém prefere conversar
em vez de discutir, perdoar em vez de guardar mágoa, esperar em vez de agir por
impulso. É escolher a paz sem abrir mão da verdade. É agir com equilíbrio,
mesmo quando as emoções pedem outra coisa. Isso não é fácil, mas é fruto da
ação de Deus no coração.
Muitos pensam que, para vencer na vida, é preciso ser duro o
tempo todo. Jesus ensina o contrário. Ele afirma que os mansos herdarão a
terra. No Reino de Deus, não vence quem grita mais alto, mas quem confia mais
profundamente. Não prospera quem atropela os outros, mas quem caminha com
humildade e fé.
Essa promessa aponta para algo maior do que conquistas
materiais. Herdar a terra fala de descanso, segurança e cuidado de Deus. O
manso aprende a esperar, a confiar e a caminhar sem ansiedade. Ele sabe que
Deus está no controle e que nenhuma injustiça passa despercebida aos olhos do
Senhor.
Para quem está começando na fé, a mansidão é um aprendizado
diário. Não nasce pronta. Ela cresce à medida que aprendemos a andar com
Cristo, a ouvir Sua Palavra e a permitir que o Espírito Santo molde nosso
caráter. Cada situação difícil se torna uma oportunidade de praticar a
mansidão.
Assim, Jesus nos chama de bem-aventurados não quando somos
duros, mas quando somos mansos. A mansidão é o retrato de um caráter moldado
por Cristo. É força com propósito, firmeza com amor e autoridade com humildade.
É viver de um jeito que revela o coração do Pai ao mundo.
A verdadeira força não está em reagir com dureza, mas em confiar
em Deus e escolher agir com amor.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
04/fev/26
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