O CORDEIRO DE DEUS: DA PROMESSA AO TRONO

“No dia seguinte, João viu Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”  João 1:29

Desde o início da história bíblica, Deus vem revelando ao ser humano o caminho da salvação de forma clara, progressiva e amorosa. Nada acontece por acaso. Cada detalhe, cada símbolo e cada ensino apontam para uma verdade maior que se cumpre plenamente em Jesus Cristo. Um desses símbolos centrais é o Cordeiro.

Em Êxodo 29, Deus ordena que dois cordeiros fossem oferecidos todos os dias sobre o altar: um pela manhã e outro à tarde. Esse sacrifício não era ocasional. Acontecia continuamente. O povo de Israel aprendia, dia após dia, que precisava da graça de Deus para continuar vivendo em comunhão com Ele. O sacrifício lembrava que o pecado separa, mas Deus provê um meio de aproximação. A vida espiritual não se sustentava por esforço humano, mas por aquilo que Deus havia estabelecido.

Esse ensino continua muito atual. Ainda hoje, muitas pessoas tentam viver confiando apenas em suas próprias forças, em boas intenções ou em práticas religiosas. Porém, assim como Israel, nós também precisamos reconhecer diariamente que dependemos de Deus. A comunhão com Ele não se mantém por rituais vazios, mas por um relacionamento vivo, sustentado pela graça.

Séculos depois, quando João Batista vê Jesus se aproximando, ele faz uma declaração que muda tudo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João 1:29. João não apresenta Jesus como mais um mestre ou profeta. Ele revela que todo o sistema de sacrifícios do Antigo Testamento apontava para uma Pessoa. Jesus não veio apenas cobrir o pecado, como acontecia nos sacrifícios antigos. Ele veio para tirá-lo de uma vez por todas.

Isso significa que, em Cristo, não precisamos mais repetir sacrifícios nem viver presos ao medo da condenação. A obra que antes era provisória agora se tornou definitiva. O perdão não depende mais de animais sobre o altar, mas do sacrifício perfeito de Jesus na cruz. Quando alguém crê em Cristo, recebe perdão, nova vida e acesso direto a Deus.

Esse mesmo Jesus, que morreu como Cordeiro, aparece novamente no livro de Apocalipse. Em Apocalipse 5:6, João vê um Cordeiro como tendo sido morto, mas agora vivo, em pé, no meio do trono. O sacrifício não foi esquecido no céu. Pelo contrário, ele se tornou o fundamento da autoridade de Cristo. O Cordeiro que foi humilhado agora é exaltado. O Cordeiro que sofreu agora reina.

Isso nos ensina algo muito importante: a cruz não foi um acidente, nem uma derrota. Foi o caminho que Deus escolheu para revelar Seu amor e Seu poder. Jesus venceu justamente porque se entregou. A glória veio depois do sacrifício. A vida veio depois da morte.

Essa verdade também aparece no ritmo estabelecido por Deus desde a criação. A Bíblia diz que foi “tarde e manhã” em cada dia. A noite vem antes do dia. Em Êxodo, o cordeiro da tarde vem antes do da manhã. Espiritualmente, isso nos mostra que a redenção precede a nova vida. Primeiro a cruz, depois a ressurreição. Primeiro o arrependimento, depois a restauração.

Na prática, isso nos ajuda a entender nossa própria caminhada. Muitas vezes, queremos vitória sem entrega, glória sem cruz, transformação sem arrependimento. Mas Deus nos ensina que o caminho da vida passa pela dependência, pela confiança e pela fé em Cristo.

Portanto, esses textos não estão soltos na Bíblia. Eles formam uma única linha clara e poderosa: o Cordeiro prometido no Antigo Testamento, revelado nos Evangelhos e exaltado na eternidade. Do altar no deserto, à cruz no Calvário, até o trono no céu, é o mesmo Cordeiro. Ele sustenta o passado, salva o presente e governa o futuro.

O Cordeiro que morreu por nós é o mesmo que vive por nós e reina para sempre.

A Paz do Senhor Jesus

Pr. Decio Fonseca

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