O QUE VOCÊ QUER QUE EU LHE FAÇA?
“O que você
quer que eu lhe faça?” Marcos 10:36; 10:51 (NAA)
Quantos pedidos
carregamos todos os dias para colocar diante de Jesus. Nossa agenda costuma
viver cheia, marcada por compromissos, prazos, sonhos, preocupações e
necessidades que parecem sempre urgentes. Há contas a pagar, decisões a tomar,
dores a aliviar, problemas familiares, desafios no trabalho e tantas outras
demandas que nos empurram para a oração quase sem pausa. Oramos muito. Pedimos
muito. Às vezes, até nos cansamos de pedir, esquecendo de glorificar
O evangelista
Marcos, porém, conduz o leitor a uma reflexão mais profunda ao registrar um
detalhe precioso: Jesus faz a mesma pergunta a pessoas muito diferentes, em
momentos distintos do mesmo capítulo. A pergunta é simples, direta e aberta: “O
que você quer que eu lhe faça?” O que muda não é a pergunta. O
que muda é o coração de quem responde.
Em Marcos 10:35,
Tiago e João se aproximam de Jesus dizendo: “Mestre, queremos que nos
concedas o que vamos pedir.”
Eles caminham com
Jesus, fazem parte do grupo mais próximo, conhecem seus ensinamentos e já
presenciaram muitos milagres. Ainda assim, chegam com a agenda pronta. Antes
mesmo de apresentarem o pedido, tentam garantir a resposta. O tom não é de
súplica, mas de expectativa. O pedido nasce do desejo de posição, honra e
destaque. Eles querem sentar-se à direita e à esquerda de Jesus na glória. É
uma fé que confunde intimidade com privilégio e proximidade com direito
adquirido.
Poucos versos
depois, em Marcos 10:47, outro homem aparece na cena: “Jesus, Filho de Davi,
tem misericórdia de mim!”
Bartimeu não anda
com Jesus. Ele está à margem do caminho. Não tem status, não tem posição, não
tem garantias. Ele não exige nada. Não apresenta currículo espiritual. Não
tenta condicionar Jesus. Seu clamor nasce da consciência da própria
necessidade. Ele não pede glória; pede misericórdia. Não pede trono; pede
visão.
Quando Jesus repete
a mesma pergunta — “O que você quer que eu lhe faça?” — as
respostas revelam mundos completamente diferentes. Tiago e João pedem para
subir. Bartimeu pede para enxergar. Um pedido nasce da ambição espiritual; o
outro nasce da dependência. Um olha para o trono; o outro olha para o caminho.
Essa diferença fala
muito conosco hoje. Quantas vezes nos aproximamos de Jesus carregando listas
prontas, pedidos organizados, expectativas bem definidas e até frustrações
antecipadas, caso Ele não responda como esperamos? Quantas vezes nossa oração
soa mais como exigência disfarçada de fé do que como clamor sincero por
misericórdia?
Marcos nos ensina
que não é a quantidade de pedidos que move o coração de Jesus, mas a postura de
quem pede. Jesus não rejeita perguntas, nem se incomoda com pedidos. Ele
discerne motivações. Ele vê além das palavras. A mesma pergunta revela
intenções diferentes e produz resultados diferentes.
Bartimeu ensina que
fé verdadeira não nasce da sensação de merecimento, mas do reconhecimento da
própria limitação. Ele não diz: “Concede-me”. Ele diz: “Tem
misericórdia de mim”. E é exatamente esse tipo de fé que move Jesus. Não a
fé que pressiona, mas a fé que confia. Não a fé que exige, mas a fé que se
entrega.
O texto termina
dizendo que Bartimeu, depois de curado, passou a seguir Jesus pelo caminho. Ele
não apenas voltou vendo; voltou andando com o Senhor. Sua cura não o levou ao
centro das atenções, mas ao caminho do discipulado.
Assim, o texto nos
confronta de forma honesta: quando Jesus nos pergunta o que queremos que Ele
nos faça, estamos pedindo apenas que Ele atenda nossa agenda ou que Ele
transforme nosso coração para caminhar com Ele? Estamos buscando posição ou
visão? Reconhecimento ou misericórdia?
Jesus não se move
por pressão religiosa. Ele se move por fé humilde. A oração que exige revela um
coração confiante em si mesmo. A oração que clama revela um coração dependente
de Deus. Alguns se aproximam dizendo: “Concede-nos.” Outros se aproximam
dizendo: “Tem misericórdia.” Só um deles volta vendo — e seguindo pelo
caminho.
A mesma pergunta
de Jesus revela que não é o pedido que nos define, mas o coração com que nos
aproximamos dEle.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
12/jan/26
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