QUANDO A CURA ESTÁ PERTO, MAS A FERIDA CONTINUA
“Será que não
há bálsamo em Gileade? Ou não há médico lá? Por que, então, não se realizou a
cura da filha do meu povo?” Jeremias 8:22 (NAA)
O versículo de
Jeremias 8:22 foi escrito em um tempo muito difícil da história do povo de
Judá. O povo continuava frequentando o templo, fazendo orações e mantendo
práticas religiosas, mas o coração já não estava voltado para Deus. Eles tinham
aparência de fé, porém viviam longe da obediência. Havia pecado, injustiça,
idolatria e muita resistência à Palavra do Senhor. Mesmo assim, insistiam em
dizer que estava tudo bem, que havia paz, quando na verdade o juízo de Deus se
aproximava.
Essa situação
causava profunda dor ao profeta Jeremias. Ele não falava com dureza, como
alguém que apenas acusa. Ele falava como alguém que ama e sofre junto com o
povo. Por isso, suas palavras soam como um lamento, quase um choro. Ele faz uma
pergunta simples, mas cheia de significado: se existe bálsamo em Gileade e se
há médicos, por que o povo não está sendo curado?
Naquele tempo, o
bálsamo de Gileade era muito conhecido. Era um tipo de resina retirada de
plantas, usada como remédio para tratar feridas e aliviar dores. Era algo
valioso e eficaz. Jeremias usa esse exemplo para mostrar que, assim como havia
remédio para feridas do corpo, também havia solução para as feridas da alma. O
problema não era a falta de remédio. O problema era que o povo tinha um tipo de
ferida que não podia ser curada com soluções humanas.
As feridas do povo
não eram apenas problemas externos, como dificuldades econômicas ou ameaças de
inimigos. Eram feridas espirituais. Tinham sido causadas pelo pecado, pela
desobediência e pelo afastamento de Deus. Por isso, não adiantava buscar ajuda
em alianças políticas, em ídolos ou em práticas religiosas vazias. Nada disso
tratava o verdadeiro problema.
Jeremias também
fala do médico. Ele não afirma que não existiam médicos, mas deixa claro que
eles não estavam oferecendo a cura verdadeira. Ao usar essa imagem, o profeta
aponta para os líderes religiosos da época. Eles falavam em nome de Deus, porém
evitavam confrontar o pecado do povo. Preferiam discursos agradáveis,
repetindo: “Paz, paz”, quando, na realidade, não havia paz alguma. Agiam como
quem coloca um curativo superficial sobre uma ferida profunda: até traziam um
alívio momentâneo, mas não tratavam a causa do problema, e por isso a cura
nunca acontecia.
Por isso, o lamento
do profeta é tão forte. A cura estava disponível. Deus continuava chamando o
povo ao arrependimento. Ainda assim, Judá recusava o tratamento. Preferia
continuar vivendo do mesmo jeito, sem mudar de vida, sem abandonar o pecado. O
arrependimento exigia mudança, e isso parecia difícil demais para eles.
Essa mensagem
continua muito atual. Hoje também vivemos cercados de recursos. Há conselhos,
livros, vídeos, mensagens motivacionais e muitas promessas de solução rápida
para qualquer dor. Mesmo assim, muitas pessoas continuam feridas por dentro.
Frequentam igrejas, participam de atividades religiosas, mas carregam o coração
pesado, endurecido ou distante de Deus.
Muitas vezes
tentamos tratar feridas espirituais com distrações, trabalho excessivo,
consumo, entretenimento ou até religiosidade superficial. Essas coisas podem
até ajudar por um tempo, mas não curam de verdade. A cura profunda continua
vindo somente de Deus. Ele continua sendo o Deus que sara. Porém, Sua cura
começa quando reconhecemos nossa condição e nos voltamos para Ele com
sinceridade.
Jeremias nos ensina
que não basta saber que existe cura. É preciso querer ser curado. Não basta
saber que Deus pode restaurar. É necessário permitir que Ele trate a ferida da
forma correta. Isso envolve arrependimento, mudança de atitude e disposição para
obedecer à Palavra do Senhor.
A tragédia do povo
de Judá não foi a ausência de solução. Foi a recusa em aceitar a solução que
Deus oferecia. E essa mesma escolha ainda se apresenta diante de nós hoje.
A pergunta de
Jeremias continua ecoando: por que a ferida não é curada, se o remédio existe e
o Médico está presente? A resposta continua sendo a mesma: enquanto resistirmos
ao tratamento de Deus, a ferida permanece. Quando nos rendemos a Ele, a
restauração começa.
A cura de Deus
sempre esteve disponível; o que muitas vezes falta é um coração disposto a se
deixar tratar.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
13/jan/26
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