QUANDO
A DOR VIRA LUGAR DE ENCONTRO
“Perto está o Senhor dos que têm o
coração quebrantado e salva os de espírito oprimido.” Salmo 34:18 (NAA)
O Salmo 34 não foi escrito em um
momento de vitória aparente ou de reconhecimento público. Ele nasceu em um dos
períodos mais difíceis da vida de Davi. Perseguido por inimigos, ameaçado de
morte e dominado pelo medo, Davi precisou fingir-se de louco diante do rei
Abimeleque para não ser morto. Ao ser expulso da presença do rei, saiu
humilhado, vulnerável e sem qualquer sinal de força. Aos olhos humanos, tudo
parecia perdido.
Foi nesse cenário de fraqueza extrema
que o salmo surgiu. A dor não afastou Davi de Deus; tornou-se o lugar do
encontro. Quando não havia respostas, quando a dignidade parecia ter sido
arrancada e quando o medo dominava o coração, Davi experimentou algo precioso:
o Senhor estava perto. O livramento não veio porque ele foi forte, mas porque
Deus se aproximou dele em sua fraqueza.
Esse salmo nos ensina que a presença
de Deus não depende da nossa aparência exterior. Muitas vezes pensamos que Deus
se aproxima apenas quando estamos bem, organizados e confiantes. Porém, a
Palavra mostra o contrário. O Senhor se revela quando o coração está
quebrantado e o espírito se encontra oprimido. O salmo nasce da dor, e a dor se
transforma em testemunho da graça de Deus.
Nos dias atuais, aprendemos a
esconder o sofrimento. Muitas pessoas continuam trabalhando, sorrindo e
cumprindo suas responsabilidades enquanto carregam por dentro dores profundas.
Existem sofrimentos que não aparecem no corpo, não deixam marcas visíveis e não
chamam atenção. Mesmo assim, machucam profundamente o coração.
A Bíblia chama essas dores de coração
quebrantado e espírito oprimido. Não se trata apenas de problemas externos, mas
de algo que se rompe por dentro, que enfraquece a alma e tira a alegria de
viver. Muitas vezes, essa dor não encontra palavras. Ela se manifesta em
silêncio, em noites sem sono, em cansaço constante ou na sensação de vazio.
Ainda assim, Deus conhece cada detalhe do que se passa no íntimo do ser humano.
Ansiedade, medo, luto, frustrações e
perdas fazem parte da experiência humana. Eles chegam sem avisar e afetam a
maneira como a pessoa enxerga a si mesma, os outros e até a própria vida. Nem
sempre o sofrimento emocional se apresenta de forma visível. Muitas vezes, ele
se esconde no isolamento, na tristeza silenciosa e na perda de sentido.
O Salmo 34 revela algo que traz
esperança: o Senhor não se afasta de quem sofre. A Escritura não diz que Deus
está perto dos fortes, dos autossuficientes ou dos que parecem ter tudo sob
controle. Ela afirma que o Senhor está perto dos quebrantados. Ele se inclina
para os que estão feridos por dentro.
Aquilo que muitos escondem por
vergonha ou medo do julgamento humano torna-se, diante de Deus, lugar de
encontro. A dor, que parece sinal de fracasso, transforma-se em espaço de
cuidado. Deus não despreza o coração ferido; Ele o acolhe e restaura com amor.
Onde há dor emocional, não há
fracasso, há humanidade ferida. E feridas não precisam de acusação, mas de
cuidado. O acolhimento não enfraquece; ele humaniza. Com Davi aprendemos que o
sofrimento não afasta o Senhor. Pelo contrário, muitas vezes é no sofrimento
que a presença de Deus se torna mais real.
Quando alguém decide ouvir com
paciência, acolher sem julgamento e respeitar o tempo do outro, participa do
cuidado que Deus oferece. Esse cuidado devolve dignidade, esperança e vida ao
coração cansado.
Por isso, aprendemos a glorificar a
Deus não apenas nos dias de alegria visível, mas também nos dias de silêncio
interior. A presença do Senhor não se manifesta apenas nos momentos de
celebração pública; ela se revela, muitas vezes, nos corredores silenciosos da
alma.
Assim como Davi, podemos declarar com
confiança: a dor não foi o fim da história. Pela graça de Deus, ela se
transformou em louvor. O Senhor esteve perto nos dias de coração quebrantado e
nos dias de espírito oprimido. E essa proximidade continua sendo nossa
esperança hoje.
Quando tudo parece quebrado por
dentro, Deus não se afasta; Ele se aproxima, transforma a dor em encontro e o
silêncio em lugar de cuidado.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
20/jan/26
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