SEGURADOS PELA MÃO QUE NÃO FALHA

A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustem." Salmos 63:8 (ARC)

Vivemos dias difíceis. Em Juiz de Fora e em tantas cidades da região, famílias têm enfrentado perdas dolorosas. Casas foram levadas pelas águas. Histórias inteiras se misturaram à lama. Em alguns lares, o choro chegou mais fundo, porque vidas preciosas se foram. Diante de cenários assim, o coração humano se pergunta: onde está o nosso sustento? Em quem podemos confiar quando tudo ao redor parece desabar?

O salmista nos entrega uma resposta simples e poderosa: “A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustem.” Salmos 63:8 (ARC). Ele não fala de uma vida sem crises. Ele fala de uma vida sustentada no meio delas. Davi escreveu essas palavras em tempo de dificuldade, longe do conforto e cercado por incertezas. Ainda assim, havia dentro dele uma certeza maior: a mão de Deus continuava firme.

Quando a Bíblia diz que a alma segue de perto, ela nos mostra um movimento de confiança. Não se trata de seguir de longe, com medo ou dúvida. É caminhar perto de Deus, mantendo o coração ligado a Ele em todo tempo. Em dias tranquilos isso parece simples. Nos dias de perda, de enchente, de desmoronamentos e de notícias difíceis, essa proximidade se torna ainda mais necessária.

A segunda parte do versículo traz um consolo profundo: “a tua destra me sustem”. A destra, na linguagem bíblica, fala da mão forte de Deus — a mão que age, que protege e que levanta quem caiu. O salmista não afirma que sua própria força o mantinha de pé. Ele reconhece que o sustento vinha do Senhor.

Essa verdade se conecta com outra cena poderosa das Escrituras. Quando o povo de Israel atravessava o deserto, a arca da aliança seguia adiante do povo. A Palavra diz: “Partiram, pois, do monte do Senhor, caminho de três dias; e a arca da aliança do Senhor ia adiante deles… para lhes procurar lugar de descanso.” Números 10:33 (NAA). A arca representava a presença do Senhor guiando, protegendo e abrindo caminho.

Que imagem forte para os nossos dias. O povo caminhava pelo deserto cercado de incertezas. Ainda assim, havia segurança, porque a presença de Deus ia à frente deles. O sustento não vinha da força do povo, e sim da presença que os conduzia.

Não é por coincidência que o nosso lema fala justamente de tempestades e chuvas. Em tempos como os que estamos vivendo, essa verdade se torna ainda mais viva diante dos nossos olhos. Por isso lembramos o lema tão precioso que ecoa em nossa caminhada de fé: há um tabernáculo que é o nosso refúgio. A própria Escritura declara: “Haverá um abrigo para sombra contra o calor do dia e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva.” Isaías 4:6 (NAA).

Em meio às tempestades da vida, existe um lugar seguro na presença do Senhor. O tabernáculo aponta para esse lugar de encontro, de abrigo e de cuidado divino — o lugar onde o coração encontra descanso mesmo quando o mundo lá fora segue em agitação.

Nos dias que estamos vivendo, essa mensagem precisa alcançar o coração do povo de Deus. Há famílias que perderam móveis, roupas e documentos. Outras perderam o próprio lar. E algumas enfrentam o luto mais profundo. Nessas horas entendemos com mais clareza: nossa segurança nunca esteve nas paredes da casa nem nas coisas que juntamos ao longo da vida. Nosso verdadeiro sustento sempre veio do Senhor.

Tenho visto, nestes dias, exemplos que falam alto ao coração. Famílias acolhendo vizinhos que perderam tudo. Igrejas e escolas abrindo as portas para receber desabrigados. Irmãos se mobilizando para levar alimento, roupas e oração. Mesmo em meio à dor, a mão de Deus continua agindo por meio do seu povo. O Senhor não apenas sustenta; Ele também usa pessoas para sustentar outras.

Talvez alguém pergunte: como seguir de perto quando o coração está ferido? A resposta não está em sentimentos fortes, e sim em passos simples. É continuar orando, mesmo com lágrimas. É continuar confiando, mesmo sem entender tudo. É lembrar, todos os dias, que a arca — a presença do Senhor — continua indo à nossa frente e que há um tabernáculo que permanece como nosso refúgio seguro.

Se hoje você olha ao redor e vê insegurança, volte o coração para esta verdade: o nosso livramento e o nosso sustento estão no Senhor. Casas podem ser abaladas. Planos podem ser interrompidos. O chão pode até tremer sob nossos pés. Porém, a destra de Deus continua firme, sustentando aqueles que se achegam a Ele. A presença do Senhor segue adiante do seu povo.

Que, em meio a estes dias difíceis, nossa oração seja a mesma do salmista. Que nossa alma continue seguindo de perto. E que nossos olhos permaneçam voltados para a mão que nunca falha, nunca se atrasa e nunca solta aqueles que nela confiam.

Quando a presença do Senhor vai à frente e o Seu tabernáculo se torna nosso refúgio, até as tempestades mais fortes encontram um coração que permanece em pé pela fé.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/fev/26

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