A SEPULTURA NÃO É O FIM

“E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.” Lucas 16:22 (NAA).

A morte é uma das poucas certezas da vida, mas, mesmo assim, não gostamos de falar sobre ela. Fazemos planos para o próximo mês, pensamos nas férias, organizamos compromissos, cuidamos da casa, trabalhamos, compramos, vendemos e fazemos projetos para muitos anos. Tudo isso é natural. O problema começa quando planejamos cuidadosamente esta vida e não pensamos na eternidade.

Jesus não evitou esse assunto. Em Lucas 16:19-31, Ele contou a história de dois homens completamente diferentes. Um era rico, vestia-se muito bem e vivia cercado de conforto. O outro se chamava Lázaro, era pobre, estava doente e permanecia à porta do rico esperando até mesmo pelas migalhas que caíam da mesa.

Então aconteceu aquilo que acontece tanto no palácio quanto no barraco, com ricos e pobres, conhecidos e desconhecidos: os dois morreram.

É nesse momento que a narrativa apresenta um contraste impressionante. Sobre Lázaro, Jesus diz que ele morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Sobre o rico, simplesmente afirma que ele morreu e foi sepultado. (Lucas 16:22).

O rico teve sepultura. Lázaro teve acolhimento.

Na terra, talvez muita gente soubesse quem era aquele homem rico. Sua casa chamava atenção, suas roupas demonstravam sua condição e provavelmente seu funeral foi acompanhado por muitas pessoas. Lázaro, ao contrário, passara os seus últimos dias praticamente abandonado à porta daquela casa.

Mas a morte retirou tudo aquilo que separava os dois aos olhos dos homens. Dinheiro, roupas, posição e prestígio ficaram para trás. Diante da eternidade, nada disso podia salvar ninguém.

É importante compreender que o rico não foi condenado simplesmente porque era rico, assim como Lázaro não foi salvo simplesmente porque era pobre. Abraão, mencionado por Jesus nessa mesma narrativa, também havia sido um homem de muitos bens. O problema era muito mais profundo. A vida daquele rico mostrava um coração que podia desfrutar diariamente de abundância enquanto permanecia indiferente ao sofrimento de um homem que estava diante de sua própria porta.

Depois da morte, porém, a situação se inverteu. Lázaro estava consolado, enquanto o rico se encontrava em tormento. Lucas 16:23-25.

Jesus está mostrando algo que nossa geração precisa ouvir: a morte não é o fim da existência.

Hoje, muitas pessoas vivem como se tudo terminasse no cemitério. Preocupam-se em deixar patrimônio, uma boa casa, dinheiro para os filhos, fotografias, lembranças e um nome respeitado. Tudo isso pode ter seu valor, mas existe uma pergunta muito maior: onde estaremos quando tudo isso ficar para trás?

Um dia alguém poderá guardar nossas roupas, outra pessoa poderá dirigir o nosso carro e alguém poderá morar na casa que hoje chamamos de nossa. O dinheiro ficará nas contas, os objetos passarão para outras mãos e nosso nome aos poucos será apenas uma lembrança para algumas pessoas. Porém, nossa existência não termina porque nosso coração parou de bater.

Existe ainda outro ensinamento muito sério nessa narrativa. O rico percebeu tarde demais a importância da salvação. Quando compreendeu a realidade de sua condição, lembrou-se dos cinco irmãos que ainda estavam vivos e desejou que eles fossem advertidos para que não chegassem ao mesmo lugar. (Lucas 16:27-28(.

Ele queria que alguma coisa extraordinária acontecesse. Pensava que, se alguém voltasse dos mortos para falar com seus irmãos, certamente eles se arrependeriam. A resposta de Abraão, porém, foi clara: eles já tinham Moisés e os Profetas; deveriam ouvi-los. (Lucas 16:29).

Aqui está uma das mensagens mais fortes dessa passagem: Deus já nos deu Sua Palavra.

Há pessoas esperando um sinal extraordinário para entregar a vida a Cristo. Dizem: “Um dia vou pensar nisso”, “Quando estiver mais velho vou procurar uma igreja”, “Quando Deus fizer alguma coisa muito grande comigo, então vou crer”.

Mas Deus já falou. Sua Palavra continua sendo anunciada, a igreja tem proclamado o Evangelho, a Bíblia está aberta, Cristo morreu na cruz e ressuscitou, e o convite da salvação continua sendo feito.

Jesus declarou: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” João 11:25 (NAA). Talvez por isso a pergunta mais importante não seja:  Quando vou morrer?” Ninguém sabe.

A pergunta realmente importante é: “Se minha vida terminasse hoje, onde estaria minha eternidade?”

Lucas 16 nos ensina que, enquanto estamos vivos, podemos ouvir, arrepender-nos, crer e receber a graça de Deus. Depois da morte, porém, o rico descobriu que não havia como atravessar o grande abismo que separava os dois destinos. Lucas 16:26 (NAA).

Por isso, falar sobre a morte não precisa ser uma mensagem de desespero. Para quem está em Cristo, ela pode ser uma mensagem de esperança. Jesus venceu a morte e oferece vida eterna a todo aquele que nEle crê.

A grande tragédia não é saber que um dia morreremos. A grande tragédia é chegar ao fim desta vida tendo recebido tantas oportunidades de conhecer Cristo e descobrir, tarde demais, que passamos a vida inteira preparando tudo para esta terra, mas nada para a eternidade.

A morte pode encerrar nossos planos na terra, mas não encerra nossa existência; por isso, a decisão mais importante da vida precisa ser tomada enquanto ainda temos vida para decidir.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/ago/26

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