QUANDO DECIDIMOS SEM CONSULTAR A DEUS
“Então os
israelitas aceitaram os alimentos deles e não pediram conselho ao SENHOR.”
Josué 9:14 (NAA).
Israel estava
vivendo um momento de grandes conquistas. Depois de entrar na Terra Prometida,
o povo avançava e via Deus cumprir aquilo que havia prometido. Foi justamente
nesse período de vitórias que surgiu um perigo diferente. Dessa vez, o inimigo
não apareceu com espada na mão nem com um exército preparado para a batalha.
Apareceu com uma história convincente.
Os gibeonitas
souberam que Israel avançava pela terra e tiveram medo. Então prepararam uma
encenação. Vestiram roupas e sandálias velhas, levaram sacos gastos e alimentos
envelhecidos e disseram que vinham de uma terra muito distante. Tudo parecia
confirmar a história que contavam. Os olhos dos israelitas viram as roupas, as
sandálias e os alimentos, e a conclusão pareceu óbvia: aqueles homens realmente
haviam feito uma longa viagem.
O problema não foi
apenas terem sido enganados. A Bíblia mostra exatamente onde erraram: “não
pediram conselho ao SENHOR.” Josué 9:14 (NAA). Eles examinaram aquilo
que podiam ver, mas não buscaram Aquele que podia ver aquilo que estava
escondido.
Esse episódio
continua muito atual. Quantas vezes fazemos a mesma coisa? Uma proposta parece
boa, os números parecem vantajosos, as pessoas falam com segurança e tudo ao
redor parece confirmar que devemos seguir em frente. Então decidimos
rapidamente e somente depois perguntamos: “Senhor, por que isso aconteceu?” Talvez
a pergunta devesse ter vindo antes: “Senhor, o que devo fazer?”
Podemos viver isso
na escolha de um emprego, numa sociedade comercial, num relacionamento, numa
compra importante ou numa decisão familiar. Alguém aparece oferecendo uma
oportunidade maravilhosa, dizendo que precisamos responder naquele mesmo dia. A
proposta parece imperdível. A pressa aumenta, a emoção fala mais alto e não
temos tempo para orar, verificar os fatos nem ouvir pessoas maduras. Depois
descobrimos aquilo que a aparência escondia.
Isso não significa
que devemos desconfiar de todos ou ter medo de tomar decisões. Significa apenas
que nem tudo aquilo que parece bom aos nossos olhos é necessariamente bom para
nossa vida.
Nosso próprio
coração também pode nos enganar. Jeremias 17:9 (NAA) diz: “Enganoso é o
coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem poderá
entendê-lo?” Muitas vezes queremos tanto alguma coisa que começamos a
interpretar todos os acontecimentos como confirmação de que Deus também a quer.
É possível até orar dessa maneira: “Senhor, confirma aquilo que eu já decidi.”
Mas consultar a
Deus é diferente. É chegar diante dEle disposto também a ouvir um não.
Confiar no Senhor
exige reconhecer que nossa visão é limitada. Provérbios 3:5-6 (NAA) nos ensina:
“Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio
entendimento. Reconheça o SENHOR em todos os seus caminhos, e ele endireitará
as suas veredas.”
Consultar a Deus
não significa esperar sempre uma voz audível ou algum sinal extraordinário.
Significa orar, buscar nas Escrituras a direção que precisamos, porque Deus
fala conosco por meio de Sua Palavra, e examinar se aquilo que pretendemos
fazer está de acordo com o que Ele já revelou.
Também significa
não agir dominado pela ansiedade, observar os fatos com prudência e, quando
necessário, buscar o conselho de pessoas sábias e espiritualmente maduras. Deus
nos deu Sua Palavra, mas também nos concedeu inteligência, discernimento e
prudência para tomarmos decisões responsáveis diante dEle.
Os israelitas
olharam para o pão envelhecido dos gibeonitas e acharam que já possuíam
informações suficientes. Três dias depois descobriram que haviam sido enganados
e que aqueles homens moravam perto deles. A decisão já havia sido tomada e uma
aliança havia sido feita.
Há decisões que
levam apenas alguns minutos para serem tomadas, mas cujas consequências podem
permanecer durante anos.
Por isso, antes de
assinar, pergunte. Antes de aceitar, ore. Antes de iniciar um relacionamento,
busque direção. Antes de tomar uma decisão que afetará sua família, não deixe
Deus para o final da conversa.
A grande lição de
Josué 9 não é simplesmente que existem pessoas capazes de nos enganar. É que podemos
ser enganados com muito mais facilidade quando confiamos somente naquilo que
nossos olhos conseguem perceber.
Os israelitas
tinham experiência, liderança e provas diante deles. Faltou o mais importante: consultar
o Senhor. Que não aconteça conosco.
Quando não
soubermos o que fazer, podemos reconhecer humildemente nossa limitação e buscar
a direção de Deus. Às vezes, Ele confirmará aquilo que desejamos. Em outras,
fechará uma porta que parecia excelente. E pode acontecer de somente muito
tempo depois compreendermos por que Ele não permitiu que seguíssemos pelo
caminho que parecia tão certo.
Nem tudo o que parece certo aos nossos olhos deve conduzir os nossos passos; antes de decidir, precisamos buscar em Deus a direção, confiando nAquele que vê o que ainda não conseguimos enxergar.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
28/ago/26
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